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Festival de Inverno

Reisado, maracatu, coco e muito frevo animam o Palco de Cultura Popular Ariano Suassuna

Entre as atrações de terça (25), destaque para o Clube de Bonecos Seu Malaquias, Patrimônio Vivo de Pernambuco

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Clube de Bonecos Seu Malaquias se apresentou pela primeira vez no FIG como Patrimônio Vivo de Pernambuco

Por Marcus Iglesias

Coco de roda, maracatu de baque solto, quadrilhas juninas, reisado e agremiações carnavalescas deram o tom da programação do Palco Cultura Popular Ariano Suassuna nesta terça-feira (25). Um dos polos mais apaixonantes do FIG, o espaço é ponto de encontro dos brincantes e amantes das mais variadas manifestações culturais do estado, palco também das apresentações dos Patrimônios Vivos de Pernambuco, como o Clube de Boneco Seu Malaquias – uma das atrações do dia.

A programação começou por volta das 11h com a Banda Papaceiros do Forró, formada por estudantes da EREM Frei Caetano Messina, de Bom Conselho, para em seguida a Banda da Polícia Militar de Pernambuco apresentar sua orquestra de frevo e marchas marciais.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Reisado e de Iati foi uma das atrações do polo neste terça (25)

Já no começo da tarde, a Quadrilha Pé na Roça, do município de São João, apresentou seu estilo tradicional com 16 pares de casais e um figurino típico das festas juninas. “Tanto essa apresentação como a da Banda Papaceiros do Forró foram realizada através de uma parceria com a Secretaria Educação de Pernambuco, que indicou algumas atrações vinculadas a escolas públicas para participar da programação”, explicou Teca Carlos, coordenadora do polo. No caso, a Quadrilha Pé na Roça é vinculada aos estudantes do EREM João Fernandes da Silva e outras escolas de São João.

“Numa parceria com a Prefeitura de Garanhuns, a gente recebeu também na programação de hoje a Quadrilha e o Reisado e de Iati, formado majoritariamente por pessoas da terceira idade daquela região”, detalha Teca Carlos. Haja fôlego entre os idosos, que se revesaram para fazer duas apresentações, uma como quadrilha junina e outra valorizando a cultura dos reisados.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Público pisou o pé com o Coco do Mestre Juarez

O sol começou a dar lugar ao céu nublado quando o Coco do Mestre Juarez botou todo mundo pra pisar o pé no chão. São mais de 40 anos dedicado ao coco de roda, numa tradição que começou com o avô do mestre. “As pessoas me perguntam como sei decorado tantas músicas. Estão todas dentro da minha cabeça, desde pequenininho. É uma delícia poder continuar esse trabalho de família com a presença de netos e bisnetos no palco comigo. Fico feliz porque sei que haverá uma continuidade do meu legado”, revela o mestre.

Figura carimbada do Palco de Cultura Popular do FIG e representando a família Salustiano, um dos nomes mais importantes da cultura popular do estado, o Maracatu Piaba de Outo, sob o comando do Mestre Dinda Salu, trouxe toda a cultura da Mata Norte de Pernambuco para Garanhuns. “É sempre maravilhoso trazer nossa culturas pra terra da garoa. Não só a gente, mas os diversos outros grupos que passaram por aqui”, opina o mestre.

Jan Ribeiro/Secult-PE

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Maracatu Piaba de Ouro foi fundado pela família do Mestre Salustiano

Outro detalhe não menos importante é que nesta terça-feira (25) foi comemorado o Dia internacional da Mulher Negra e Caribenha, uma dia de luta e de empoderamento feminino. A vendedora Jordana Soares, mais conhecida como Preta, vende há três anos um produto que tem tudo a ver com os encontros de cultura popular: Axé, a bebida alcóolica feita com ervas e conhecidíssima nas ladeiras de Olinda. “Hoje é um dia que nós mulheres negras devemos comemorar, mas também é um dia de aviso, é um dia que chamamos atenção para que haja mais políticas públicas voltadas para a mulher negra. Sabemos que ela sofre duas mais vezes preconceito na questão econômica e psicológica. O machismo não pode passar e nós devemos ser respeitadas em todos os espaços da sociedade”, opina ela sobre a data.

Preta também falou sobre o que acha do Palco Cultura Popular Ariano Suassuna, que segue revelando e dando espaço aos tesouros do estado. “Todos os dias eu venho pra cá e devo continuar vindo até o fim do festival. Pra gente é muito importante este palco. Aqui é um encontro de cultura popular e o nosso produto é voltado para esse momento, esse contato humano, olho no olho, todo mundo dançando e todo mundo feliz. Esse é um dos polos mais importantes do FIG, sem dúvidas”.

Jan Ribeiro/Secult-PE

Ainda sobre a programação, faltam 19 semanas para o Carnaval de Pernambuco, mas o Clube de Bonecos Seu Malaquias já deu uma prévia do que espera os carnavalescos no ano que vem. Com seu boneco de 40 kg, a agremiação se apresentou pela primeira vez no Festival de Inverno de Garanhuns depois de conquistar o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco.

“Pra gente foi muito positivo, e esse momento só foi possível graças à titulação como patrimônio, que é uma chancela do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do estado. É outra vertente e visão, um título que traz mais status e visibilidade para o grupo. Hoje a gente sentiu uma energia bem pra cima”, revelou o Mestre Chocho, presidente da agremiação que se apresentou com 35 brincantes, entre passistas e orquestra, sob a regência do Maestro Luiz Antônio. “Escolhemos um repertório um pouco diferente. O pessoal conhece muitos os frevos tradicionais, como Cabelo de Fogo e Vassourinhas, mas levamos ao Palco de Cultura Popular frevos não tão conhecidos como uma forma de educar o público. Foi legal porque dois músicos daqui de Garanhuns vieram conversar com a gente depois da apresentação pra perguntar sobre os frevos que eles não conheciam”, destaca o maestro.

A programação encerrou com a batucada do Bloco de Samba Anarquistas do Bole Bole, formada por sambistas do Recife, que colocou todo mundo pra sambar e fez o chão tremer com o peso dos surdos e atabaques.

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