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Festival de Inverno

Garanhuns e uma fotógrafa

Confira a crônica semanal de Luzilá Gonçalves, escritora homenageada do Festival de Inverno de Garanhuns 2015

A família – uma mãe viúva, dois filhos e duas filhas – perseguidos por convicções religiosas, havia deixado São Caetano da Raposa no começo do século.. Tendo liquidado os poucos bens, imagino o que teria sido essa viagem. Em lombo de burro? A pé? Evangélicos, Caetano se empregou nas oficinas do Monitor, e depois do Norte Evangélico, do Gládio, jornais dirigidos por Soriano Furtado, creio, ou um dos Gueiros, não sei se próprio pastor Antonio Gueiros ou Jerônimo Gueiros. Luiz, que chamariam de Luiz Bodinho, se empregou na Deloite e depois na Empresa de luz.

Dona Cecília Rodrigues, uma das diretoras do Colégio Quinze de Novembro, notou a inteligência e a vivacidade da menina E minha mãe, aos dezesseis anos, começou a ensinar no Colégio, a estudar música, para tocar na igreja, a estudar inglês com Mister Neville. Um dia meu pai viu passar a adolescente loura e magrinha, quis saber quem era, disseram. Amor à primeira vista, logo depois estavam casados.

Um dia Esperidião Falcão, o fotógrafo da cidade consultou minha mãe: -Dona Almerinda, quer comprar minha máquina de retrato? Ensinaria a arte. Minha mãe aceitou. São delas as poucas fotos que nos restaram da familia: minha avó Benvinda, de traços severos. Lupércio, meu irmão, rapazinho com inexplicável traje militar, minha irmãs, Neusa e Celme, lindas, de olhares quase medrosos diante da máquina escura onde minha mãe se escondera dizendo “Vaio sair um passarimnho”. tornou-se exímia, a ponto de conseguir comprar a casa onde nasci: a casa da Empresa de Luz, junto ao Tavares Correia. Que terminou vendendo, o Sanatório queria ampliar o jardim do que dali a uns anos seria um hotel. A familia veio para o Recife, os filhos tinham de estudar mais. Mas Garanhuns permanecia viva, na memória, nos corações.

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