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Festival de Inverno

Parceria entre Governo de Pernambuco e Consulado Geral da França resultou na formação de jovens circenses

Artistas tiveram a oportunidade de apresentar o trabalho durante o 27º Festival de Inverno de Garanhuns

Por Camila Estephania

A lona de circo do Festival de Inverno de Garanhuns 2017 recebeu o resultado de um frutífero intercâmbio entre Brasil e França na tarde de 27 de julho, quando o espetáculo “Mostra de Números Tradicionais”. Dirigida pelo francês Albin Warette, de La Grainerie, a atração foi encenada por 16 pernambucanos, que participaram do projeto Formação de Jovens Circenses, promovido pela Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundarpe, em parceria com o Consulado Geral da França no Recife.

Com o intuito de oferecer diferentes conhecimentos e processos criativos que impactem positivamente na linguagem do circo itinerante, a oficina, que teve duração de 11 dias, gerou um espetáculo único, que buscou sair da zona de conforto e ir além das fórmulas tradicionalmente repetidas no picadeiro. A primeira diferença foi a ausência do palhaço, que apesar de ser um dos personagens mais queridos do brasileiro, teve seu espaço preenchido pela atuação de acrobatas, contorcionistas, equilibristas, trapezistas e malabaristas. Com mais encenação e interação coletiva entre os integrantes, os números de graça foram inseridos dentro dos números desses artistas, que impressionaram e divertiram o público que lotou a lona no Parque Euclides Dourado.

Elimar Caranguejo

Elimar Caranguejo

Mostra de Números Tradicionais no FIG 2017

A identidade pernambucana também se destacou através das danças populares, reservando momentos de ciranda, coco e quadrilha, coreografados por Maria Paula Costa Rêgo, do Grupo Grial. “Tínhamos que colocar em cena essa riqueza de todos virem de diferentes escolas. Albin me proporcionou várias descobertas, porque ele tem um olhar muito maior mesmo, de ir além do corpo e explorar a dança popular. Acho que a oficina serviu para construir a ponte para cada um ir cada vez mais longe dentro do seu caminho”, opinou ela no debate “Circo: processos criativos no Brasil e na França” que se sucedeu à apresentação do espetáculo. O momento de diálogo contou com a participação de todos os alunos da formação, do diretor Albin, de Williams Santana, do Conselho de Circo de Pernambuco, da Secretária Executiva Estadual de Cultura, Silvana Meireles, e do adido cultural do Consulado-Geral da França no Recife, Guillaume Ernest.

“A primeira coisa que tentamos fazer é que, eu, como diretor, não sei de nada, e eles, como circenses, não sabem também. O que quero dizer com isso é que ninguém pode chegar já com uma ideia feita, porque vamos caminhar juntos para  chegar em algo novo. Para mim, circo é uma linguagem e cada número é um palavra. Então temos que fazer o espetáculo como uma frase, que pode dizer a mesma coisa de várias maneiras”, resumiu Albin, sobre o caráter experimental da Formação que gerou a apresentação. Silvana Meireles destacou a iniciativa como um exemplo de crescimento na área, apesar da crise financeira. “Hoje concluímos um trabalho que é a prova de que é possível realizar as coisas quando encontramos parceiros, como o Consulado. Foi importante essa troca para quem pretende fazer uma política pública nesse sentido, agora é arregaçar as mangas e viabilizar. Foi lindo o que vimos aqui hoje, esta semana já teremos uma reunião para pensar no futuro”, disse Silvana Meireles.

Camila Estephania

Camila Estephania

Roda de diálogo encerrou a apresentação

“Na realidade, tem um intercâmbio antigo entre França e Brasil em relação ao circo, mas foi combinado quando foi assinado o acordo entre Pernambuco e a região de Midi-Pirineus e da Occitânia, que incluiríamos na colaboração o circo. Isso permitiu uma aproximação muito forte entre profissionais do setor do circo do Recife e da Occitânia. Acho que esse é um processo muito importante porque representa um exemplo muito forte de cooperação que ajuda no equilíbrio de ambas partes, acredito que é positivo para os dois países. Agora vamos ver os próximos passos para que a gente possa avançar, acho que servirá para abrir espaço para outras iniciativas no setor da cooperação”, comentou Guillaume Ernest, na ocasião.

Os alunos da oficina, por sua vez, comemoram a perspectiva do Estado receber outros trabalhos de formação circense que tragam novos vieses na construção de um espetáculo. “Aprendi muitas coisas nessa formação, Albin soube como nos passar o conhecimento. Muitos não conhecem essa abordagem que nós fizemos, porque ainda faltam experiências de formação para os circenses”, comentou o artista circense Wellington Ferreira, de 31 anos, que trabalha no circo itinerante desde criança e participou da oficina para se aprimorar. O acrobata aéreo Vitor Lima, de 26 anos, destacou a proposta humanizada do diretor. “Para mim, foi muito enriquecedor. Albin consegue ressignificar o nosso trabalho e expressar nuances de inquietações pessoais, além de trazer o Novo Circo, onde a ideia de número se dilui e nada está separado mais. Teatro, dança, as expressões do corpo estão disponíveis para melhor potência do artista circense, sempre lembrando de usar o humor como forma de se conectar com o público”, disse ele.

Elimar Caranguejo

Elimar Caranguejo

Acrobacias

O artista ainda destacou a importância de mais ações semelhantes para desenvolver a cena no Estado. “Ainda faltam iniciativas de formação tanto na questão técnica, quanto artística, no sentido da criação, mas, a cada ano têm surgido mais ações e espero que isso cresça, porque existem muitos artistas talentosos aqui que, para crescer, precisam sair do Estado e muitas vezes não há condições para isso. Mais escolas seriam importantes não só para o artista crescer aqui, mas também para criar uma identidade circense pernambucana, como já no teatro, cinema e música”, concluiu Vitor.

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