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Festival de Inverno

ENTREVISTA: a Estrela Decadente de Thiago Pethit pronta para brilhar no FIG

(Foto: Gianfranco Briceño)

(Foto: Gianfranco Briceño)

Por Guilherme Gatis

Em sua segunda apresentação no FIG (a primeira foi em 2010), o cantor Thiago Pethit apresentará as canções do álbum Estrela Decadente, lançado em 2012. Além de falar sobre o show (ainda inédito em Pernambuco) da próxima sexta (26), Pethit também comenta sobre seus processos de criação e da necessidade de sermos mais afetados. Confira:

#fig2013.com | No domingo (21), a cantora Bárbara Eugênia surpreendeu-se com a receptividade do público do Festival. Além de agradecida pela acolhida de Garanhuns, ela também comentou sobre a felicidade de conseguir tocar fora de São Paulo. Há de fato diferença entre públicos de grandes capitais (como Recife, que também receberá seu show) e shows realizados em festivais no interior?

#Thiago Pethit | Talvez as cidades do interior tenham uma carência maior de atrações culturais. Sobretudo de atrações que fujam um pouco do mainstream. Para quem é artista, são sempre cidades mais difíceis de chegar, seja pela falta de investidores ou pelo pouco acesso que temos para divulgar o trabalho longe da grande mídia, que costuma ser a maior fonte de informação dessas cidades. Mas é sempre surpreendente também. Creio que com a internet tudo isso tem ficado mais fácil.

#fig2013.com | Esta é a segunda vez que você participa do FIG. Quais foram as impressões que teve do Festival? Mesmo sabendo que a rotina do artista pode ser muito corrida, você planeja vivenciar o FIG para além de seu show?

#Thiago Pethit | Toquei para um público bem grande no FIG em 2010 e espero ter aumentado essa turma, agora em 2013. Foi uma delícia ter participado daquela edição. Não esperava tanta gente e me surpreendi muito com o tamanho do Festival. A pena é não poder aproveitar mais o Festival enquanto público, preciso voltar para Recife no sábado, pois ainda toco lá antes de voltar pra casa no domingo.

#fig2013.com | O show que vem para Garanhuns promove o álbum “A Estrela Decadente”, que reuniu convidados como Cida Moreira e Malu Magalhães e a produção de Kassin. Como as novas composições estão sendo recebidas ao vivo?

#Thiago Pethit | Estão sendo muito bem recebidas. Não só as composições, mas os conceitos, as ideias do álbum parecem estar cada vez mais coerentes com o que eu desejava transmitir e com o mundo que estamos. Há um ano, quando eu lancei o disco, eu tinha um desejo muito forte de tocar em temas tortos, estranhos, ambíguos e, sobretudo sexuais e transgressores, dentro do que é possível transgredir hoje em dia. Era um disco que, muito antes do Feliciano assumir a CDHM, já alertava sobre uma postura contra uma sociedade reacionária e vigilante dos prazeres alheios. Por isso, eu sinto que cada símbolo desse trabalho tem se resignificado ao longo desses meses e ganhado mais e mais sentido. E o público saca isso.

#fig2013.com | Além de produzir o álbum, Kassin também tocou na maioria das faixas. Como você dimensiona o trabalho dele no resultado final do Estrela Decadente? Além de Kassin, músicos produtores como Fernando Catatau e Ganjaman conseguem imprimir uma certa coerência estética aos trabalhos nos quais estão envolvidos, sugerindo uma espécie de encaixe entre artista e produtor. Como foi esse processo de criação, que envolveu a gravação em diversos estúdios?

# Thiago Pethit | O Estrela Decadente foi produzido de um jeito muito íntimo. Quase 70% do disco foi o resultado de gravações dentro de um micro quarto na casa do Kassin, no Rio. Passamos mais ou menos um mês lá dentro, todos os dias. Entre conversas, estudos sobre as composições, ideias, muita conversa fiada. Acho que isso tudo ficou impresso no disco de alguma forma. Foi um trabalho muito simbiótico. É bem difícil  conseguir dizer o que veio do Kassin e o que não. Mas há uma competência que eu sei que é dele dentro disso tudo. Especialmente pela enorme capacidade que ele tem de receber ‘o outro’ e ouvir, entender. Ele é muito generoso.

#fig2013.com | A faixa que você canta com Cida Moreira (que apresentou no último sábado A Dama Indigna aqui no festival) é uma adaptação de um texto do teatrólogo Brecht e Kurt Weill. Além disso, você também cultiva a imagem de Dândi em seus vídeos, fotos de divulgação, postura e até mesmo em música (Dandy Darling). Em que medida esses elementos cênicos e visuais interferem na sua produção musical? O risco de ser rotulado como “afetado” por alguns incomoda?

#Thiago Pethit | Eu não diria que estas coisas sejam elementos cênicos. Elas são a expressão artística daquilo que eu sou. Não é um personagem. Essas ideias, essa encenação e até mesmo essa afetação, são propostas visuais, mas são também o meu conteúdo existencial e, sobretudo, sonoro. Portanto, uma coisa não só interfere na outra, como faz parte uma da outra. Afetação é sinônimo de amaneirado e malicioso, deriva do verbo afetar, impressionar, sensibilizar e é antônimo de do que é natural, simples e singelo. Porque me incomodaria? Esse é o questionamento que eu faria a quem acha que isso seria um rótulo desagradável. Porque a afetação ‘assusta’ ou ‘incomoda’ tanto? Ela  incomoda aos outros, não a mim.  Eu sou afetado. O meu som é afetado. Propositadamente afetado. Se me rotularem como tal, será um ponto pro meu time. A afetação é uma das minhas armas, sonora e artística, contra uma música e um mercado cultural que produz heróis desafetados e desinfetados, prontos para estrelar um comercial de margarina, uma campanha antitabagista, pró-saúde, família e propriedade.

 

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