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Festival de Inverno

O encanto das miniaturas para quem gosta de espiar

A cubana Yusa e o argentino Quique Ferrari, em duo, dominaram as atenções do público no Palco Pop

Quando a gente espia, vê o “Papo de bar” (Foto: Daniel Protzner)

Quando a gente espia, vê o “Papo de bar” (Foto: Daniel Protzner)

Quem não conferiu pode ter, nesta sexta (26/7), a experiência de ver o teatro lambe-lambe, no encerramento das oficinas, a partir das 14h, na Aesga

Por Leidson Ferraz

Terça-feira pela manhã, dia 23 de julho, e um motorista de carreta larga o copo de cerveja num bar e dirige-se a um teatrinho minúsculo, para conferir o que é aquela atração tão diferente, perto do Palco da Cultura Popular, no 23ª FIG. Seguindo as orientações do “dono do brinquedo”, o recifense Robson Freitas ou Robinho, como é mais conhecido, 34 anos, coloca dois fones no ouvido e enfia a cabeça numa caixa que lembra o material de trabalho daqueles fotógrafos de “lambe-lambe”, em extinção. Depois de dois minutos, sai com um sorrisão no rosto, assim como todos os outros espectadores que lá estiveram. Foram até 40 por dia, todos acompanhando o espetáculo “Papo de bar”, da Cia. Artística Avenida Lamparina, de Jaraguá do Sul, Santa Catarina.

“Já vi muito teatro, mas como esse não, com bonecos tão bonitinhos. E olha que vivi caso bem parecido com o desses rapazes, bebendo em mesa de bar e discutindo sobre a melhor cerveja. Mas no final, a gente acaba tomando qualquer uma mesmo”, disse, indicando logo ao amigo que o acompanhava, de verdade, num bar que valia a pena assistir aquele trabalho. Dentro do balcão do estabelecimento, uma outra espectadora já contabilizava duas sessões conferidas do mesmo espetáculo. Era Ariane Toledo, de apenas 8 anos, neta da dona do bar “O rei da temperada”, perto do qual estava instalado a mini produção catarinense de teatro de formas animadas. “Essa peça fala da amizade e lembra os meus brinquedos. Eu pretendo ver de novo, se der”, comentou.

Ao lado da caixa de 32 x 24cm, com pano preto acoplado, estava Thiago Daniel, ator manipulador que, enquanto os espectadores ouvem o diálogo gravado entre dois bonecos de 18 cm, feitos com cara de espuma e corpo de pano, cuida da luz e do som do diminuto teatro, além das varas que possibilitam movimento aos personagens. Dentro do ambiente, um bar repleto de copos e bebidas em miniaturas dá margem para a discussão dos dois beberrões, cada qual defendendo o título de melhor cerveja – para aquela que é mais gelada feito sorvete, ou para a outra que combina com tudo, até com pastel! O final questiona até que ponto a invasão da mídia televisiva pode influenciar no nosso gosto. Há três anos dedicando-se à técnica do chamado teatro lambe-lambe, Thiago estava feliz com a resposta do público no FIG: “O que mais gosto é a possibilidade da intimidade, já que o espetáculo é feito para uma pessoa por vez”.

Formação

Para propagar ainda mais o teatro lambe-lambe, os caixeiros Laércio José do Amaral e Jô Fornari, da Cia. Andante, da cidade de Itajaí, também de Santa Catarina, coincidentemente vieram ao FIG para ministrar oficina com 21 alunos participantes, entre artistas do teatro e educadores. “Podemos dizer que o estado catarinense possui uma dinâmica maior na produção desta linguagem, que existe há mais de 20 anos por lá, mas ganhou força a partir de 2007, com a 1ª Mostra de Teatro Lambe-Lambe. Em 2006, construímos nossa primeira caixa e, de 2008 a 2010, desenvolvemos um projeto de pesquisa sobre materiais, dramaturgia e, inclusive, técnicas de possibilidade de extrapolar a caixa, que nós chamamos de intervenção externa”, disse Jô Fornari, cujo repertório da companhia já contabiliza seis mini espetáculos diferentes.

Esta é a segunda vez que a dupla traz a oficina “Teatro lambe-lambe – caixa misteriosa” ao Nordeste, após passar por Campina Grande. “Nosso objetivo é ensinar o processo de feitura da caixa e do espetáculo, com todos partindo para a construção dos mesmos, numa referência aberta para os temas e os materiais utilizados, podendo ser bonecos de papel machê ou pano, outros objetos, as próprias mãos e até sombras. O que vale é a magia por ser miniatura numa produção de curta duração, que vai de 2 a 4 minutos”, esclareceu. O resultado poderá ser conferido pelo público no Polo Aesga (Autarquia de Ensino Superior de Garanhuns, Av. Caruaru, 508) nesta sexta-feira, dia 26/7, a partir das 14h, com a culminância de todas as oficinas deste 23º FIG. A entrada será franca.

*A linguagem do Teatro Lambe-Lambe surgiu no Brasil, no final da década de 1980, criada pelas bonequeiras Ismine Lima, do Ceará, e Denise dos Santos, da Bahia, inspiradas nos antigos fotógrafos de “lambe-lambe”.

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