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Festival de Inverno

Cultura hip hop nas ruas e no palco do FIG

A programação de dança da terça-feira (17/7), contou com oficinas, rodas e espetáculo sobre o hip hop

Bairro do Magano recebe oficina de hip hop (Foto: Beto Figueiroa/Secult-PE)

Bairro do Magano recebe oficina de hip hop (Foto: Beto Figueiroa/Secult-PE)

Por Diego Gouveia

A Escola Monsenhor Tarcísio Falcão, no bairro de Magano, recebeu na manhã da terça-feira (17/7), dentro da programação do 22º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), jovens da Associação Metropolitana do Hip Hop do Recife para uma roda de diálogo com estudantes e moradores da comunidade. O encontro abriu as atividades do dia voltadas para a cultura hip hop. Houve também oficina, roda de break e espetáculo de dança.

As discussões na escola giraram em torno da importância do hip hop na promoção da autoestima dos jovens, a sociabilidade que essa cultura gerou desde sua formação, por volta dos anos 70, e como a juventude pode se reconhecer politicamente. A estudante Tegla Hortência, de 17 anos, veio do Ibura, Recife, para participar da programação. “Aprendi muito com as discussões. Enfrentamos muita resistência e esses debates fortalecem nossas ideias”, descreveu.

O arte-educador e antropólogo Paulo Azevedo coordenou a oficina “Movimentos que hipam x movimentos que hopam = y” também no bairro do Magano. Nela, os jovens aprenderam técnicas de construção corporal a partir dos movimentos do hip hop. A relação sobre o uso do corpo e do espaço contribuiu ainda mais para a formação de Tegla. “Conheci outra visão da dança. O conceito de flexibilidade e sua aplicação ao nosso estilo de dança nos fez pensar bastante sobre os passos que realizamos. Amanhã, teremos mais um dia de curso”, disse.

À tarde, uma roda de break foi montada no Parque Euclides Dourado. Lá, jovens da associação recifense e moradores de Garanhuns puderam mostrar um pouco do talento de cada um, além de trocar conhecimentos. Nas apresentações, Tegla apostou na mistura do toprock, footwork, drop e freezer, numa performance conhecida como style.

Complementando a programação, foram montados espetáculos no Espaço da Dança e do Teatro para a Infância e Juventude. A receita para fazer hip hop é bastante simples. “Junte um punhado de dançarinos, vista roupas maneiras, não perca a batida da música, mostre corpos sarados, dance de maneira ousada, convide uma mulher bonita”, explica o ator e diretor Renato Cruz durante o espetáculo de hip hop “Estéreo Tipos”. As frases espantam a plateia, mas, com o desenrolar da trama, fica claro que, na verdade não existe um jeito único e correto de se fazer hip hop.

“Existe um formato, mas nossa ideia é mostrar que não existe apenas os estereótipos do machismo, da mulher como objeto, das roupas caras, que permeiam o imaginário sobre nosso estilo de dança. A gente quer romper um pouco essa ideia e desmistificar isso”, esclarece o diretor.

Na apresentação, cinco dançarinos dão depoimentos que parecem ser testemunhos, mas que, posteriormente, revelam-se comuns a várias pessoas e, ao som de música clássica, fazem os principais movimentos do hip hop. Eles realizam coreografias com gestos lentos, utilizam muitas caretas para mostrar os esforços dos bailarinos e, como não poderia deixar de ser, exploram simulações de rodas de break.

O discurso contrário ao hip hop dos homens ricos, das mulheres submissas, da exposição de corpos é revelado nas falas dos bailarinos, que falam sobre homossexualidade no hip hop, aceitação dos negros, mistura de influências. Um exemplo de como lidar com as diferenças.

Antes da apresentação hip hop, que fechou a programação da terça (7/7) do hip hop, Confetes & Serpentinas, do Grupo de Dança da escola de Frevo do Recife, levou 11 bailarinos ao palco. A encenação os principais movimentos do frevo, como a tesoura, o saci-pererê, os saltos, para contar o romance entre confete e serpentina. A coreografia foi montada por José Valdomiro e a direção é da apresentação é e Ana Miranda.
Nesta quarta-feira, a Escola Monsenhor Tarcísio Falcão tem mais um dia de atividades:

Dança (quarta-feira, 18/7)

9h às 12h – Oficina com Paulo Azevedo

14h às 16h – Roda de Break

E o Espaço da Dança e do Teatro no Euclides Dourado recebe:

Dança (terça-feira, 18/7)

16h30 – Respeitável Público e Ballet: A Arte do Movimento

Os ingressos para o teatro no Euclides Dourado devem ser retirados gratuitamente na bilheteria do Espaço da Dança e do Teatro das 14h às 16h. Os ingressos estão sujeitos à disponibilidade de assentos.

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