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A nova ficção do cronista vagabundo, Xico Sá

Lançamento do livro “Big jato”, na Praça da Palavra (Foto: Eric Gomes)

Lançamento do livro “Big jato”, na Praça da Palavra (Foto: Eric Gomes)

Por Maria Peixoto

Ontem (20/7), na Praça da Palavra, Xico Sá participou, junto ao escritor garanhuense Nivaldo Tenório, do Café Colombo, programa semanal de rádio que faz três edições no FIG 2013. Lançando seu segundo romance, “Big jato”, o jornalista, famoso por suas crônicas esportivas e amorosas cheias de um humor picaresco, nos contou um pouco sobre a empreitada de fazer uma autobiografia ficcional.

Dividindo o debate com Nivaldo, pessimista inveterado, escritor de contos com personagens, em sua maioria “velhos decrépitos”, como ele mesmo afirma, Xico Sá contou sobre o processo de escrita autobiográfico-ficcional de seu novo livro:

“Eu me vi muito mais chorando ao longo da escrita do que rindo. E o povo só ri. Tinha uma dor na revisita, virou como um processo terapêutico, um acerto de contas com aquele período. Recontar me aliviava”.

Tanto é que ele demorou 8 anos pra finalizar a obra. Xico também diz que não se preocupou com uma fidelidade a si mesmo na autobiografia. Ela trata de “uma infância que eu gostava até mais do que a que eu vivi”, afirmou.

Outra grande dificuldade que Xico passou para escrever o livro foi justamente tentar abandonar ao máximo sua veia de cronista, que, aliás, segundo brinca, foi uma tentativa frustrada. Mas isso não quer dizer que ele despreze seu ganha pão: “a crônica é o primo pobre da literatura, o prato feito, o caldo de cana. Mas eu gosto muito dessa vagabundagem”.

Dividindo sua escrita entre as crônicas semanais no jornal e aquela por mero prazer, na qual se enquadra “Big Jato”, o autor afirma que aprecia muito mais a ficção, porém o trabalho diário como jornalista o impediu de se dedicar mais a essa vertente literária. Hoje, com mais tempo livre, ele diz que quer se “vingar dessa realidade com ficção mundo afora”.

Xico assume que o jornalismo nunca foi sua grande paixão; foi mais a necessidade que qualquer escritor passa que o levou à profissão: “a redação é um cemitério de escritor”, ironizou. Porém, também reconhece que é o seu ouvido de repórter que o ajuda a perceber as crônicas quando anda pela cidade, com aquilo que ouve na rua, na noite, em bares, nos barracos de casal. Além disso, ele encontra seus temas até mesmo no papel de conselheiro amoroso de suas amigas, como conta. Também lembra as dezenas de e-mails que recebe todos os dias de leitores contando as histórias mais escabrosas.

“Big jato”, que segundo Xico é um livro que “fala sobre a merda” (um caminhão que sai “limpando o mundo”), virará filme nas mãos do colega recifense, Cláudio Assis e está entre os finalistas do prêmio Portugal Telecom.

Depois de ter lançado a obra pela Cia das Letras, Xico sinalizou sobre o desejo de voltar às pequenas editoras, quem sabe criar uma. “A literatura ainda é muito careta em romper com as grandes editoras”, disse. E mencionou a experiência do U-carbureto, selo independente daqui de Garanhuns, do qual Nivaldo faz parte, junto com Mário Rodrigues e Hélder Herik, também entrevistados pelo Café Colombo. Os três faziam um jornal de literatura e resolveram criar o selo: “é tudo uma brincadeira gostosa”, disse Nivaldo.

Todos os programas gravados na Praça da Palavra poderão ser acessados no site do Café Colombo:http://www.cafecolombo.com.br/.

21/07/2013 | Compartilhe: Facebook Twitter

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