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Festival de Inverno

Realizadores de festivais e produtores de bandas aprovam encontro da Plataforma FIG

Iniciativa reuniu nesta quinta (27) vários nomes da cadeia produtiva da música nacional, com mesa de debates e troca de contatos

Jorge Farias/Secult-PE

Jorge Farias/Secult-PE

Participaram do segundo dia da Plataforma FIG os realizadores Fabricio Nobre (Bananada – GO), Paola Wecher (Popload – SP), Zé Ricardo (Rock in Rio) e Marcio Caetano (Dragão do Mar – CE), entre outros

Marcus Iglesias

O segundo dia da programação da Plataforma FIG, nesta quinta (27), rendeu uma rica troca de experiências para quem trabalha com produção musical, seja como artista ou empreendedor cultural. Com duas mesas, uma abordando o consumo de vinil na era digital e outra sobre o circuito dos festivais que acontecem por todo o Brasil, como o Rock in Rio e a Festival Bananada, o encontro teve a presença de realizadores locais, grupos artísticos e produtores de bandas que puderam trocar contatos para, quem sabe, firmar parcerias futuras.

A programação começou às 11h com a mesa “Chegamos no digital, consumindo mais vinil”, que teve mediação de Rafael Cortes (Assustados Discos) e a presença de Heloisa Aidar (Pommelo, Brisa), Fabio Silveira (Alfafonte) e Pablo Rocha (Noize Record Club). A discussão girou muito em torno da crescente expansão do mercado do vinil no mundo todo, e como a cadeia produtiva tem lidado com esse fenômeno.

Para Pablo Rocha, um dos fundadores do Noize Record Club, referência nacional quando o assunto são as novidades em torno do consumo de vinil, uma das características que explicam o crescimento deste tipo de plataforma musical é a qualidade que as bolachas oferecem aos ouvintes. “O formato físico está ganhando força como a volta do vinil pela simples razão dele oferecer uma qualidade sonora incrível. São poucas as plataformas digitais que conseguem se equiparar ao vinil hoje em dia, mesmo com tanta tecnologia”, destacou.

Jorge Farias/Secult-PE

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Segundo Pablo Rocha, de 2010 pra cá, as vendas de vinil triplicaram nos EUA. Além disso, nos últimos anos, surgiram mais dez fábricas da plataforma no país

Segundo ele, de 2010 pra cá, as vendas de vinil triplicaram nos EUA. Além disso, nos últimos anos, surgiram mais dez fábricas da plataforma no país. No entanto, Rafael Cortes, sócio da Assustado Discos (selo pernambucano que já lançou nomes como Siba, Mundo Livre SA e em breve terá a Eddie no seu portfólio), comentou que as vendas nos EUA deram uma desaquecida. “Mas acho que isso é natural pelo ajuste que o mercado dará com o tempo. A questão da demora na entrega é um dos maiores entraves, inclusive nos EUA, e essa questão técnica é realmente complicada”, avalia. Ainda sobre a viabilidade técnica dos vinis, Pablo Rocha lembrou que no Brasil existe apenas uma fábrica de vinis. “A gente não consegue cumprir vários cronogramas que existem, e neste sentido o crescimento trava. Aqui no nosso país ainda temos o problema da qualidade dos nossos tocadores de vinil, a maioria em precária situação”, disse o empresário, que vai tentar viabilizar com a Noize uma forma de criar condições para que o acesso a este consumo seja popularizado.

Já Heloísa Aidar ressaltou que a recente onda do vinil também tem relação com a mentalidade do ser humano contemporâneo, que tem buscado se desconectar do mundo digital e resgatar hábitos mais analógicos, sem tanta pressa. “Chegamos ao ponto que estamos tão conectados que as pessoas pensam que precisam se desligar disso. E a volta do vinil vem muito daí. Não se trata apenas da qualidade da plataforma, existe todo um jogo em torno do ouvir vinis, um ritual. A pessoa precisa ter calma para ouvir um lado, virar o outro, ter cuidado com o material, paciência. É também uma coisa muito afetiva. Mas infelizmente o vinil é muito caro, e por isso não sei se vamos chegar a essa popularização”.

O realizador do Festival Bananada, Fabrício Nobre, estava na plateia durante o debate e acrescentou que já tem um tempo que a venda do suporte físico estabilizou no mínimo. “Também não vai aumentar, vai ter uma oscilação ou outra. Para o artista que faz uma quantidade razoável de shows, não há muita mudança na vida dele com a venda desse produto. Acredito que vai muito pelo lado do merchandising. O item dos Boogarians que mais vende, por exemplo, é o vinil. A gente tem que parar de trata-lo apenas como um suporte de áudio de qualidade e reconhecer o grande valor que há nele na área do marketing”, comentou.

Jorge Farias/Secult-PE

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“Chegamos ao ponto que estamos tão conectados que as pessoas pensam que precisam se desligar disso. E a volta do vinil vem muito daí”, opinou Heloisa Aidar

Na sequência, às 14h, foi a vez da mesa “Circuito de festivais, como fazer parte”, mediado por Fabricio Nobre (Bananada – GO) e com a participação de Paola Wecher (Popload – SP), Zé Ricardo (Rock in Rio) e Marcio Caetano (Dragão do Mar – CE). O debate começou com uma breve apresentação do perfil dos eventos que foi feita por cada realizador. “A gente monta a nossa programação, na sua maioria, com atrações internacionais. É muito difícil bandas nacionais entrarem na grade porque são poucas vagas”, adianta Paola Wecher.

Já Márcio Caetano explica que a programação do Maloca Dragão se dá mais ao vivo, visitando os festivais. “São trabalhos que não dão no mercado privado e que não são consagrados. A nossa ideia é apresentar essas propostas ao público de Fortaleza, realizando 100% do evento com recursos do Governo do Ceará”. Outro ponto que ele defende é que eventos de todo o país precisam se articular mais. “Um dos trabalhos que fizemos recentemente foi convidar o Lincoln Center para o festival, e depois eles levaram a gente pra lá. Queremos circular nossa programação nos outros eventos também. Por isso estamos montando uma programação para o próximo semestre com o objetivo de levar alguns artistas para outros festivais. Inclusive, se o Rock In Rio topar, já deixo a sugestão d’a gente levar um palco pra lá”, brincou Marcelo Caetano, para ouvir em seguida outra brincadeira, desta vez do Fabrício Nobre. “O Rock In Rio eu não sei, mas no Bananada isso rola fácil”.

Jorge Farias/Secult-PE

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Fabrício conta que as bandas precisam chamar mais a atenção dos curadores dos festivais, utilizando dos meios de comunicação e relacionamentos

Na opinião de Zé Ricardo, é muito enriquecedor estar ao lado dos principais realizadores do Brasil. “Desde 2008, faço a curadoria do Palco Sunset do Rock In Rio, que propõe encontros de diferentes artistas de várias partes do mundo. Eu acredito muito na cadeia produtiva que existe em torno do festival, que envolve público, artista e equipe. O Palco Sunset recebeu grandes artistas da música mundial e nacional, e eu tenho uma paixão muito grande pela ideia de que a gente enquanto artista tem que sair da zona de conforto. Para isso, ele precisa investir bem na sua divulgação, chamar atenção de alguma forma para que os produtores possam percebê-lo”.

Mary Lemos, produtora de Juliano Holanda, fez uma pergunta mais prática do que exatamente as bandas e artistas que queira participar dos festivais devem fazer. “Existe uma convocatória, a gente manda um e-mail? Como faz pra participar de fato?”, questionou. Sobre o Bananada, Fabrício conta que “a única coisa que você tem que fazer é chamar atenção de algum jeito do curador que está fazendo aquilo. Agora entregar material é importante? É fundamental. Mas não é só isso. É válido também ir nos eventos, participar destas mesas, construir relações. Não tem um jeito simples, uma receita”. Marcelo Caetano explicou que a chamada pública para o Maloca Dragão é voltada para os cearenses, nascidos ou moradores de lá. “Mas a parte convidada do festival tem uma curadoria artística, e eu a integro. A gente pensa ele inteiro, desde espaço físico, palco, até a montagem da grade de programação. Quem quiser participar, já estamos recebendo materiais. E ressalto o que o Fabrício falou: outra coisa importante é você ir também vivenciar o festival”.

Já para participar do Festival Popload, em São Paulo, Paola Wecher diz que o jeito de entrar na programação é pelo site do evento que é abastecido diariamente. “Tem uma área lá chamada Sessions, onde as bandas desconhecidas colocam seus vídeos, e isso chama atenção de muitas pessoas. A gente nem anuncia o festival em rádio porque os grupos que a gente convida não tocam nesses veículos de comunicação. Mas se há algo inevitável é que a banda precisa chamar atenção de todo jeito”, disse.

Jorge Farias/Secult-PE

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Realizadores deram detalhes de como participar em alguns dos principais festivais naciinais, como o Maloca Dragão, no Ceará

Além dos produtores e realizadores já presentes no local, outros personagens da música nacional, como Fernando Zugno (Festival POA Em Cena – POA), Antonio Amaral (Revista Rolling Stones), Eduardo Porto (Festival Contato) e Renata Simões (jornalista), conversaram com os participantes – que puderam entregar os materiais das suas bandas e trocar contatos.

Para Antonio Gutierrez, que produz o Festival Rec-Beat, este encontro era o que estava falando no FIG. “Essa plataforma vai expandir a fronteira do festival, ajudar a tornar-lo não só um evento de arte e lazer, mas que ele pode ser um momento que agregue o mercado. É uma oportunidade dos grupos locais realizarem contatos com os realizadores. E essas bandas passarem a fazer parte da programação e desse circuito”, pontua.

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