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Festival de Inverno

Desapegado das caretices do mundo

por Leonardo Vila Nova

Nos últimos dois meses, o músico Juvenil Silva vem sendo uma das figuras mais comentadas do cenário musical local. Após ser matéria do caderno de cultura do jornal O Globo (RJ), sua imagem e seu trabalho passaram a alimentar a imprensa pernambucana quase que diariamente. No entanto, sua trajetória musical é bem mais antiga. Foi guitarrista da banda Canivetes e, atualmente, baixista e principal compositor da Dunas do Barato. No início do ano, lançou seu primeiro álbum solo, “Desapego”. Daí veio o “boom”! E com ele, as inúmeras matérias que citam o artista como principal articulador da chamada Cena Beto, do qual fazem parte diversos artistas independentes. Para realmente mostrar a que veio, Juvenil Silva se apresentará no último dia do FIG 2013 (sábado, 27 de julho), às 19h10, no Palco Pop (Parque Euclides Dourado). Em entrevista para o #fig2013.com, ele fala um pouco da sua música – recheada de rock’n’roll, folk e tropicalismo – , do atual momento de visibilidade na mídia e o que ele está preparando para o show deste fim de semana, em Garanhuns.

#fig2013.com | Você já vem na estrada musical há um bom tempo, participando de bandas como Canivetes e Dunas do Barato. No início do ano, lançou seu primeiro álbum solo, “Desapego”, que só veio a ganhar notoriedade alguns meses depois, com a publicação de uma matéria no jornal O Globo (RJ). Isso despertou o interesse da mídia/ imprensa pernambucana, que, recentemente, vem dando muito destaque ao teu trabalho e te classificando como artista de uma “nova” cena. Como você avalia esse momento de superexposição na mídia e por que você acha que só agora ela começa a prestar mais atenção no teu trabalho?

#juvenil silva | Normal. Só agora, neste ano, que entrei no “vamo ver” do primeiro álbum. Mesmo com esse lance de vir de um tempo atrás como compositor, guitarrista e baixista, não era o meu que tava na reta, era o da banda. No começo desse ano, botei pra fora esse disco com canções pessoais que estavam engavetadas, assim como outras tantas que ainda estão, com o intuito inicial de registrar e a mera pretensão de o que pintar, pintou. Mídias como sites e jornais estão dando uma boa atenção, sim… massa, acho válido e sinto certa sinceridade em algumas matérias. Agora, toda essa atenção realmente começou depois da famosa matéria do Desbunde Recifense no qual fui capa e destaque do jornal O Globo, como você observou na pergunta. Será, talvez, que haveria toda essa atenção se essa matéria do O Globo não rolasse? Sei lá, né?

#fig2013.com | Frequentemente, você é citado como líder e mentor de uma nova cena musical, chamada “Cena Beto”, que reúne músicos, compositores e cantores(as) que compartilham de afinidades musicais e pessoais (apesar de esteticamente diversos entre si). Há, realmente, uma “nova cena”? O que vem a ser a Cena Beto?

#juvenil silva | De novo esse papo! Hehehehe… Bem, líder manda, dá ordens… Eu não mando nem em mim mesmo. Tanto não tem líder que o pessoal acabou inventando um que nem existe: o Beto! Mas gosto de instigar, sim! Mentor me soa ainda mais escroto, lembro-me do amigo do He-Man, o pai da Tila, eu acho… Sobre a Cena, seja lá o nome comportamental que queiram chamar, existe sim, é fato. Estamos nos organizando e muita coisa vem sendo fruto disso. Muita coisa boa ainda está por vir. Vamos em frente, vamos seguir compondo, tocando, produzindo, filmando, gravando, desenhando e o escambau. Assim como fazemos há uns dez anos, tá aí o Desbunde Elétrico no ano sete pra provar que num é pala.

#fig2013.com | O seu disco, “Desapego”, foi gravado de forma totalmente independente, com gravações caseiras, no esquema “do it yourself”, e vem rendendo bons frutos. Comente um pouco como foi esse processo de concepção do disco.

#juvenil silva | O ponto de partida foi quando o estúdio Take-8 fez uma promoção de inauguração de 50% de desconto. Achei que dava pro meu humilde bolso, pois ficaria 60 conto pra gravar 4 horas. Escolhi algumas canções mais fáceis e legais e tive apenas dois ensaios com o baterista Gil, da Dunas do Barato. Ele pegou rápido, gravou tudo em menos de 4 horas, depois fomos para casa dele e eu gravei as bases, fiz uns arranjos de improviso, convidei alguns amigos monstros, gênios para darem uma improvisada também. Logo minha ideia se fixou nisso: todos, assim como o baterista e eu, que gravei o disco sem muito tempo pra pensar, deveriam fazer o mesmo, gravar sem ensaiar, trabalhar com o subconsciente, o que chamo intimamente de “se por numa roubada”. Depois, fui para casa de outro amigo, o Adriano Leão (Altovolts/ The Trumps). Lá, eu gravei as vozes na mesma vibe, de primeira e sem dar muitos ouvidos à razão (afinal, razão é coisa de Vina). Após tudo captado e mixado, fizemos um master com fita de rolo que comprei nas Oropa pela internet e, jaz!, ficou pronto. O bacana que o segundo disco, no qual já começamos a pré-produção, vai ser o contrário em relação a esse conceito do desapego, de cuidado, paranoias de arranjos e outras noias musicais.

#fig2013.com | Ao ouvir Juvenil Silva, é possível fazer uma associação imediata à sonoridade dos anos de 1960 e 1970, com as influências do rock’n’roll e do folk, por exemplo. E esse período da música vem despertando um interesse cada vez maior do público jovem. Você, quando jovem, também bebeu dessa fonte. É possível, ainda hoje (30, 40 anos depois) seguir essa cartilha e ainda assim se manter atual e igualmente interessante ao que se fazia naquela época?

#juvenil silva | Em primeiro lugar, eu sou jovem e ainda bebo dessa fonte! E sim, tenho muita influência principalmente desse período, entre 1965 e 1975, levo Arthur Lee, Dylan, Os irmãos Baptistas, entre outros que moram no meu peito… Quanto ao “se manter atual”, sim, é possível dialogar legal com um público contemporâneo ou não, através da sinceridade que exponho, através dos ritmos alucinantes que proponho em meus shows e da simplicidade como isso tudo é feito. Meu som é do povão, pra o povão!

#fig2013.com | A Cena Beto – da qual participam também D’Mingus, Dunas do Barato, Matheus Mota, Jean Nicholas, Graxa, Aninha Martins, German Ra, entre outros – funciona como uma espécie de “tribo colaborativa”, onde todos participam dos trabalhos uns dos outros. Muito mais do que a “novidade” como ela vem sendo tratada, o modus operandi da Cena Beto tem sido pouco falado. Até que ponto você acredita que esse espírito cooperativo entre vocês ajuda a potencializar o trabalho de cada um?

#juvenil silva | O que coopera ajuda. Até o ponto de gravarmos discos na casa de D’Mingus, dele e muitos outros ensaiarem na minha casa, de nêgo fazer o material gráfico do outro (foto de divulgação e capas de disco), de organizar shows juntos, dividindo tarefas e por aí vai…

#fig2013.com | E como está a expectativa para o show no FIG 2013?

#juvenil silva | Sem tempo para expectativas, é ensaio quase todo dia… Mas sinto que será um show, uma noite super total, altamente coracional! Sem falar que antes do meu vai ter o Show de D’Mingus e a Fantástica Orquestra Kazoo, do qual sou fã e que já vai dá um up na vibe geral!

#fig2013.com | O show, além do repertório do “Desapego”, traz outras novidades? O que você está preparando para o público do FIG?

#juvenil silva | Músicas do “Desapego”, duas novas e duas da fase áurea da Canivetes. Outra novidade é que a Natália Meira, que canta na Dunas do Barato, pela primeira vez vai fazer uma participação numa música muito especial no meu show… Terão outras participações e novidades das quais não quero falar mais pra não estragar as surpresas. Venham sacar!

#fig2013.com | Além do show, você está lançando o clipe da música “Desapego”. Qual foi a ideia do clipe e qual tua relação com o audiovisual?

#juvenil silva | Será exibido pela primeira vez no espaço criativo do FIG pelo diretor Jean Santos, daVicioclipes. A ideia do clipe vem dele, aí você vai ter que perguntar pra ele qual foi a viagem. Sem falar que ainda não assisti o clipe editado… Mas posso assegurar que as imagens estão realmente belas e fortes. Minha relação com o audiovisual é total, pois trampo numa produtora de fotografia e vídeos, e sou muito louco por cinema. Não assisto mais tevê, morguei, vendi a minha, mas não há uma noite em que eu não veja um filme antes de adormecer. É daí também que me vêm coisas na cuca pra fazer meu som. Som normal, igual você e eu.

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