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Festival de Inverno

Entidades do rock “baixaram” no Palco Pop

A banda Ex-Exus se apresentou no FIG 2013, lançando o seu novo disco, “Xô!”

Ex-Exus usam e abusam da irreverência (Foto Renata Pires)

Ex-Exus usam e abusam da irreverência (Foto Renata Pires)

por Leonardo Vila Nova

Dentro do candomblé, Exu é o deus mensageiro. Ligado ao campo da comunicação, é aquele que leva e traz notícias, informa. Um análogo a Hermes, na Grécia; ou Mercúrio, em Roma. Os Ex-Exus, banda recifense, querem comunicar, dizer algo. A estética da violência – tendo o rock pesado como forma de expressão musical – é o caminho mais adequado para que eles gritem, urrem. Os rostos escondidos por trás das pinturas denota que são personagens que estão ali. Ex-Exus, prontos para trazer irreverência ácida, iconoclastia e uma dor de barriga moral nada delicada. A banda foi uma das atrações da terça (23/7), no Palco Pop (Parque Euclides Dourado), quando fez o primeiro show, após o lançamento do seu primeiro álbum, “Xô!”, na web, no último fim de semana.

O início da apresentação foi como não poderia deixar de ser: irreverente. Enquanto a voz do Google foi programada para explicar o que significa “exu”, os quatro seres adentravam ao palco, com cartazes escritos: “Aplausos”, “Vaias”, entre outras “singelezas”. E tome rock’n’roll, sem medos nem economias. Os Ex-Exus “baixaram” no palco, prontos para se expressar – não que isso signifique ser compreendido. Afinal, desconstruir esteticamente o que as pessoas estão acostumadas a achar belo nem sempre é encarado de forma tranquila. “Nós não queremos meter medo em ninguém. Óbvio que o nosso som tem algo de agressivo, violento, mas o que nós queremos, na verdade, é que as pessoas cheguem junto, se aproximem”, disse Ricardo Maia Jr., vocalista da banda.

A tal estética da violência remete ao início da formação da banda. “Nós vínhamos acompanhando a cena de rock e houve uma época em que os indies dominavam o mercado. Aquelas criaturas bonitinhas, fofinhas. A gente estava cansado disso e resolvemos partir pra algo mais feio mesmo, violento, que, de certa forma, fosse estranho”, explicou Ricardo. Para isso, os Ex-Exus tocam ou de rostos pintados ou mascarados. Outro ingrediente que faz parte da formação da banda é a irreverência, o humor ácido. “A gente gosta de tirar onda com tudo!”, soltou. O “escracho” fez parte da apresentação da banda, que, entre outras canções, tocou “Para Ivete cantar”, que está no disco novo, o “Xô!”. A música é uma alusão ao axé/frevo e retrata aqueles que, com o verão lá fora, chamando para viver, ficam trancafiados dentro de um apartamento, curtindo uma “deprê”. “Essa música, eu tenho certeza que, um dia, a Ivete Sangalo vai gravar, vai ser um sucesso nacional e os Ex-Exus irão virar celebridades”, brincou Ricardo.

O repertório do show girou em torno do novo disco e de músicas dos dois EPs do grupo: “Terroristas freelancers” e “Pau! Brazil”. Não era uma banda de rock comum que estava em palco. As performances e o visual são um quê a mais na forma que esses seres utilizam para transmitir seu recado. “A gente aprendeu a fazer nossas coisas. Vivemos uma geração em que as plataformas digitais facilitam muitas coisas. E aí, se ninguém faz por você, você tem que fazer”, disse Ricardo, ao falar da multifacetada banda, que produz seus discos, vídeos e dissemina ideias por iniciativa própria. Batizados por Caetano Veloso, dada a pedra cantada pelo poeta Jomard Muniz de Britto, os Ex-Exus vieram para fazer música agressivamente poética, pronta a comunicar a todos os terreiros caminhos possíveis dentro do universo da música. “Não se acanhem”, dizia uma das frases do início do show. É preciso coragem e desprendimento para assumir uma persona tão controversa, como Exu.

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