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Festival de Inverno

Grandes artistas pernambucanos e Gal Costa tornaram o domingo inesquecível

Por Ana Beatriz Caldas

O domingo (24) foi mais uma noite com fortes vozes femininas, cultura pernambucana e muito frio no Palco Mestre Dominguinhos, no 26º Festival de Inverno de Garanhuns. Apesar de ser um dia da semana em que o movimento deveria ser mais brando, já no início da noite a esplanada que dá nome ao maior palco do festival estava lotada, com seus arredores cheios de caravanas animadas, vindas de diversos estados, ansiosas pelo grande nome da noite: a cantora Gal Costa, que fecharia o quarto dia do FIG com maestria algumas horas depois.

Laís Domingues

Laís Domingues

A garanhuense Amanda Back apresentou repertório do seu primeiro CD

Como de costume, a primeira apresentação foi de uma atração local, a cantora Amanda Back, que mostrou ao público canções autorais de seu primeiro CD, lançado este ano, que conta com produção de Marcos Cabral, guitarrista ‘cativo’ do polo instrumental do FIG. Em seguida, o cantor Josildo Sá, pernambucano da cidade de Floresta, fez um show comemorativo aos 10 anos de lançamento de seu renomado álbum “Samba de Latada”, que mescla elementos musicais de sua vida no Sertão com influências de ritmos mais urbanos, como o manguebeat. O DVD homônimo, anunciou, deve ser lançado em breve.

Laís Domingues

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Josildo e seu Samba de Latada empolgaram o público

Inspirando-se em João Silva, Assisão e Jackson do Pandeiro, com um som que denomina como “altamente pernambucano”, Josildo congratulou a Secult-PE e a Fundarpe pela grade de atrações do festival, afirmando que “em um momento de crise, é necessário parabenizar um governo que realiza um festival com cara de festival de verdade, com um selo de qualidade nas atrações, conversas, oficinas e demais mostras”. Lembrando o incrível show de Elza Soares, na última sexta, e a força da presença musical feminina nessa edição, Josildo pontuou: “o FIG tem trabalhado com quilombolas, com a mulher, vários temas importantes, e festival é isso, tem que ter significado. Não é apenas assistir a um show e ir embora, tem que ter conteúdo”, ressaltou.

O penúltimo show da noite foi o da cantora Karynna Spinelli, bastante aclamado pela multidão, que curtiu cada música autoral e também a homenagem que a pernambucana fez a grandes marcos da MPB, como os cantores Benito de Paula e Moraes Moreira. Iniciando a apresentação com uma bela saudação aos orixás, e contando com um intérprete de libras no palco, a mensagem de Karynna foi clara: sua arte não dá espaço para a intolerância e é feita para que todos a sintam de alguma forma. “Herdeira” de Clara Nunes, a quem já homenageou em diversos shows e quem cita como grande inspiração, Spinelli transformou a esplanada em uma grande roda de samba.

Laís Domingues

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Karynna Spinneli começou o show saudando os orixás

Karynna, que atualmente está em turnê incentivada pelo Funcultura, foi convidada para representar a força da mulher pernambucana – e não poderíamos ter melhor embaixadora. Cantando suas queridas músicas de terreiro, elogiou as iniciativas do Governo do Estado a respeito da diversidade religiosa e musical. “Pernambuco sai um pouco na frente nesse aspecto. Viajo para outros estados, dentro e fora do nordeste, e temos uma comunhão mais valorizada aqui, inclusive pelo poder público. Existe um preconceito que ainda é latente dentro de cada família brasileira. É um caminho longo, mas sempre serei porta-voz do meu candomblé, da minha Jurema, minha ‘macumba’, como falam”, brincou a cantora, também responsável pelo projeto Clube do Samba, que há sete anos recolhe alimentos não perecíveis para comunidades carentes do Recife. Desses sete, há cinco se apresenta no FIG. Essa edição, porém, foi especial: para Karynna, o show teve novas cores e sensações por fazer parte de uma grande homenagem a Naná Vasconcelos. “Acho que Naná é celebrado cada minuto que a gente respira. Nossa nação, nosso Pernambuco é nagô, é do batuque, do candomblé e tudo isso permeia Naná, que ainda está entre nós”, afirmou, dedicando o show ao instrumentista.

Laís Domingues

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Esta foi a quinta apresentação da cantora recifense no FIG

Há muitas graças, mas apenas uma Gal

Gal Costa, reservada, subiu ao palco sem atrasos, entrevistas ou mais delongas. Estava ali para atender somente ao público, oferecer-lhe um show memorável, e assim o fez. Cantou seu “Estratosférica”, inclusive a já querida “Quando você olha pra ela”, composta por Mallu Magalhães, e músicas mais antigas de sua carreira, como “Cabelo” e “Como dois e dois” – todas recebidas com euforia.

Laís Domingues

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Gal mesclou repertório de ‘Estratosférica’, seu mais recente trabalho, com canções que emocionam os brasileiros há décadas

Já perto do fim, mas ainda animada com a recepção do público, Gal cantou “Os alquimistas estão chegando”, de Jorge Ben, de quem já interpretou outros sucessos. Também reservou parte do encontro para uma “Meu nome é Gal” ligeiramente modificada: “Meu nome é Gal, tenho 70 anos…” (vídeo). O que pode ter sido uma surpresa para alguns, foi motivo de êxtase para os fãs que a seguem por tanto tempo, especialmente quando a baiana falou de seu “compositor querido”, Caetano Veloso, que a descobriu, impulsionou sua carreira e com o qual mantém uma valorosa parceria desde os anos 60. Caetano estava certo: há muitas “Graças”, mas Gal, além de única, é um dos maiores acontecimentos da música brasileira.

Divulgação

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A cantora fez um show memorável, apresentando pela primeira vez em Garanhuns sua fase mais rock’n'roll, em diálogo com jovens expoentes da música contemporânea brasileira

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