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Festival de Inverno

“Fazer cinema é uma questão de acreditar” (Leonardo Lacca)

(Foto: Ricardo Moura)

(Foto: Ricardo Moura)

Por André Dib

Há dez anos nascia a Trincheira Filmes. E com ela, um grupo de cineastas responsável por boa parte do prestígio acumulado pelo atual cinema pernambucano. Ao longo da década, a produtora realizou curtas que marcaram época, como “Eisenstein”, “Ventilador” e “Muro”, este último premiado no Festival de Cannes, na França. Em Garanhuns, a Trincheira participa da 9ª Mostra de Cinema do FIG com dois filmes: “Eles voltam”, de Marcelo Lordello, e “Ela morava na frente do cinema”, de Leonardo Lacca, que é exibido nesta segunda-feira (22/7), às 17h10, em programa especial dedicado a curta-metragens pernambucanos. Reprise na quarta (24/7), às 21h. Em Garanhuns, conversei com Lacca sobre estes e os novos projetos. Nada menos do que sete longas estão a caminho, além de uma coletânea comemorativa com todos curtas da Trincheira. Leia mais na entrevista a seguir.

#fig2013.com – “Eles voltam” teve boa carreira no Brasil e em outros países. Qual o plano para depois de Garanhuns?

#Leonardo Lacca – O filme de Lordello foi exibido em Brasília, Roterdã, Lisboa, Nova York, Coreia do Sul, San Francisco, Rio de Janeiro, Tiradentes, Londrina e Recife. Depois de Garanhuns, vai ser exibido no Festival de Triunfo e a data de lançamento comercial é 15 de novembro, pela Vitrine Filmes.

#fig2013.com – Qual a importância de exibir seus filmes no FIG?

#Leonardo Lacca – Todos os meus curtas passaram aqui, mas nunca tinha vindo para o festival. A Mostra de Cinema do FIG é a prova de que Pernambuco está com uma safra de marcada pela abrangência e diversidade. O contexto com filmes estrangeiros amplia a possibilidade de diálogo com o público, tanto turistas quanto moradores.

#fig2013.com – “Eles voltam” é um longa-metragem realizado com dinheiro captado por um edital de curtas. Outros diretores, inclusive Tião, da Trincheira, estão fazendo o mesmo. Qual o lado bom e ruim dessa “migração” de formato?

#Leonardo Lacca – Os filmes estão sempre em processo. O filme de Marcelo nasceu como curta-metragem, com a história que está no início do filme, tudo bem amarrado para o formato. Mas aí ele se tornou pai e isso influenciou diretamente a sua visão de mundo. Ele não queria que o filme terminasse com a menina abandonada na estrada, mesmo que fosse como um final aberto. Para a equipe, foi uma questão de acreditar. Tem muita coisa em jogo: realizadores querem se expressar, tem a questão dos patrocínios e tem as pessoas que acreditam no projeto, que trabalharam ganhando pouco, e que tiveram uma compensação com o prêmio que ganhamos em Brasília. O lado positivo é que o filme foi rodado com 54 mil reais e isso não transparece no resultado final. E o lado ruim é que a gente penou para fazer. Mas foi um momento de aprendizado e ninguém se arrepende, muito pelo contrário. Participei um pouco de “Vigias” (também de Lordello), vi o processo de “Amigos de risco”, mas no caso do meu primeiro longa, “Permanência”, apesar de ter demorado a ganhar o edital, preferi esperar e fazer com o orçamento de longa, já que o custo foi maior por ter sido rodado em São Paulo.

#fig2013.com – Por falar em duração dos filmes, “Ela morava na frente do cinema” tem 30 minutos de duração. Isso pode ter atrapalhado a circulação?

#Leonardo Lacca – Ele  me surpreendeu, passou em seis festivais, mas não pude inscrevê-lo em Brasília, Goiania, Rio de Janeiro e no próprio Cine PE por ultrapassar o limite de tempo imposto pelos festivais. Mas era o tempo que ele precisava ter naquele momento, não tinha como mexer no filme, deixar ele “cotó”.

#fig2013.com – Que aproximações “Ela morava…” tem com “Permanência”?

#Leonardo Lacca – Não há muitas. São filmes que apontam para caminhos diferentes. “Ela morava…” foi uma experiência sem roteiro prévio, feito a partir das visitas à casa onde morei na infância. E “Permanência” segue um roteiro de ficção convencional, passou por script doctor, consultei amigos, tive que fazer sob mais controle, já que estava em outra cidade, com tudo mais caro, filmando por três semanas. O filme deve estar pronto em janeiro.

#fig2013.com – Em “Permanência”, você trabalha com um dos melhores atores do Brasil, o pernambucano Irandhir Santos. Como foi?

#Leonardo Lacca – Na mesma época, Irandhir também foi protagonista no filme “Obra”,  de Gregorio Graziosi. São duas posturas corporais absolutamente diferentes. Sua capacidade de percepção é grande, não só para trocar ideias sobre o filme. Ele contribui com técnica e sensibilidade, e isso é raro de se ter em um ator.

#fig2013.com – A Trincheira completa dez anos com sete projetos de longa, um de curta-metragem. Que projetos são esses?

#Leonardo Lacca – Primeiro, os longas. Estão em desenvolvimento de roteiro “O verão está quase acabando”, de Tião, “Edificante”, de Marcelo Lordello e “Grau de parentesco”, que é meu. “Paterno”, de Marcelo, está em pré-produção. E “Animal político”, de Tião, “Permanência” e “Seu Cavalcante”, sobre o meu avô, estão em finalização. O curta-metragem se chama “Sem coração”, de Tião e Nara Normande. Além disso, estamos produzindo um DVD / Blu-Ray comemorativo, com todos os curtas da Trincheira e um livreto com processo criativo, reprodução de e-mails, fotos e xingamentos (risos), como se fosse um inventário artístico.

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