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Festival de Inverno

Palco Pop com sotaque francês

Bande Dessinée se apresenta pela primeira vez no FIG, em meio à turnê de divulgação do disco “Sinée qua non”

Bande Dessinée em turnê, com “Sinée qua non” (Foto: Marcelo Soares)

Bande Dessinée em turnê, com “Sinée qua non” (Foto: Marcelo Soares)

por Leonardo Vila Nova

Pela primeira vez se apresentando no Festival de Inverno de Garanhuns, a recifense Bande Dessinée trouxe para o friozinho aconchegante da cidade ares franceses. Em meio à turnê nacional que eles estão levando para oito cidades brasileiras, divulgando o seu primeiro álbum, “Sinée qua non”, uma paradinha estratégica no FIG 2013, em show no Palco Pop (Parque Euclides Dourado).

Para algum possível desavisado, uma banda pernambucana que toca músicas em francês pode soar nada a ver. Porém, não são incomuns os links entre a música brasileira e a francesa. “A música brasileira sempre foi muito canibal, de reprocessar influências de todo o mundo. Na França da década de 1960, existia esse mesmo pensamento. Ao você ouvir um disco de Serge Gainsbourg, France Gall ou Brigitte Bardot, você vai encontrar cumbias, boleros, dubs, reggaes, bossa nova, samba, marchinhas de carnaval. Eles estavam antenados nessa mesma sintonia“, explica Filipe Barros, guitarrista, fundador e principal compositor da banda.

Esse diálogo de culturas também se estabelece no campos das versões criadas a partir de músicas em língua francesa. O famoso “Borogodá”, de Reginaldo Rossi, é uma versão de “Les cornichons”, de Nino Ferrer. Assim como “Tu veux ou tu veux pax”, de Brigitte Bardot, que tem em “Nem vem que não tem”, de Carlos Imperial, o seu correspondente brasileiro. Conexões estabelecidas e sintonizadas, eis que o público se identifica com o som da Bande Dessinée.

Em um show cheio de climas, eles passeiam por diversas nuances musicais. Vão de uma pegada mais rock (como tem se observado nos shows mais recentes da banda), passando por boleros com arranjos super sofisticados, até os ritmos para “xumbregar” (como se diz em bom “pernambucanês”, para dançar agarradinho, cheio de malemolência). Ao longo do show, uma boa parte do repertório do “Sinée qua non”, mais algumas novidades, como as canções “Perdizes” (próximo single da banda, previsto para agosto) e “Navegador”.

Nos momentos finais da apresentação, eles se voltam para um repertório que remete ao início da carreira da banda (lá em 2007), pinçando compositores e artistas que são inspiração da Bande Dessinée. Entre elas, “Moliendo café”, “Paroles paroles” e “Cha cha cha do loup”, com inserções de “Robots”, do Kraftwerk. Em palco e em disco, uma banda que vem desfazendo barreiras entre França e Brasil e ressaltando afinidades nem sempre tão nítidas assim, mas que sempre estiveram ali.

 

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