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Festival de Inverno

Na lona e no teatro, clima circense toma conta do FIG

Os espetáculos “Om Co Tô? Quem Cô Sô? Prom Co Vô?” e “Divinas” encantam diferentes públicos nesta sexta-feira (19/7)

Espetáculo traz o clima do circo tradicional para a lona do Espaço do Circo (Foto: Eric Gomes)

Espetáculo traz o clima do circo tradicional para a lona do Espaço do Circo (Foto: Eric Gomes)

“Vai, vai, vai começar a brincadeira/ Tem charanga tocando a noite inteira/ Vem, vem, vem ver um circo de verdade/ Tem, tem, tem picadeiro e qualidade”, entoa o palhaço Surubim, enquanto segura um guarda-chuva colorido que magicamente pinga água em cima da plateia, criando uma espécie de confusão e deleite no público que lotou as arquibancadas da lona do Espaço do Circo, no final da tarde desta sexta-feira (20/7).

O espetáculo da Cia. Circo Navegador, de São Paulo, encantou pelo formato clássico, “genuíno”, segundo Lucciano Draetta, que dá vida ao Palhaço Surubim. Com seu terno laranja, sapatões verdes, cabelos espetados e uma careca ornamentada por uma pequena cartola, Surubim é o palhaço que povoa nosso imaginário. “A ideia é buscar ser o mais genuíno possível, chegar o mais próximo do palhaço tradicional do circo brasileiro de lona”, explica o ator, roteirista e diretor do espetáculo.

FIG - 25

 

Provocador, sem senso de ridículo, sempre prestes a tropeçar no menor obstáculo, o palhaço faz um dueto com Salsicha, vivido por Gabriel Draetta. Salsicha toca bateria, pandeiro e faz toda a sorte de ruídos que permeiam o espetáculo do começo ao fim. “Passei primeiro a tocar no espatáculo e depois comecei a fazer umas leves palhaçadas”, conta Gabriel, que é sobrinho de Lucciano.

A interação constante com o público também marcou a apresentação da dupla. Por duas vezes espectadores subiram ao palco e viraram personagens essenciais do espetáculo. “Om Co Tô? Quem Co Sô? Prom Co Vô?”, que vem sendo encenado desde 2008, com passagens inclusive por Chile a Argentina, levou cerca de 1200 pessoas para a lona montada na Av. Rui Barbosa, em Heliópolis.

Dentre tantas pessoas que lotavam as arquibancadas, estava a família de Lucas, de 10 anos. Quando percebe que a roupa de Surubim escorrega e deixa à mostra sua cueca de coração, pergunta ao pai:“isso é parte do show?”. A espontaneidade e constantes improvisos do espetáculo encantam o menino. “Muito bom o espetáculo! Interessante é que apenas duas pessoas em cena conseguiram prender a platéia de uma maneira incrível”, diz o pai de Luís, Marconi, que diz sempre frenquentar os espetáculos de circo e teatro oferecidos pelo FIG todos os anos.

Bebendo na fonte do circo, Divinas faz apresentação impecável no Teatro Souto Filho

As palhaças Zanoia, Uruba e Bandeira encantam plateia (Foto: Eric Gomes)

As palhaças Zanoia, Uruba e Bandeira encantam plateia (Foto: Eric Gomes)

No começo da noite, mais uma vez os narizes vermelhos e as roupas coloridas puderam ser vistas em Garanhuns. Desta vez o circo é uma fonte que divide espaço com poesia e drama. As três figuras femininas que ostentam no palco os narizes clássicos do palhaços, estão em busca de um outro mundo, uma alegria, uma besteirinha, como dizem as personagens. Zanoia, Uruba e Bandeira, vividas por Lívia Falcão, Fabiana Pirro e Odília Nunes, saem pela estrada da vida sem abandonar suas buscas, seus medos e suas profundidades. O espetáculo, que arranca gargalhadas constantes da plateia que lotou o Teatro Souto Filho, é intrigante porque consegue jogar magistralmente com muitos elementos distintos.

Neste noite, quem estava presente na platéia foi Carlos Alberto Moraes, de 31 anos. Carlinhos é deficiente visual, e estava em uma das filas do teatro, usando fones de ouvido para poder apreciar a montagem através da audiodescrição. Divinas, assim como diversos outros espetáculos apresentados no Festival de Inverno deste ano, contaram com recursos de acessibilidade, que garantiram o acesso a pessoas com deficiencia. “Nos dois espetáculos de circo que eu assisti ontem e hoje, eu me senti como se eu tivesse enxergando. Todos os movimentos, todas as cenas, tudo o que o elenco fazia, estava sendo descrito pra gente. Muito bom mesmo! É fantástico”, vibra Carlinhos. “Eu, pelo menos, me sinto numa situação bem mais confortável enquanto pessoa cega com a audiodescrição”.

Carlinhos (no centro) assiste ao espetáculo através de audiodescrição (Foto: Eric Gomes)

Carlinhos (no centro) assiste ao espetáculo através de audiodescrição (Foto: Eric Gomes)

 Neste sábado (20/7) ainda é possível acompanhar a programação de Circo e Teatro no FIG. O Teatro Luiz Souto recebe, às 19h, o espetáculo “O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas”, da Trupe Ensaia Aqui e Acolá (PE). E o Espaço do Circo tem uma Mostra de Artistas Circenses (C.C.P.C. Carcará – Cabo de Santo Agostinho/PE), a partir das 14h.

 

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