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Festival de Inverno

Aprendendo direto da fonte

Crianças aprendem as pisadas do cavalo-marinho (Foto: Pri Buhr)

Crianças aprendem as pisadas do cavalo-marinho (Foto: Pri Buhr)

 

Por Maria Peixoto

Quando as crianças da Escola Municipal Ranser Alexandre Gomes, de Garanhuns iriam imaginar que teriam a oportunidade de aprender diretamente com mestres da cultura popular? As dez crianças que nunca tinham ouvido falar de cavalo-marinho passarão uma semana aprendendo a brincadeira com Mestre Grimário, do Cavalo-Marinho Boi Pintado, de Aliança.

Dividindo o tempo da oficina entre dança e estudo da história do brinquedo popular, o mestre vai propagando a cultura que aprendeu quando tinha apenas 8 anos de idade. Ele conta que foi criado com a avó e que ela foi trabalhar no sítio Chã de Camarã. Lá, ele conheceu Mestre Batista, que lhe tinha como filho. O mestre lhe ensinou o ofício, tanto que, quando ele morreu, deixou Grimário, que na época tinha só 24 anos, no seu lugar. “Todo mundo se espantava, porque eu era muito novo”, diz. Em 1993, ele criou o seu próprio cavalo-marinho, o Boi Pintado. “Eu nem sonhava com esse nome de ‘mestre’. O meu pensamento era brincar, fazer o que eu gostava”, afirma.

Hoje, o mestre tem no cavalo-marinho o sentido de sua existência, “se tirar o cavalo-marinho de mim é como torar os meus dois braços, minhas pernas, minha língua. Eu nasci no cavalo-marinho, me criei nele e cada vez mais eu num paro de aprender”, conta.

Mestre Grimário (Foto: Pri Buhr)

Mestre Grimário (Foto: Pri Buhr)

Pela quarta vez, Mestre Grimário realiza oficina no FIG. Desta vez, ele decidiu abordar o personagem do vaqueiro, aquele que conta a história do Sertão. O mestre lê junto aos alunos as loas de sua própria autoria, misturadas às tradicionais: “A chuva traz tanta riqueza/Que vejo o mato fulorá/Fulora o cadeiro/Enverdece o juá/Ninguém vê mais tristeza/Tem arrôi, milho, feijão/Nunca mais falta comida na mesa do sertanejo”.

Depois, fazem um círculo e começam a dançar, um chamando o outro. “Tem que olhar no olho”, diz Andala Quituche, assistente de Grimário na oficina. “O problema deles aqui é que eles nunca viram um cavalo-marinho. Quando começa a dançar, eles se animam”, diz o mestre.

Com 47 anos de idade e 39 de cavalo-marinho, a felicidade de Grimário é de perpetuar a brincadeira: “ensinando a eles vai ficar na memória. E quando eu for pro outro mundo, eu vou ver eles dizerem que aprenderam com Mestre Grimário”, conta, emocionado.

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