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Festival de Inverno

Primeira Mesa de Glosas do FIG evidencia a poesia oral pernambucana

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Participaram da ação os poetas Genildo Santana, Zé Adalberto, Alexandre Morais, Dayanne Rocha e Elenilda Amaral, todos do Sertão do Pajeú

 Por Marcus Iglesias

Após um debate sobre políticas culturais que aconteceu na Praça da Palavra neo domingo (23), o polo de literatura do Festival de Inverno de Garanhuns recebeu uma atração até então inédita: a Mesa de Glosas | De Repente uma Glosa, realizada com a presença de cinco poetas do Sertão do Pajeú que foram mediados pela recifense Luna Vitrolina, a responsável em dar os motes aos participantes.

“Pra quem não sabe, uma Mesa de Glosa é uma modalidade de improviso, de repente, criada lá no Sertão do Pajeú. Foi graças ao empenho da cidade de Tabira que aconteceu a difusão dessa brincadeira. As regras são simples, consistem basicamente no respeito a uma métrica e aos motes que damos antes. Cada poesia tem que terminar com as frases que a gente passa para os poetas”, explica Luna Vitrolina, que revelou que o grupo passou recentemente em Porto Alegre e que já tinha viagem marcada para Salvador.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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“No futuro, os estudiosos e antologistas, se forem justos e honestos nas suas pesquisas, vão ter que dar ao Pajeú o título de criador deste estilo poético”, sugere Genildo Santana

A mediadora ressalta outro ponto importante a ser destacado na Mesa de Glosas do FIG, que é a presença feminina. “Dos cinco poetas, duas são mulheres. É bom a gente registrar isso, porque temos várias poetas de todo o estado e sabemos que as mesas de glosas são ambientes marcados pela forte presença masculina”. Participaram do evento os poetas Genildo Santana, Zé Adalberto, Alexandre Morais, Dayanne Rocha e Elenilda Amaral.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Público interagiu bastante com os poetas, fosse em respeito ao silêncio pré-poético, fosse nos aplausos em admiração à poesia

Para Genildo Santana, os créditos da autoria desta modalidade são todos da região do Sertão do Pajeú. “No futuro, os estudiosos e antologistas, se forem justos e honestos nas suas pesquisas, vão ter que dar ao Pajeú o título de criador deste estilo poético”. Segundo ele, os encontros normalmente contam com no máximo dez participantes, que chegam na brincadeira sem saber ainda quais motes serão dados. Tudo acontece na base do improviso e jogo rápido e certeiro com as palavras.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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A presença feminina foi um dos destaques do evento. Elenilda Amaral era uma das duas poetas presentes na Mesa de Glosas, que contou ainda com Luna Vitrolira na mediação

Começa então o jogo. Um dos motes que caiu na mesa, feito pelo poeta Giuseppe Mascena, sugeria que as poesias terminassem sempre com “O governo de elite / é contra o trabalhador”. Segue então o silêncio. A plateia presente respeita o espaço dos poetas, que bebem deste momento tranquilo para poderem então despertar o insight poético. Segundo Genildo Santana, o poeta segue nesse momento um rito. “Primeiro vem a calmaria, a gente precisa desse momento para pensar na construção do texto. Em seguida, quem for dizer sua poesia tem que se levantar antes e soltar o verbo”, explicou.

A última a declamar nesse mote, a poeta Elenilda Amaral pensou e pensou. O silêncio tomou conta da Praça da Palavra para dar nascimento à palavra encantada. Ela então largou de improviso a poesia que dizia “Defendo aqui nesta praça / O cidadão que trabalha / Que este governo só falha / Com quem trabalha e tem raça / Não vamos perder de graça / O que ganhamos com ardor / Que o povo é trabalhador / E vai lutar sem ter limite / O governo de elite / É contra o trabalhador”, para o delírio da plateia – que lotou a Praça da Palavra e interagiu bastante com os poetas.

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