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Festival de Inverno

Oficinas de formação cultural empolgam o Polo Castainho

Por Cecília Almeida

Caminhávamos pela rua de terra que nos levava do palco até a escola municipal Virgília Garcia Bessa, onde parte das oficinas do Polo Castainho são ministradas. Ao meu lado, a jovem Quitéria Vitorino (foto), de 18 anos e que veio da comunidade Estrela, tinha um especial brilho nos olhos ao me falar sobre sua paixão por fotografia, tema da oficina de que está participando durante o Encontro Troca de Saberes Crioulos, no 22° Festival de Inverno de Garanhuns (FIG).

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Sua fala é ligeira e contínua, mostrando o quanto ela tem a nos dizer sobre si. Para ela, a fotografia é, além de uma maneira de preservar a memória, um instrumento de ressignificação: “É uma maneira de ver além do que vemos no nosso dia a dia. Podemos passar por um lugar todos os dias e não percebê-lo de verdade. É com a fotografia que vemos os detalhes e o local ganha um sentido que está além da imagem”, disse, rindo timidamente quando falei que estava sendo poética.

Sempre foi interessada em foto, como um hobby. Agora, tem interesse em investir na fotografia enquanto arte e, quem sabe, como profissão. Está ansiosa para entender melhor como utilizar a luz e explorar diferentes enquadramentos. Seu objeto preferido? As paisagens. “Quando vemos a fotografia de uma paisagem, podemos realmente ver sua riqueza de detalhes, suas belezas e, também, como a gente estraga o meio ambiente”, explica.

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Oficina “Jogar para o ar”, no Polo Castainho. Foto: Edmar Melo/Secult-PE

Chegando à escola, uma diversidade de práticas culturais mantinha crianças, jovens e adultos quilombolas entretidos. No pátio, crianças aprendiam, em grupos de quatro, a confeccionar seus próprios malabares, decorando bastões com fita adesiva colorida enquanto a dupla de facilitadores pacientemente indicava o passo a passo do exercício. Nas salas, além da aula sobre fotografia, oficinas sobre temas como teatro e discussão sobre políticas públicas.

Sobre essa iniciativa de formação cultural, Quitéria elogia o FIG e diz que todo ano participa das atividades no Polo Castainho. Em outras edições, já participou de oficinas de dança, percussão e história. “A gente encontra algo com que se identifica e pode descobrir coisas novas. Podemos aprender coisas que por aqui não tem e isso complementa nosso dia a dia”, justificou.

A educadora e repórter fotográfica Synara Kllyni, que veio do Recife para ministrar a oficina de fotografia “Mulheres Quilombos – Luta e Resistência”, foi quem me apresentou Quitéria. “É que ela gosta de falar bastante”, brincou. A oficina, que terá momentos teóricos e práticos, busca discutir questões sobre gênero e sexualidade, representação midiática e a técnica fotográfica propriamente dita. “É uma galera que se empolga,  que curte, que tá a fim. Uma oficina de fotografia é algo que eles não têm acesso em todo lugar, é uma realidade distante. Também vejo que eles estão interessados na fotografia não apenas como lazer, mas como alternativa profissional”, comentou Synara. Ela também avisa que na sexta-feira (20/7), último dia das oficinas, uma mostra das fotos tiradas pelos alunos será exibida no Polo Castainho.

Além da escola, outros espaços estão abrigando oficinas de temas variados, explorando conhecimentos técnicos, como artesanato em palha de coco, modelagem em barro e vestimenta e amarração. Algumas oficinas ainda debatem temas teóricos, como gênero, raça, etnia e sustentabilidade. Nos intervalos, as comunidades presentes em Castainho podem conferir shows de grupos musicais e artes cênicas, além da exposição de artesanato.

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