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Festival de Inverno

Declarações de amor à música brasileira

Trio 363 rendeu homenagem a Moacir Santos (Foto:Edmar Melo/Secult-PE)

Trio 363 rendeu homenagem a Moacir Santos (Foto:Edmar Melo/Secult-PE)

Homenagens a Pixinguinha e aos maestros pernambucanos Moacir Santos e Severino Araújo marcaram o Palco Instrumental desta sexta (20/7). Os responsáveis foram o Trio 363, Ademir Araújo e Henrique Annes, que, cada um à sua maneira, fizeram declarações de amor à tradicional música brasileira.

Surgido em 2009, o Trio 363 foi uma das principais atrações do Palco Instrumental do 22 FIG. O grupo formado por Andréa Ernest, Paulo Braga e Marcos Suzano trouxe a Garanhuns uma homenagem ao maestro pernambucano Moacir Santos, um dos mais importantes e renomados músicos do mundo. Parte do repertório  foi de composições inéditas de Santos, como “Love go down”, criada nos anos 1970, quando vivia na Califórnia.

“Moacir é o maestro mais importante para qualquer percussionista”, diz Marcos Suzano. Em entrevista antes do show, ele disse que o desprendimento de estilos é um dos pontos de aproximação entre ele e o mestre. “Ele criou ritmos sem se importar com estilos, mas com o resultado. Talvez por isso ele tenha sido aceito mundialmente. Por mais que sua base seja a música brasileira ele criou células rítmicas em que buscava o “mojo”, a sensação, o sentimento. Por isso ele conseguiu imprimir sua assinatura a agrupamentos simples de notas. Ele é um híbrido, talvez por isso tenha chegado tão longe. Os músicos americanos viram nele o elemento que faltava nas grandes orquestras”.

A flautista Andréa Ernst se interessou tanto por Moacir Santos que desenvolveu uma tese de doutorado sobre o músico. No mês que vem, ela lançará o material em formato de livro biográfico, intitulado “Moacir Santos ou os caminhos de um músico brasileiro” (Editora Verbena Francis). Para tanto, ela refez a trajetória do artista, do sertão pernambucano onde nasceu aos Estados Unidos, onde morreu em 7 de julho de 2006.

Andréia conta que outro projeto que vem trabalhando com Paulo e Suzano é a produção do Festival Moacir Santos, que será realizado no Rio de Janeiro . “Queremos convidar músicos brasileiros e norte-americanos que foram contemporâneos ou influenciados por ele, como a Clare Fish Band e Marc Levine, um dos grandes expoentes da teoria do jazz”.

Pixinguinha – A orquestra de Ademir Araújo, também conhecido como Maestro Formiga, fez dupla homenagem , uma para o gênio Pixinguinha e outra para Severino Araújo, fundador da Orquestra Tabajara. Na regência de Formiga, frevo e choro se uniram na mesma peça musical, gerando um inebriante efeito de beleza e alegria.

Completando nada menos do que 50 anos de carreira, Henrique Annes fez um show com valsas, choros, frevos e outras vertentes e gêneros nacionais, entre as composições que interpretou estão Carinhoso e Berimbau.

Pela oitava vez no FIG, a banda Kleber Blues Band abriu a programação com um repertório de blues elétrico em tributo aos clássicos do gênero. Natural de Garanhuns, Kleber morou no Recife por uma década  enquanto estudante, época em que tocava em bares e descobriu a paixão pelo blues. “Ouvindo o blues, percebi que o mesmo sentimento une o sertanejo nordestino e os negros das plantações de algodão dos Estados Unidos. Acredito que com arte e educação podemos mudar essa realidade”, disse o músico.

Virtuosi – Na Igreja de Santo Antônio, o 8º Virtuosi na Serra deu continuidade a sua programação com apresentação do Coro de Câmara Campina Grande, regido pelo maestro Vladimir Silva. A performance vocal e rítmica do grupo emocionou o público, assim como a ideia de realizar concertos na igreja.

“A acústica é muito boa, o projeto é lindo”, disse Sheila Brito, de Juazeiro do Norte, Ceará. Ela passava por acaso pela igreja quando percebeu que havia um concerto. Encerrando a noite, Daniel Guedes & Marcos Ullôa apresentaram o concerto “O violão e o violino na música brasileira”. O Virtuosi na Serra fecha sua programação neste sábado (20/7), com o Duo de piano Gastezzi-Bezerra.  Já o Palco Instrumental encerra a programação do 22º FIG com Cláudio Lins, Camerata Brasileira, Luíz Brasil e Banda e Roger Canal.

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