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Festival de Inverno

Legado do Rei do Baião é tema de aula-espetáculo

Iniciativa do Mestre Camarão busca formalizar e divulgar diversos saberes sobre o ritmo

Por Cecília Almeida

Aula Espetáculo com o Mestre Camarão, no Espaço Lua Gonzaga (Foto: Ricardo Moura/Secult-PE)

Aula Espetáculo com o Mestre Camarão, no Espaço Lua Gonzaga (Foto: Ricardo Moura/Secult-PE)

Espetáculo, aula de música e de história ao mesmo tempo, numa performance emocionante. O Espaço Lua Gonzaga, instalado no Polo Euclides Dourado do 22º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) para homenagear o centenário de Luiz Gonzaga, recebe Salatiel D’Camarão, o Mestre Camarão, Patrimônio Vivo de Pernambuco, para tocar e ensinar o público sobre características do baião.

Enquanto seu filho Salatiel D’Camarão explica conhecimentos técnicos e históricos sobre o ritmo, Mestre Camarão toca algumas músicas emblemáticas com sua sanfona. O resultado é impactante e agradou bastante o público, que demonstrou grande admiração pelo Mestre. Ao final da apresentação, muitos fizeram fila para pegar autógrafos e tirar fotos com o ídolo.

“Ninguém nunca se preocupou em organizar os saberes sobre o baião de forma sistemática. As coisas eram passadas de um pro outro de maneira informal. É como aprender a tocar sem saber a origem daquilo que se está tocando, as raízes, a história. Isso deveria ser ensinado nas escolas”, disse Mestre Camarão sobre a importância de formalizar um ensino sobre o baião.

O cantor e instrumentista contou que sua ideia é tentar fazer uma ponte entre o saber informal, adquirido na vivência, e o acadêmico, a partir de levantamentos históricos. “Não existe material didático sobre isso. É tudo transmitido oralmente. Muita coisa a gente conhece pelos bastidores, por conviver com os artistas que contam suas histórias”, explicou.

Ele ainda opinou sobre a importância de manter vivo o legado de Luiz Gonzaga: “A genialidade de Luiz Gonzaga não pode se perder na história. Ele é mais do que um bom instrumentista. Ele criou um gênero musical e poético totalmente novo, que inspirou vários outros. Para mim, ele é como Chopin ou Mozart”.

O espetáculo deixa o público emocionado. “Na primeira vez que fizemos, muitos choraram quando Mestre Camarão tocou Brasileirinho na sanfona”, disse Roberto Carneiro, coordenador do Espaço Lua Gonzaga. Este sábado (21/7) a aula será apresentada uma última vez, das 16h30 às 18h.

O espaço também conta com outras ações, que se estendem até o final do FIG. A Exposição Lua Gonzaga, mostra comemorativa do centenário de Gonzagão, conta todos os dias com palestra de abertura de José Mauro e Pedro Américo, do Memorial Luiz Gonzaga.  Além disso, a ação itinerante “Pernambuco na memória: conte aqui sua história!” recolhe histórias de Garanhuns contadas pelo povo. Quem visita o local também pode enviar um cartão postal com imagens do Rei do Baião ou de pontos turísticos de Garanhuns, para qualquer parte do país. “As ações estão sendo um sucesso”, contou Roberto. Mais de 20 estados do Brasil e sete países já passaram pelo Espaço Lua Gonzaga. Depois de Pernambuco, o estado que mais teve visitantes foi São Paulo, seguido pelo Rio Grande do Norte.

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