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Festival de Inverno

Jorge Cabeleira e o vigor do rock’n’roll

Banda homenageou Davi Santiago: “Ele está curtindo o show lá em cima”. (Foto: Marcelo Soares)

Banda homenageou Davi Santiago: “Ele está curtindo o show lá em cima”. (Foto: Marcelo Soares)

Por André Dib

“Esse show é dedicado a Davi, que passou dessa pra melhor. Tenho certeza de que ele está curtindo lá de cima”. As palavras são do cantor e guitarrista Dirceu Melo, ditas na primeira apresentação da banda Jorge Cabeleira desde a morte de seu baterista, Davi Santiago, em condições inaceitáveis, no mês passado. Enquanto andava com seu cachorro em uma rua do bairro de Boa Viagem, no Recife, Davi tocou acidentalmente em um fio de energia elétrica.

Nessa segunda (22), 40 dias depois do incidente, no Palco Pop do 23º Festival de Inverno de Garanhuns, a banda realizou uma apresentação impecável, com o peso zeppeliano que faz voar e o galope do rock rural de Lula Côrtes e Alceu Valença. Uma roda de pogo se formou durante a versão hardcore/reggae para “Karolina” / “Xote das Meninas”, de Luiz Gonzaga, como um prenúncio para a noite do metal, que logo mais tomaria conta do Palco Guadalajara.

No backstage, Dirceu comentou o repertório. “Montamos no fim do ano passado, quando resolvemos voltar. São músicas do primeiro e segundo álbuns, uma amostra das nossas influências. No começo, a Jorge Cabeleira era basicamente uma banda de blues e rock dos anos 70, quando percebemos a semelhança entre o blues e o baião, que tem uma raiz única, a música dos mouros, que chegou à África, se miscigenou e foi para outros países”.

Surgida nos anos 1990, Jorge Cabeleira voltou no fim do ano passado. No lugar de Davi, foi escalado Sanzyo Dub, que já tocava com Dirceu na banda Eta Carinae. “Foi um show para Davi”, diz Dirceu. “Quando voltamos a ensaiar, há 20 dias, foi na ‘vibe’ de honrar a memória dele praticando aquilo que ele gostava, música e alegria. A lição que fica é que a vida é muito curta e rara, cada dia é muito importante”.

Vertin Moura recebeu Lirinha em seu show (Foto: Marcelo Soares)

Vertin Moura recebeu Lirinha em seu show (Foto: Marcelo Soares)

A noite de ontem reservou outro ponto alto: o show de Vertin Moura, onde transbordaram performance e poesia. Baiano de Juazeiro e radicado em Arcoverde, Vertin vem da escola do teatro e com sua música evoca visões e alucinações. No palco, apresentou composições de seu primeiro álbum, “Filhosofia”, que conta com participação de Lirinha em uma das faixas. Na noite de ontem, vindo especialmente de São Paulo, o próprio Lirinha veio abraçar Vertin, com quem cantou três canções, duas de seu primeiro disco solo (“Ah se não fosse o amor” e “Sidarta”).

Antes do show, Lirinha teceu elogios a Vertin: “Ele tem características que nos conectam. Me impressiono com seu crescimento. Quando ele me convidou para participar do show em Garanhuns fiquei muito feliz, porque esta também é a minha história”.

Vertin Moura e Lirinha cantaram três músicas no Palco Pop; assista trecho de “Sidarta”:http://www.youtube.com/edit?video_id=fAsV6wMU77U&feature=vm&ns=1

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