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Festival de Inverno

Palco Instrumental destacou a força do gênero na música pernambucana

Último dia do polo localizado no Parque Rubem Van Der Liden contou ainda com show do grupo gaúcho Renato Borguetti e Quarteto

Jan Ribeiro/Secult-PE

Jan Ribeiro/Secult-PE

Poruu foi uma das atrações da noite do sábado (29)

Marcus Iglesias

O charmoso Parque Ruber Van Der Linder se despediu com chave de ouro da 27ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns. Com um público especial, repleto de amantes da música experimental, o palco instrumental do FIG 2017 apresentou no sábado (29) quatro atrações diversas, que evidenciaram o talento dos instrumentistas pernambucanos.

Integrante das bandas Malacada e Bamboleá, Salomão Miranda levou ao Palco Instrumental uma apresentação autoral construída coletivamente com os músicos que o acompanham nos shows. “O cavaquinho azul teve as letras compostas por mim, mas todo mundo participou da gravação. O Tido Morais, bateria; Juliana Barbosa, na percussão, Ide Rama no teclado e Chico Torres no violão, e foi gravado todinho na praia de Garça Torta, em Maceió”, explica o artista, que se apresentou publicamente pela primeira vez em Garanhuns neste FIG. “Foi muito legal porque muitos parentes e amigos puderam assistir ao show, muita gente não conhecia esse meu lado músico”, revelou.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Poruu apresenta no palco uma proposta experimental com base numa pesquisa feita há nove anos

Com nove anos de estrada, a banda Poruu faz uso de um formato de música diferente do convencional de mercado. No caso deles, altamente experimental, com um set de bateria e percussão orgânico (feito de objetos como garrafas e panelas amassadas), além de guitarras distorcidas que imitam sintetizadores e samplers com batidas eletrônicas. Primeira vez também no Festival de Inverno, o grupo formado por Iezu Kaeru (bateria), Marcelo Campello (guitarra) e Henrique Vaz, os dois últimos doutorandos em Música.

“Fizemos uma apresentação dividida em três atos, e buscamos uma música que tivesse um pouco da cara da gente, no momento atual, além de ser uma proposta bacana para o festival. A Poruu faz parte dessa pesquisa por uma música fora do mercado, de sentido ritualístico, de retorno às nossas origens”, detalhou Iezu. Sobre a reação do público, Marcelo Campello se mostrou satisfeito com o resultado: “A gente ficou feliz porque teve um pedido de ‘mais um’ no final que eu não tinha ouvido ainda com essa banda”, disse, aos risos.

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Cláudio Rabeca fez um show baseado no disco que pretende gravar em breve e que terá o título ‘Rabeca Brasileira’

A banda irá integrar a trilha sonora da exposição ‘Labirinto de Cabras e o Touro de Mármore’, feita numa parceria entre Iezu e Éder Chiodetto, e que ficará em cartaz durante a décima edição do Festival de Cinema de Triunfo, que começa no dia 7 de agosto. A mostra, que conta com incentivo do Funcultura, ficará instalada na Fábrica de Criação do Sesc da cidade.

O som de Cláudio Rabeca é como poesia na música e, para ele, foi uma apresentação acima do que esperado. “O show é baseado num projeto que eu estou amadurecendo que se trata do meu próximo CD, batizado de Rabeca Brasileira. Vou trabalhar a rabeca com sotaque pernambucano inserido na cultura brasileira. Pretendo gravar frevo, baião, choro, e o show já é começando a amadurecer essas ideias para o disco. Foi maravilhoso, o público instigou demais”, comemorou o artista.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Público se emocionou com a apresentação do gaúcho Renato Borguetti e Quarteto

Levando o acordeom e a cultura gaúcha dos pampas num formato erudito, Renato Borguetti fez a apresentação mais aguardada da noite. Maurício Accioly morador de Garanhuns, não teve tempo de conferir durante a semana a programação no Palco Instrumental, mas tirou o último dia pra assistir ao show do Renato Borguetti.  Conseguiu chegar a tempo ainda do show do Cláudio da Rabeca, o qual achou emocionante, e elogiou a proposta do espaço. “Aqui é a Pasárgada”, comentou, de forma resumida.

Acompanhado de um time de peso, formado pelo trio Pedro Figueiredo (fax e flauta), Vitor Peixoto (teclado), e Daniel Sá (violão), Renato disse no palco que estava “muito feliz em poder apresentar um pouco da minha cultura nessa terra”, para em seguida tocar uma versão de Santa Morena, de Jacob do Bandolim. Canções de sua carreira, composta por 17 discos lançados, também fizeram parte do repertório.

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Renato Borguetti já foi parceiro de música de Luiz Gonzaga e Dominguinhos

“É bom estar de volta a Garanhuns. Já estivemos aqui em outra oportunidade, a energia desse lugar é incrível. Não sei vocês repararam, mas a gente não canta”, brincou Renato. “Mas vocês podem cantar essa música conosco. Ela é de um gaúcho muito famoso, o Lupicínio Rodrigues, autor do hino do meu time Grêmio, e ficaria muito feliz se vocês descobrissem qual é e nos acompanhassem”, emendou, para em seguida puxar a canção Felicidade, entoada por boa parte do público presente.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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O trio composto por Pedro Figueiredo (na foto/fax e flauta), Vitor Peixoto (teclado), e Daniel Sá (violão) acompanhou Borguetti

Outro ponto alto da apresentação foi quando Borguetti pediu permissão para tocar na terra do Rei do Baião algumas de suas músicas: Baião e Asa Branca. “Nós estamos no Nordeste e vamos tocar um forró, mas com sotaque de gaúcho. É muita honra. Há muitos anos tive a satisfação de gravar com Luiz Gonzaga e pude viajar por tantos lugares com o mestre Dominguinhos”, declarou, sob fortes aplausos.

O recifense Mateus Carvalho estava no local e disse achar muito interessante a proposta do Palco Instrumental. “Não é comum de achar por aí um palco com esse intuito. E como se vê pela quantidade de gente que vem até aqui, há um público considerável que curte esse gênero. Aqui tem muita música de qualidade”, opinou.

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