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Festival de Inverno

Focus nas canções do Rei Roberto: ah, o amor!

Bailarinos romance embalado por 72 músicas (Foto: Pri Buhr).

Bailarinos romance embalado por 72 músicas (Foto: Pri Buhr).

Por Leidson Ferraz

Não dá para afirmar com certeza, mas talvez Roberto Carlos seja o compositor brasileiro que mais tratou do amor em suas canções. E foi exatamente na extensa discografia do Rei, com mais de 700 títulos já gravados, que o coreógrafo carioca Alex Neoral foi buscar inspiração para um espetáculo de dança contemporânea. O resultado, “As canções que você dançou pra mim”, foi finalmente visto em Garanhuns, neste 23° FIG, por um público que enfrentou tremenda chuva nesta sexta (26), para conferir um dos trabalhos mais aplaudidos do Pavilhão da Dança.

“Quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo…”. Foi ao som da clássica “Emoções” que os oito bailarinos da Focus Cia. de Dança começaram a exibir um extenso manancial de passos combinados com sentimentos à flor da pele. Afinal, tratar do amor na dança resulta numa profusão de desejos, solidões, compartilhamentos e até troca de pares. A montagem é totalmente conduzida pelas músicas do Rei, sendo 72 ao total, mas nenhuma canção é executada totalmente e grande parte conta com apenas alguns segundos de um refrão ou trecho de frase. “O trabalho nasceu dessa brincadeira de uma palavrinha chamar uma música seguinte. Poderia ser com qualquer compositor, mas eu optei por Roberto Carlos porque suas músicas têm palavras recorrentes: você, amor… Eu sempre o admirei muito, por influência da minha mãe. Depois de ouvir mais de cem canções dele para a seleção desta trilha, virei fã”, diz o coreógrafo e diretor. A edição, comandada pelo próprio Alex Neoral, impressiona pelas minúcias ao criar um outro roteiro paralelo, que valoriza o encaixe de uma palavra na outra, ou tema similar, possibilitando uma dramaturgia a mais para a cena, muitas vezes em diálogo com os corpos ou se distanciando da movimentação deles.

Assim, “Detalhes”, “Proposta” e “Seu corpo”, entre outras músicas, vão criando climas de encontros e desencontros, com os bailarinos tendo como único elemento à mão cadeiras em acrílico que, bem utilizadas, desenham cenas de beleza plástica incríveis. E a montagem segue numa colcha de retalhos musical, corporal e de sentimentos. Mas nada do amor meloso. Pelo contrário, é jovem, leve, divertido, libertário, a começar do figurino em tons azuis – não é o amor passional ao extremo, do vermelho instigante – e de algumas insinuações homoafetivas, afinal, o amor é para todos. Também está presente a paixão pelo rock’n’roll, quando se ouve composições como “Negro gato” e “Eu sou terrível”, e uma certa rebeldia juvenil, que permitem ao elenco abandonar o palco e descer até a plateia para dançar junto, paquerar ou simplesmente acarinhar o outro.

No todo, para além da movimentação corporal dos bailarinos, há um detalhe que salta aos olhos nesta montagem: a identificação imediata do público com o repertório escolhido, afinal, como disse o coreógrafo Alex Neoral, “Roberto Carlos é história e faz parte da vida de qualquer brasileiro”. Por isso, é muito fácil ver espectadores cantarolando certa canção. Vale destacar que a cena mais aplaudida aconteceu com o beijo prolongado de um dos casais, em verdadeiro contorcionismo que não deixa as bocas separadas por nenhum segundo. Ao final, declarando seu amor ao público, o elenco jogou rosas aos espectadores, novamente ao som de “Emoções”, tema perfeito para deixar todo mundo com o coração leve de tanto dançar. “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi…”.

OBS ao compositor Roberto Carlos: Vai ver esta montagem, Rei! É declaração de amor também a você… Os bailarinos ainda te aguardam na plateia.

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