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Festival de Inverno

Isca de Polícia “fisgou” Garanhuns

Banda que acompanhou Itamar Assumpção chegou festejada em Garanhuns, mostrando que caiu no gosto da nova geração

Isca de Polícia arrebatou público jovem (Foto: Renata Pires)

Isca de Polícia arrebatou público jovem (Foto: Renata Pires)

por Leonardo Vila Nova

Sabor de anos 1980 na noite do Palco Pop de terça (23/7). A vanguarda da Paulicéia Desvairada deu o ar da graça neste FIG 2013. Uma das atrações mais aguardadas do festival, a legendária banda Isca de Polícia fez vibrar uma plateia composta por gente que, em sua maioria, nem havia nascido quando o grupo acompanhava o cantor e compositor Itamar Assumpção, nos tempos em que a música brasileira se reinventava e absorvia influências mil: rock, new wave, funk, etc. No cardápio da Isca de Polícia, isso tudo e um pouco mais, além de experimentalismo e performances originais.

A Isca de Polícia chegou envolta por festejos. Os gritos da plateia já se espalhavam pelo lugar antes mesmo que a banda tocasse o primeiro acorde. E assim que teve início o show, o clima esquentou. A vibração era evidente a cada música. A música de Itamar Assumpção (falecido em 2003), que compôs o repertório do show, continua presente e atravessou gerações, ganhando novos adeptos. “É sempre muito emocionante podermos fazer a música do Itamar e poder ver o quanto os jovens de hoje curtem esse som, que marcou uma época e que foi além dela”, contou Suzana Sales, vocalista da Isca.

Banda lembrou Itamar Assumpção (Foto: Renata Pires)

Banda lembrou Itamar Assumpção (Foto: Renata Pires)

Suzana e Vange Milliet são as responsáveis pelas interpretações teatrais e instigantes da Isca de Polícia. Não há uma música sequer que não seja preenchida por toda a presença e o gestual cênico que elas criam. E o repertório não deixa por menos. Clássicos de Itamar Assumpção fizeram parte do set list. Canções como “Tenho medo”, “Zé pelintra” e “Embalos” foram cantadas a plenos pulmões e dançadas em clima de catarse. Em referência a Arrigo Barnabé (contemporâneo de Itamar, durante o período de surgimento da vanguarda paulista), eles cantaram “Clara crocodilo”, enlouquecendo de vez o público. A interpretação original de “Na cadência do samba” também foi um dos pontos altos da apresentação.

A alegria do grupo em se apresentar no FIG foi evidente. “São Paulo e Pernambuco têm muito em comum: vão da terra à antena, transversalizando cultura de forma muito diversa”, disse Suzana. Uma noite memorável, onde ficou a prova de que música boa não envelhece. Itamar era um mestre nisso. E a Isca de Polícia sempre foi a sua melhor tradução. E para aqueles que querem boas notícias, a banda promete um novo disco, em breve. No repertório, canções de Zeca Baleiro, Tom Zé, Zélia Duncan, entre outros. Agora, é aguardar e ficar ouvindo uns discos do Itamar, pra matar as saudades.

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