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Festival de Inverno

A simplicidade de Mário Quintana

Peça “Mário Quintana – o poeta das coisas simples” traz vida e obra de um dos autores mais importantes da literatura brasileira do século XX

“Mário Quintana – o poeta das coisas simples” (RJ), no Teatro Luiz Souto Dourado (Foto: Tiago Calazans/O Santo/Secult-PE)

“Mário Quintana – o poeta das coisas simples” (RJ), no Teatro Luiz Souto Dourado (Foto: Tiago Calazans/O Santo/Secult-PE)

Por Chico Ludermir

Nasci em Alegrete (RS) em 1906. Minha vida está nos meus poemas”, começa um Mário Quintana autobiográfico. Um, porque na peça “Mário Quintana – o poeta das coisas simples”, apresentada nesta quinta-feira (19/7) no teatro Luiz Souto Dourado, o poeta assume vários rostos e é interpretado por quatro atores, três deles mulheres.

A vida do poeta é ora representada, ora narrada, num encenação capaz de evocar a alma do escritor. Textos de entrevistas e diversas situações descobertas durante uma pesquisa profunda de Sérgio Miguel Braga, adaptador do texto –mas que também atua – são usadas como recurso. Além do personagem Quintana, que se coloca em cena, a peça, como não poderia deixar de ser é repleta de poesias recitadas e revividas tais como “aquele estranho animal” e “bilhete”.

“O poeta das coisas simples” consegue tocar a platéia justamente pelo impacto da simplicidade. Um cenário com quatro cadeiras, um figurino sóbrio cinzento. Um acordeom tocado ao vivo. O texto lembra uma conversa, tanto é que deixa espaço para o improviso e muito bom humor.

O público absorve a descontração. Ri, aplaude várias vezes durante o espetáculo. Vaia e vaia quem vaiou. Se emociona ao entrar em contato íntimo com o poeta conhecido pela frase do poema “Eles passarão, eu passarinho”, que aliás é ouvido na voz do próprio Quintana, em gravação.

“Foi uma forma de ver o poeta que eu tanto admiro”, disse Ângela Pontes. “Fiquei emocionada porque dá para sentir o amor dos atores pelo que estão encenando”. Para responder a idade, Ângela cita seu ídolo: “Idades só há duas: ou se está vivo ou morto”. Ao lado dela, a sobrinha de apenas 6 anos também já é fã. Maria flor recita inteirinho o poema “Bilhete”: “Se tu me amas, ama-me baixinho/Não o grites de cima dos telhados/Deixa em paz os passarinhos/Deixa em paz a mim!/Se me queres,enfim,tem de ser bem devagarinho, Amada,/que a vida é breve,/e o amor mais breve ainda…”

Do outro lado, o ator Sérgio Miguel estava pleno. “Já apresentamos em diversos lugares. E a recepção daqui foi fantástica. Estamos acostumados a apresentar para 60 pessoas, aqui foram 600”, conta ele, ressaltando o público que lotou o teatro.

Dança – Durante a tarde desta quinta-feira (19/7), o público também lotou as 600 cadeiras do pavilhão de dança montado no Parque Euclides Dourado para assisitir a duas apresentações. Do Grupo Acaso, do Recife, o espetáculo de dança contemporânea “Para Josefina” e do Grupo de Dança do Maracatu Nação Pernambuco”, de Olinda, a dança “Nação Dança Pernambuco.

Misturando os ritmos da terra como coco, caboclinho, afoxé e maracatu de baque solto e virado, os dançarinos populares do nação Pernambuco arrancaram aplausos da plateia composta por gente de todas as idades. Nesta sexta-feira (20/7), às 16h, serão apresentados os espetáculos “Do terreiro de Salu”, da Cia. Balançarte, de Petrolina e o Jogo Coreográfico do Acupe Grupo de Dança, do Recife.

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