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Festival de Inverno

A escritora que ensina a perceber a alma das coisas

(Foto: Eric Gomes)

(Foto: Eric Gomes)

 

Luzinette Laporte, homenageada da Praça da Palavra, participou de um bate-papo hoje (20/7) e lança o livro “A menina que falava com as coisas”, na sexta-feira (26/7).

Por: Maria Peixoto

“Ao homem que, com alma de criança, na esperança caminha. À criança que percebe a alma das coisas”. A dedicatória do livro “A menina que falava com as coisas”, da homenageada da Praça da Palavra no FIG 2013, Luzinette Laporte expressa bem a que veio a autora, ela escreve para as crianças, sejam elas grandes ou pequenas, para aqueles que se abrem para o mundo e acreditam.

A escritora que foi professora grande parte de sua vida e que já iniciou muitos no mundo das letras sabe mais do que ninguém como falar aos pequenos. E como não podia ser diferente, dada sua história, a literatura também é para ela uma forma de educar o público infantil, torná-los sensíveis ao outro e à realidade que o circunda, fazer com que “aquela criança que tome o livro nas mãos comece a amar as pessoas e acreditar nos outros”, diz Luzinette. E continua, “Quando a gente acredita em alguém ou em alguma coisa, a gente se entrega de corpo e alma”.

Ela conta que “A menina que falava com as coisas é um incentivo à comunicação, pois “se a gente não se comunica, a gente fica embrutecido”. Partindo das crianças, que têm uma liberdade de significação das coisas, Luzinette quer chegar na criança que tem dentro de cada um, “Dentro da gente mora a criança que a gente é”. E é a criança que habita nela que a inspira, “Eu tenho uma menina danada aqui dentro. Dia desses eu passei na rua, senti o cheiro do jambozeiro em flor, fiquei louca”. A menina do livro fala com as pedras, com as nuvens, “para a criança não é difícil fazer isso”, diz a professora-escritora. “Ela diz tudo o que está sentindo, tem o coração aberto”.

A literatura é pra ela a oportunidade das crianças ampliarem o olhar, a imaginação, “uma pena enorme que eu tenho é das crianças de apartamento”, diz. Estimular essa criança de hoje, que diferente da época dela, não se suja de lama nem brinca na rua é “dar possibilidades pra elas de olharem pra fora”. Porém o incentivo à leitura deve partir de formas que instiguem os pequenos, diz “querer que a criança goste de ler sem provocar? Tem que provocá-las. Estimulá-las a fazerem perguntas”.

Luzinette ficou bastante agradecida pela homenagem que lhe foi prestada, “não tem dinheiro que pague o que vocês tão fazendo comigo”, falou. No auge dos seus 87 anos, que seus cabelos brancos e seu rosto plácido não escondem, a senhora que tanto gosta das pessoas ainda está firme em cativar, sensibilizar as nossas crianças.

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