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Festival de Inverno

De Garanhuns rumo a Mediterrâneo

Natural de Garanhuns, Gaiamálgama passeia pelas tradições étnicas de várias partes do mundo, em um trabalho de pesquisa profundo e sensível.

(Foto: Renata Pires)

(Foto: Renata Pires)

por Leonardo Vila Nova

Tudo começou com um sopro. O sopro de existência da Mãe Terra, que dá de comer a todos os seres viventes. Desse sopro, fez-se a inspiração para que os diversos povos, filhos de Gaya, espalhados por todo o Planeta, cantassem em sua reverência. Reunidos em torno de cânticos que entoam misticismo e beleza, uma palavra sintetiza os saberes ancestrais, ditos e revividos através dos tempos: Gaiamálgama. E em torno desse nome, um grupo nascido em Garanhuns, mas que nunca se limitou às fronteiras geográficas e temporais, partiu em busca de desvendar o mundo ao redor. Eles e toda a diversidade de sons que a Mãe Terra nos presenteou estavam presentes no Palco Guadalajara, na primeira noite do FIG, nesta quinta (18/7), num show que se traduz em um misto de contemplação e curiosidade.

O Gaimálgama surgiu em 2006, fruto de uma pesquisa intensa, da forte carga de influência que as músicas do mundo exercem sobre nós. A universalidade e a ancestralidade estão presentes num trabalho muito bem cuidado e apurado, onde não só a músicas, mas também as roupas, o cenário e os gestos compõem todo um mosaico étnico que chama a atenção de quem vê. Etimologicamente, o nome Gaiamálgama cai como uma luva para a proposta do grupo: Gaia, a Mãe Terra; e Amálgama, que simboliza a mistura de vários elementos. “A soma das diversas buscas que cada um nós se propunha a fazer dentro desse universo histórico, espiritual, acabou nos aproximando, e principalmente esse gosto comum pelas coisas do mundo“, conta Diorges Albuquerque, um dos cantores do grupo, que encarna uma figura andrógina no palco.

Foto: Renata Pires/Secult-PE

Foto: Renata Pires/Secult-PE

“Rumo ao Mediterrâneo” é o nome do novo espetáculo que eles estão criando para lançar em março de 2014. Os mares e todos os seus tons de azul e verde são explorados pelo grupo, que, em sua nova incursão cultural, se propõe a “levar os presságios do Oriente” a todos os povos. Esse cuidado em agregar diversas culturas se reflete nas canções executadas pelo grupo. São diversas línguas: dialetos persas que hoje já não existem, judeu sefardita, dialetos africanos de Angola, nuances textuais egípcias, hindu. E, em meio a essa imensa Babel (onde, sim, todos se compreendem perfeitamente), o “edrânico”, espécie de dialeto desenvolvido pelo próprio Gaiamálgama para dar o suporte textual às melodias das canções compostas pelo grupo, que dividem espaço com músicas tradicionais folclóricas de etnias diversas.

Em cena, o Gaiamálgama produz um misto de admiração e estranhamento. “Sabe quando você está durante toda a sua vida aprisionado dentro de uma caverna escura e, de repente, quando sai, se depara com a luz do lado de fora e fecha os olhos? Ou você se assusta ou você se encanta com a luz do Sol“, explicou Diorges para exemplificar as primeiras impressões que o grupo desperta no público. E passeando desenvolto por essas controversas reações, o Gaimálgama continua mergulhando de corpo e alma por esses mares pouco explorados, ofertando ao público essas experiências únicas, como, de forma sensível e profunda, sentir o sopro da Mãe Terra habitando tudo ao redor.

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