Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Festival de Inverno

Jeneci, Lenine e Milton: três gerações da MPB no penúltimo dia do FIG

Sexta-feira (20/7) na Guadalajara foi marcada pela sintonia entre o público do festival e artistas

Por Julya Vasconcelos

Milton Nascimento faz show emocionante na Esplanada Guadalajara (Foto: Eric Gomes/Secult-PE)

Milton Nascimento faz show emocionante na Esplanada Guadalajara (Foto: Eric Gomes/Secult-PE)

De sobretudo preto, cachecol e violão em punho, Milton Nascimento entra como espécie de deus no palco Guadalajara nesta sexta-feira (20/7), penúltimo dia do FIG. “Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida, virou só sentimento”. Os versos de Adélia Prado são citados por Milton para um público de cerca de 60 mil pessoas que lotavam a esplanada no centro de Garanhuns, e introduz a música “Encontros e Despedidas”, um dos grandes sucessos do compositor.

A setlist de Milton foi recheada de clássicos conhecidos do grande público, como “Coração de Estudante”, “Bola de meia, bola de gude”, “Caxangá”, “Fé Cega, Faca Amolada” e “Maria, Maria”. O que, em se tratando de algum outro compositor, poderia se tornar apenas uma solução cômoda, no caso de Milton, não fez com que o seu show fosse menos tocante. No meio dos grandes clássicos, um inusitado cover da banda mineira Jota Quest quebrou um pouco o clima do show, mas sem comprometer.

“Canção da América”, pode-se dizer, foi interpretada por 60 mil pessoas . Milton, sentado numa cadeira, de olhos fechados, apenas guiou o ritmo com uma das mãos, e fez com que toda a Esplanada Guadalajara cantasse em coro o clássico.

O virtuosismo da banda de Milton que, apesar do repertório “óbvio”, não titubeou nas longas introduções, solos e reinterpretações, foi, definitivamente, o ponto alto da apresentação. Era possível ver, perto do palco, muitas pessoas visivelmente emocionadas. “Foi muito especial para mim. Eu só lembrava daquilo que Caetano fala, que Milton é muito espiritual”, diz a publicitária Lellye Lima, com os olhos marejados depois de ouvir “Travessia”.

A cumplicidade do público pernambucano com Lenine e Marcelo Jeneci

“Eu acho que do mesmo jeito que a gente acaba aproximando as pessoas que parecem com a gente quando a gente tá querendo namorar alguém, acontece a mesma coisa com o público daqui. Tem a ver com jogo de sedução. O resultado tem sido bonito”, afirmou Marcelo Jeneci sobre sua presença constante em palcos nordestinos. É a 3ª vez, em menos de um ano, que o músico pisa em solo pernambucano. Com um show descaradamente romântico, ele parece coroar a sua relação de intimidade e cumplicidade com o público da cidade.

Marcelo Jeneci (Foto: Eric Gomes/Secult-PE)

Marcelo Jeneci (Foto: Eric Gomes/Secult-PE)

 Jeneci abre o show com “Copo d’água” para um público que já lotava a Esplanada Guadalajara às 22h, depois da abertura da noite com a banda local Lux Time. Mas é quando o músico começa a tocar os primeiros acordes do seu característico acordeon na música “Felicidade”, que a platéia vibra. “Pra Sonhar”, “Dar-te-ei” e “Feito para acabar” geraram conexão instantânea com o público, composto por muito fãs do músico, que se espremiam no gargarejo cantando em coro todas as canções. Cleyton Muniz, de Caruaru, e Maria Luiza, de Recife, vieram ao festival exclusivamente para ver  o show de Marcelo Jeneci.

Lenine na Guadalajara (Foto: Eric Gomes/Secult-PE)

Lenine na Guadalajara (Foto: Eric Gomes/Secult-PE)

Lenine fez um show cheio de energia, que também evidenciou sua conexão com a plateia, que cantou em coro praticamente todas as músicas apresentadas pelo cantor, inclusive as do repertório do novo disco. Grandes sucessos como “Paciência”, “Relampiando”e “A Rede” dividiram espaço com as novas canções de “Chão”.

Priscila Garcia e Karina Siqueira vieram em uma excursão com 16 pessoas de Caruaru somente para ver o show do compositor pernambucano: “Foi perfeito. Todos os shows dele até hoje sempre me surpreendem”, conta Karina enquanto espera pela aparição do cantor na porta do backstage.

Fechando a noite, Antúlio Madureira trouxe um show recheado de ritmos dançantes que fez o público se esquentar sob uma garoa fina que caía sobre a cidade por volta das 3h da manhã.

Amanhã, no último dia do FIG, estarão na Guadalajara:

21h – Andréa Amorim

22h – Edgard Scandurra

23h – Jorge Ben-Jor

00h30 – Lulu Santos

02h – N´Zambi, Buguinha Dub e Convidados

 

< voltar para home