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Festival de Inverno

Magiluth tem tudo a ver com Garanhuns

Pedro e Eri de volta ao lugar onde tudo começou, o Diocesano (Foto: Pri Buhr)

Pedro e Eri de volta ao lugar onde tudo começou, o Diocesano (Foto: Pri Buhr)

Por Luiza Falcão

Dos sete atores que compõem o grupo de teatro Magiluth (PE), três são crias de Garanhuns. Cada um a seu tempo, os atores garanhuenses Pedro Wagner, Erivaldo Oliveira e Mário Sergio Cabral chegaram de mansinho, como quem não quer nada, e conquistaram o coração e um lugar fixo no grupo. Hoje, essa composição garante ao Magiluth a consistência e um espírito de equipe fundamentais para a produção teatral madura e envolvente; uma das mais destacadas do estado, que se [re]inventa a cada dia. Esta será a primeira vez que os três sobem com o grupo ao principal palco de teatro da cidade, o Luiz Souto Dourado. No FIG 2013, o grupo se apresenta nesta sexta (26/7) e no sábado (27/7). No primeiro dia, o espetáculo encenado é o “Luiz Lua Gonzaga”, apresentado ao ar livre no Espaço de Cultura Popular (Centro), às 10h. No dia seguinte, é a vez de eles apresentarem um espetáculo inédito na cidade, o “Viúva, porém honesta”. A montagem é baseada em texto de Nelson Rodrigues e será encenada no Teatro Luiz Souto Dourado, às 19h. Conheça um pouco de cada um abaixo.

>> Pedro Wagner

Pedrinho foi o primeiro a entrar no Magiluth. Convidado para fazer uma substituição na circulação do espetáculo “Ato”, em 2009, ele cativou a equipe e se tornou membro do grupo. No ano seguinte, dirigiu o trabalho “Um torto”, monólogo interpretado por Giordano Castro, um dos atores e fundadores do grupo. Foi o teste que a equipe precisava para não deixar Pedro Wagner ir embora nunca mais. Canceriano, Pedro é muito apegado às coisas e aos lugares por onde passou ou em que viveu, e está todo ansioso para esse reencontro.

Ele trouxe do Teatro Diocesano, feito no Colégio Diocesano de Garanhuns, um respeito quase sacro pelo palco. “Tínhamos um professor que dizia que era preciso muito respeito para ser ator, para subir no palco, porque ali era um solo sagrado, uma forma de estar mais perto de Deus, seja lá que Deus você acredite”, relembra Pedrinho. Essa é uma passagem muito forte para eles, tanto que foi repetida por Erivaldo e também por Mário Sergio em nossas conversas, sem saber que os demais também não haviam esquecido o ensinamento.

Pedro Wagner, a viúva (Foto: Sergio Silvestre)

Pedro Wagner, a viúva (Foto: Sergio Silvestre)

>> Erivaldo Oliveira

O segundo filho de Garanhuns a integrar o Magiluth, Erivaldo Oliveira, mal completou os 27 anos, mas tem um brilho nos olhos típico de quem tem a certeza de que sua profissão é a sua vida. Alto, magro e cheio de sonhos, Eri é tímido quando conversa conosco, mas se transforma quando entra em cena. Para ele, ator tem que se encher, se completar do personagem, caso contrário a peça não acontece.

No grupo desde 2010, Eri só tem expectativas boas, muito boas, sobre a estreia do “Viúva, porém honesta” na cidade. Segundo ele, a vontade é de mostrar às pessoas que ser ator é um sonho mais do que possível, na esperança de servir de exemplo para quem quiser tentar, mas mantendo a humildade sempre. ”Estamos com sangue nos olhos por essa apresentação. A maioria dos nossos familiares nunca nos viu em cena, por falta de oportunidade mesmo. Essa será a oportunidade, será como um encontro de família”, diz.

Para Erivaldo, interpretar nunca será um fim em si mesmo, embora não dê pra controlar o que as pessoas entendem da peça. “Queremos que nossos textos toquem os espectadores, que façam parte da vida deles de alguma maneira”. Esse é o pensamento compartilhado por Mario Sérgio Cabral, a terceira cria de Garanhuns a embarcar na aventura do Magiluth.

Erivaldo Oliveira em “Viúva, porém honesta” (Foto: Sergio Silvestre)

Erivaldo Oliveira em “Viúva, porém honesta” (Foto: Sergio Silvestre)

>> Mário Sergio

Ele passou a integrar o grupo em 2012 e é o mais novo dos três, com apenas 24 anos. Apesar de ser irmão de Pedro Wagner, a entrada de Mário Sergio aconteceu pelos votos dos demais integrantes (Pedro Vilela, Lucas Torres, Giordano Castro, Thiago Liberdade e Erivaldo). Pedrinho tinha medo que achassem que o irmão tinha entrado não pelo talento, mas por “nepotismo”. Mas não foi nada disso: o certo é que Mário tem talento de sobra e isso pode ser visto em “Viúva, porém honesta”.

Deslumbrado com a ideia de voltar aos palcos da cidade, ele afirma que a entrada no Magiluth foi como a passagem de um furação. “Entrei no grupo com a peça Viúva, porém honesta datada pra estrear. Eram só dois meses para me integrar ao conjunto e isso é muito pouco tempo. Foi a vontade de ficar e a personagem Ivone que me fizeram dar a volta por cima, nessa família maravilhosa”, relembra.

Família, essa é a forma como todos os sete integrantes da peça se autodenominam. “A gente se abraça muito, mas não somos de passar a mão na cabeça de ninguém. Se está bom, ótimo se não está, vamos discutir até chegarmos num consenso” finaliza Mário. E é com esse espírito que eles entram em cena a partir desta sexta.

Mário Sergio, escracha em “Viúva…” (Foto: Divulgação)

Mário Sergio, escracha em “Viúva…” (Foto: Divulgação)

O Magiluth

Ver um grupo pernambucano “crescendo e aparecendo” para o Brasil já dá um orgulho danado, mas conhecê-los de perto, olhando nos olhos dos atores, e não nos dos personagens, é uma experiência engrandecedora. O Magiluth é um grupo prestes a completar nove anos de idade, mas que tem uma história muito bonita e densa pra contar. Os integrantes originais, quase todos no grupo ainda hoje, se conhecerem em 2004, enquanto faziam o curso de artes cênicas na Universidade Federal de Pernambuco. Foi deste mesmo curso que vieram a integrar a equipe.

A partir de 2011, o grupo começou a ser reconhecido no Brasil pela qualidade de seu trabalho, ganhou editais e só faz crescer. É pra brindar essa boa fase que damos as boas vindas aos “magiluths”. Garanhuns é parte disso tudo também.

Leia mais sobre o Magiluth AQUI.

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