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Festival de Inverno

Múltiplo e existencialista, com vocês: Thiago Pethit

Cantor paulista se apresenta, pela segunda vez, no FIG, com repertório do álbum “Estrela decadente”

Thiago Pethit impressiona em palco (Foto: Marcelo Soares)

Thiago Pethit impressiona em palco (Foto: Marcelo Soares)

por Leonardo Vila Nova

Em tempos de crises existenciais, a estrela decadente de Thiago Pethit brilha como uma luz vermelha num cabaré dos anos 1940, vestida como um jovem rebelde dos anos 1960, atiçando os pensamentos revolucionários de um mundo antinazista. São tantas as referências que o artista traz em seu trabalho, que ainda é papel difícil defini-lo com exatidão. Resta, então, se surpreender com sua presença de palco impressionante, suas interpretações densas e o seu domínio de público. Aliás, uma gigantesca turba de fãs enlouquecidos foi conferir o show do mais novo queridinho da cena musical de São Paulo, que, pela segunda vez, aportou no FIG 2013, para um show memorável, no Palco Pop, na última sexta (26/7).

“É um prazer ‘i-nina hagen’ estar aqui com vocês! Acordei às 4h da manhã, foram quatro horas de viagem. Dá uma trabalheira danada vir tocar aqui. Mas é uma trabalheira deliciosa. O público pernambucano é f…, tá ligado?”, disse Pethit em um determinado momento do show, para loucura dos fãs que lotaram o Palco Pop. Sua simpatia e presença cênica são um dos seus maiores trunfos. Mas não para por aí. O trabalho de Pethit traz referências a diversos períodos, seja nas roupas que veste ou nas músicas que canta. Segundo ele, esses outros períodos indicavam momentos de crise na humanidade. “Eu passei por uma crise de stress, que virou uma depressão. Mas eu percebi que aquilo não era meu, tinha a ver com o mundo que a gente está vivendo. E eu, como artista, tenho muita vontade de me comunicar com isso. Quando eu cito coisas antigas, é para dizer que devemos aprender com momentos de crises, que ícones de outros períodos representaram tão bem”, explica o seu trabalho atual, citando Bertold Brecht, Andy Wharool, James Dean, Marlene Dietrich como figuras que apresentavam uma “contraproposta ao mundo”, aos padrões estabelecidos.

Em seu show, momentos memoráveis, como a interpretação magistral de “My Girl”, balada dos The Temptations, dos anos 1960. Além de “Love, try and die”, que ganhou, nos anos 1970, a voz de Gal Costa, no seu disco “Legal”. Mas o que estava na boca da galera mesmo foram seus sucessos “Mapa do mundo” e “Forasteiro”. Na ponta da língua, o coro dava ainda mais energia ao incansável Thiago Pethit, que, ao fim do show, após os inevitáveis pedidos de “Mais um! Mais um!”, voltou ao palco, encerrando com uma arrasadora versão de “I put a spell on you”, de Nina Simone. Noite pra guardar na memória e no coração, sem dúvida.

 

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