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Festival de Inverno

Sérgio Mamberti e gestores culturais debatem políticas públicas no FIG

Encontro aconteceu durante o lançamento de um livro na Praça da Palavra e teve a presença do ator e ex-secretário do MinC, Sérgio Mamberti

Por Marcus Iglesias

Um debate rico e necessário sobre a importância das políticas culturais no Brasil aconteceu neste sábado (23) durante a programação da Praça da Palavra do FIG 2017. O encontro teve a ilustre presença do ator e ex-secretário de Políticas Culturais do MinC, Sérgio Mamberti, além de outros personagens de destaque quando o assunto é cultura, e foi realizado durante o lançamento do livro Políticas Culturais e Gestão Democrática no Brasil – uma das atividades da programação do polo de literatura do Festival de Inverno de Garanhuns.

Jan Ribeiro

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Diálogo sobre políticas culturais atraiu um bom público para a Praça da Palavra

A conversa contou com um público participativo e envolveu importantes nomes do campo cultural de Pernambuco, como o Secretário Estadual de Cultura, Marcelino Granja; a Secretária Executiva da Secult-PE, Silvana Meireles – que fez a mediação da mesa; o ex-secretário de Cultura do Recife e ex-secretário de Articulação Institucional do MinC, Roberto Peixe; e o ex-secretário da Diversidade Cultural do MinC, Américo Córdula. Além de Sérgio Mamberti, os dois últimos citados também, junto a outros 21 autores, participaram do livro Políticas Culturais e Gestão Democrática no Brasil, organizado por Albino Rubim e lançado pela Fundação Perseu Abramo – também disponível para download.

Marcelino Granja destacou a importância da realização e fiscalização das políticas públicas dando um exemplo direto com a realização da 27ª edição do FIG. “Aconteceu muita pressão e neste momento ainda está ocorrendo em função do tipo de programação e proposta que o Festival tem. É uma verdadeira luta ideológica. O que nos teríamos em função da lógica do mercado seria um FIG apenas com a Praça Mestre Dominguinhos e atrações de alto custo. É uma grande vitória política do povo quando o FIG é realizado como é, plural e democrático”.

Jan Ribeiro

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Américo Córdula, Marcelino Granja, Silvana Meireles, Sérgio Mamberti e Roberto Peixe em diálogo sobre políticas culturais no FIG

Roberto Peixe, natural de Garanhuns, deu detalhes sobre a construção dessa obra coletiva e que traz toda uma memória do processo de construção e execução das políticas culturais nos últimos 15 anos. “Esse livro surgiu da ideia de se narrar e apresentar todo o processo histórico e que gerou várias experiências político-administrativas do campo cultural dos municípios, estados e depois a nível nacional. Quando eu fui convidado para participar surgiu inicialmente para mim um grande dilema, porque eu poderia dar um enfoque tanto na experiência do Recife, como colocar outra questão que terminou prevalecendo, que foi falar sobre o Sistema Nacional de Cultura. E a minha opção de falar por esse tema é exatamente pelo entendimento da importância estratégica do SNC para as construções das políticas culturais em todos os níveis de governo”, pontuou o ex-secretário do MinC.

Na sua fala, Américo Córdula falou sobre a conexão que tem com Hermilo Borba Filho, um dos homenageados do Festival este ano e quem dá nome à Praça da Palavra. “Meu pai morou no Recife e foi convidado na década de 70 pelo Hermilo Borba Filho para trabalhar na Universidade Federal de Pernambuco, que estava fundando o Teatro Popular do Nordeste (TPN), um espaço de resistência contra a ditadura militar. O Hermilo é um grande folclorista, escreveu muito sobre as manifestações tradicionais riquíssimas desse estado. Desde pequeno eu também tenho uma conexão, assim como o Hermilo tinha, como a cultura popular, e vou falar muito neste aspecto porque foi isso que me levou ao Ministério da Cultura. Quando Gilberto Gil assumiu o MinC, o ministro fez o programa Cultura Para Todos, que viajou pelo Brasil querendo escutar o que o povo precisava. E a gente fez a proposta de realizar um seminário nacional de políticas públicas pras culturas populares”, explicou.

Jan Ribeiro

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O ator Sérgio Mamberti

Na época, o secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura era o Sérgio Mamberti. “Viajamos por todo o Brasil realizando oficinas para os mestres da cultura popular, e a gente fazia três perguntas: O que você faz? Qual a importância da sua manifestação? E o que precisa ser feito para melhorar? E a gente levou 800 mestres da cultura popular para Brasília, muitos não tinham nem andando de avião na vida. Aquele 23 de fevereiro de 2005 ficou na história. Gilberto Gil ficou muito emocionado, e o encontro resultou na Carta das Culturas Populares e no primeiro edital, lançado pelo próprio Sérgio, de fomento à cultura popular”, revelou o consultor que já ocupou o cargo de secretário da Diversidade Cultural do MinC.

Sérgio Mamberti, por sua vez, enxerga a cultura como uma forma de resistência. “Os artistas brasileiros, particularmente, sempre tiveram um projeto neste sentido desde a Inconfidência Mineira, bem como no processo abolicionista, e na recente luta democrática contra o regime militar. A classe artística sempre esteve à frente, em especial o teatro, do qual eu faço perto, e que tinha um papel de liderança fundamental neste momento. Acreditávamos sempre no papel e na função social transformadora da cultura porque as grandes transformações sociais só acontecem através de um processo democrático e cultural”.

Quando o microfone foi aberto ao público, um dos participantes do debate, Danilo Carias, representante do Movimento Dança Recife e DDDança, questionou aos presentes sobre qual seria o melhor conselho para a classe artística e cultural neste momento. Roberto Peixe pediu para responder e sugeriu que “a população precisa estar atenta aos planos de cultura que foram criados nos estados e municípios, onde essa discussão avançou e que alguns governos estão desconsiderando. Vários municípios no país, inclusive os pequenos, criaram Secretarias de Cultura, estão no processo de criação dos Fundos e, principalmente, criaram os conselhos de cultura”, declarou, sugerindo em seguida que o sociedade cobre a realização da 4ª Conferência Nacional de Cultura.

A mediadora Silvana Meireles avaliou que os estados e municípios também devem desenvolver suas ações. “A gente pode influir nessa gestão através dos Fórum de Secretários Estaduais de Cultura e do Fórum Nacional dos Secretários de Cultura das Capitais e Regiões Metropolitanas. São espaços onde permanecemos vivos”, pontuou, para em seguida dar uma boa notícia. “Para terminarmos essa conversa pra cima, vou fazer um anúncio inédito aqui. O governador Paulo Câmara vai assinar a convocatória da nossa 4ª Conferência Estadual de Cultura, e em breve iremos realizar este rico encontro com as representações da cultura do nosso estado”.

Ao término do encontro, foram distribuídos gratuitamente 30 cópias do livro lançado durante o evento, autografados sob o carinho e atenção de Sérgio Mamberti – que não poupou afagos e “raios e trovões”, uma brincadeira com um dos jargões de seu personagem infantil mais conhecido, o Dr. (ou Tio) Victor, do programa televisivo Castelo Ratimbum.

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