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Festival de Inverno

“Canteiro de Obra” abre programação de dança do FIG

Na programação de teatro, “Prisão da Minha Vida” se apresentou e contou com audiodescrição e libras

Por Diego Gouveia

Após o encerramento da programação de peças infantis no domingo (15/7), o Espaço da Dança e do Teatro para Infância e Juventude, localizado no Parque Euclides Dourado, recebe até o último sábado (21/7) do 22º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG)  companhias de dança de várias regiões do Brasil. Na segunda-feira (16/7), apresentaram-se as companhias Brasílica (São Paulo) e Gira Dança (Rio Grande do Norte).

Com o espetáculo “Canteiro de obras”, a companhia Brasílica convidou a plateia a pensar sobre a condição humana a partir da rotina de um operário da construção civil. No palco, elementos faziam referência ao trabalho em obras. Pás, martelos e trenas funcionavam como cenário e também como instrumentos musicais. Vestidos como operários, os músicos Theo de Blasi (guitarra) e George Costa (percussão) realizaram arranjos inesperados.

A experimentação sonora foi a marca da apresentação. A música e elementos da dança contemporânea e pernambucana se somaram à performance do bailarino pernambucano Deca Madureira que conseguiu contar um pouco a história da migração nordestina e o trabalho dessas pessoas nos grandes centros urbanos.

O dançarino, que também canta e toca, propôs reflexões sobre as características sociais, culturais e políticas que formam a cidade de São Paulo. Tudo com um olhar crítico de um nordestino atento às transformações da sociedade e à realidade dos homens. “Foram dois anos de pesquisas, entrevistas até chegar à montagem. Estamos muito felizes com o resultado”, descreve.

Espetáculo O Jardim das Rosas Amarelas, com áudio-descrição e Libras. (Foto: Tiago Calazans/Secult-PE)

Espetáculo O Jardim das Rosas Amarelas, com áudio-descrição e Libras. (Foto: Tiago Calazans/Secult-PE)

A Companhia Gira Dança de Natal apresentou o espetáculo “O Jardim das Rosas Amarelas”, sobre um tema difícil. Com a pergunta “é possível construir um outro mundo?”, os bailarinos lançam esperança em relação à capacidade humana de criar. No palco, seis bailarinos, sendo três portadores de necessidades especiais (um com deficiência visual, um portador da Síndrome de Down e um usuário de cadeira de rodas). Na plateia, pessoas com deficiência visual, locomotiva e auditiva puderam acompanhar o espetáculo.

Neste ano, o FIG terá nove espetáculos com audiodescrição, rampas de acesso e libras. Dona Marluce de Souza, 59 anos, perdeu a visão há quatro anos. Ela nunca tinha vindo ao teatro. Na sua estreia, descobriu muitas surpresas. “Posso não ter mais um sentido, mas os outros quatro entraram em ação. Foi uma experiência muito boa. Aprendi bastante a utilizar outras linguagens”, disse.

“O Jardim das Rosas Amarelas” começou mostrando a dificuldade de se perceber fazendo parte de grupos tidos como minorias, como as pessoas que não podem andar, não podem enxergar, ou os negros, vítimas de racismo. À medida que o enredo avança, os personagens passam a se aceitar. Se depender da aposentada Maria do Carmo, 56 anos, moradora de Garanhuns, o recado foi captado. Para ela, a dança já cumpre esse papel. “Só por levantar essa ideia de inclusão social, aceitação, e incentivar o debate, a arte já fez sua parte. Sempre quis ser dançarina. Aqui, projeto um pouco do meu sonho. Assistir aos espetáculos desses excelentes grupos me completa. Um pouquinho de mim está ali no palco. A dança, na verdade, projeta nossas angústias, aflições e alegrias por meio de uma linguagem corporal ímpar”, avalia.

Amanhã (17/7), o público poderá conferir o espetáculo Confetes & Serpentinas e Estéreos a partir das 16h. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente na bilheteria do Espaço da Dança e do Teatro para Infância e Juventude sempre das 9h ao meio-dia. A quantidade de ingressos está sujeita à disponibilidade do espaço.

TEATRO – O público continua fiel à programação de teatro do Luiz Souto Dourado. Nesta segunda-feira (16/7), a Companhia Teatral Carcará, do município de Garanhuns, subiu ao palco com “Prisão da minha vida”, que retratou a vida de dois presidiários. Na trama, os personagens de Germano e Fernando, representados por Anderson Jaime e William Joel, falam sobre as angústias da vida. Com texto de Marcos Freitas e direção de Wando Pereira, a encenação também falou sobre inclusão social. A reinserção social de detentos e a homossexualidade foram temas abordados. A peça também contou com audiodescrição e libras.

Amanhã, às 19h, é a vez do espetáculo “O circo dos objetos”. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente na bilheteria do Teatro Luiz Dourado das 9h às 12h e das 14h às 17h. A quantidade de ingressos está sujeita à disponibilidade do espaço.

Prisão da Minha Vida (Foto: Marcelo Soares/Secult-PE)

Prisão da Minha Vida (Foto: Marcelo Soares/Secult-PE)

Dança (terça-feira, 17/7)

16h – Confetes & Serpentinas e Estéreos Tipos

Teatro (terça-feira, 17/7)

19h – O Circo dos Objetos

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