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Encontro Internacional de Literatura Cartoneira

Crianças assistem a “Pindorama…” (Foto: Pri Buhr)

Crianças assistem a “Pindorama…” (Foto: Pri Buhr)

Por Leidson Ferraz

– É uma coisa de show!

– É circo de palhaço!

– É história para contar!

Criança tem cada definição estranha para o teatro… Mas mesmo que não saiba explicar o que é essa arte – que pode, sim, ter música ao vivo (sendo um “show”), ter palhaço ou outras personagens e, claro, uma boa história para contar –, todas são unânimes em dizer: teatro é bom e elas querem ver. Basta acompanhar a enorme fila que se forma a cada apresentação no Pavilhão do Teatro Para a Infância no FIG, no Parque Euclides Dourado. Na última quarta (24/7), a peça encenada foi “Pindorama, caravela e malungo”, do Grupo Quadro de Cena, do Recife, sob direção de Alexsandro Souto Maior, com a criançada assistindo bem pertinho dos atores.

Pouco importava se sabiam o nome da peça ou o que os atores iriam viver no palco. Todos estavam ansiosos para conferir o teatro, que, como bem definiu o tímido Mateus de Oliveira, de apenas 4 anos, “é para ver pessoas representando”, exibindo um entendimento incrível. Uma das turminhas mais animadas era a formada por um verdadeiro “Clube da Luluzinha”, com Letícia (n°. 1), Letícia (n°. 2), Ana Clara, Beatriz e Rayssa, de 6 a 11 anos, todas irmãs ou primas acompanhadas do médico Paulo Edvaldo; sua esposa, a enfermeira Emília Santiago; e da amiga e também enfermeira Alcina Curvelo. “A gente tenta aproveitar ao máximo a programação para crianças no FIG, porque aqui em Garanhuns, são raras essas oportunidades. Quase todas nossas meninas fazem balé, mas a gente sente falta de outro lugar de diversão para levá-las”, disse Emília, enquanto as garotas deliciavam-se com algodão doce, prontas para ver teatro, “que é ao vivo e a gente vê bem de perto”, definiu uma delas.

Próximo dali, Jaciane de Oliveira, estudante, e o marido, Fernando Anderson, propagandista, também estavam ansiosos para conferir a peça daquela tarde, a primeira que veriam neste ano no FIG, acompanhados das filhas Eliana Rebeca, de 6 anos, e Fernanda Lyana, de 9 anos. “Somos de Caruaru, estamos morando há dois anos em Garanhuns e praticamente não vemos propaganda alguma de peça infantil nesta cidade. Só adulta. Se tivesse mais oportunidade, iríamos com certeza”, criticou Fernando. Para a pequena Eliana, aquela seria a primeira experiência dela no teatro que, segundo a ideia que fazia, tinha “muito boneco”. A mãe explicou que essa era a influência da TV, que apresentava um teatrinho assim. Dentro do Pavilhão, Eliana e todas as outras crianças depararam-se não com bonecos, mas com atores de carne e osso que, com a entrada do público, já se aqueciam para o que viria, brincando em contato direto com a plateia.

“Pindorama, caravela e malungo” aposta no faz-de-conta. Com os atores Thomás Aquino, Milena Marques, Andreza Nóbrega e Tatto Medinni, aos poucos a peça vai ganhando intimidade com o público, a começar da inserção da música executada ao vivo que, bem no início, já pede a participação de alguns espectadores, citando seus nomes. E a partir das mãos dos quatro intérpretes, histórias vão sendo narradas, todas para tratar do Brasil pelo viés de lendas ou contos africanos, portugueses e indígenas. Pra isso, objetos simples são transformados o tempo todo, tudo na ideia do “fazer de conta”.

Assim, pandeiro vira lua, corpo de gente vira árvore e meia é alimento. A montagem baseia-se no ato de contar/ narrar histórias fantasiosas, evidenciando a palavra e a brincadeira com a imaginação, tocando até mesmo em temas importantes como a escravidão (no melhor momento da peça, a partir da brincadeira “Seu Rei Mandou…”, numa metáfora bem inteligente que mostra não haver graça nenhuma mandar em alguém), e o contato do branco com o índio nativo. Mas tudo com muita ludicidade. São as variantes de um possível primeiro Brasil para a criança perceber através do teatro, já que todas gostam tanto de “brincar” assim.

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