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A poesia toma as ruas de Garanhuns

Intervenções urbanas poéticas são assinadas por artista plástica e escritora

Com poesia e artes plásticas, duas artistas interagem com população de Garanhuns (Foto: Karina Rabinovitz/Divulgação)

Com poesia e artes plásticas, duas artistas interagem com população de Garanhuns (Foto: Karina Rabinovitz/Divulgação)

Por André Dib e Cecília Almeida

Duas intervenções urbanas poéticas tomaram conta de diferentes bairros de Garanhuns na tarde da última quarta (18/7). “Cavando poesia” provocou interação no Alto do Magano  e “Poesia atravessada” transbordou palavras em cruzamentos da cidade. Responsáveis pelo trabalho, as artistas Karina Rabinovitz (BA) e Silvana Rezende (SP) dizem que a ideia é desplanificar a poesia, ou seja, tirá-la do papel, investir não só em palavras, mas em imagens poéticas.

“Cavando poesia, amaciando pedras e perdas”. (Foto: Divulgação)

“Cavando poesia, amaciando pedras e perdas”. (Foto: Divulgação)

A partir de um trabalho de colagem e da reunião de pedras e objetos abandonados, a intervenção poética “Cavando poesia, amaciando pedras ou perdas” representa a ideia de buscar a poesia e o sonho. Num muro, a silhueta de um homem com uma pá parece tentar cavar as pedras dispostas no chão, que possuem dizeres abstratos, como “sonhos”, “fome” e “limite”.  Numa mercearia próxima ao muro, Karina e Silvana colaram o que chamam de “babadinhos de poesia”, em que o público pode retirar filipetas de papel com textos como este:

“Domingo

Contemplando [planto]

Nuvens”

Seu Severino, proprietário tanto da venda quanto do muro, liberou o uso do local mediante uma única pergunta: “o que vocês vão colocar é bonito?”. “Dissemos que sim e ele acreditou na gente”, diz Karina. Para ela, a relação com as pessoas se torna o principal produto do projeto. “O legal é aproximar a poesia das pessoas, trazer para perto, colocar na rua. É o contrário de uma exposição em galeria, onde não se pode tocar em nada. A nossa é inclusive para levar para casa, sem com isso fazer uma contravenção”.

“Poesia atravessada [na garganta da cidade]” traz poemas para  faixas de pedestre em cruzamentos próximos à Praça da Palavra, na rua Santo Antônio, no centro da cidade, e na rua Melo Peixoto. A intervenção permanecerá por alguns dias devido ao movimento dos carros e pedestres na cidade.

Para Wellington Melo, coordenador da Casa da Palavra, o projeto “é a prova cabal de que a poesia não cabe no poema”.

A seguir, os poemas impressos no asfalto de Garanhuns:

“E eu

essa rua deserta

por dentro”

(Av. Santo Antônio – Centro)

“Um pé sem chão

Acalma por ter céu

Pra caminhar” (Em frente ao Hotel Tavares Correia)

“Não estacione

Nas caretas”

(Praça da Palavra)

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