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Festival de Inverno

Polo Castainho se despede com resultado das oficinas

Dez oficinas realizadas durante o Festival de Inverno de Garanhuns apresentaram seus resultados nesta tarde de festa na comunidade quilombola

Em Castainho, povos tradicionais apresentam resultado das oficinas (Foto: Tom Cabral/Secult-PE)

Em Castainho, povos tradicionais apresentam resultado das oficinas (Foto: Tom Cabral/Secult-PE)

Depois de uma semana recebendo oficinas, mostra de artesanato e apresentações culturais, nesta sexta-feira (20/7) se encerraram as atividades no Quilombo Castainho, onde  foi realizado o Encontro de Troca de Saberes Crioulos. E o clima de enceramento foi de festa com a culminância das dez oficinas realizadas que se apresentaram, uma a uma no palco aramado na comunidade.

Vestidas e pintadas as meninas da oficina de vestimenta e amarração demonstraram o que aprenderam. “Estou usando vestido com amarração nagô, recomendado para as danças de ciranda e afoxé, e no rosto estou com uma pintura ancestrálica”, disse Ivaniza Lima, 19 anos, do Quilombo Angico de Cima, em Bom Conselho, enquanto desfilava no palco. “Achei muito importante o que aprendi, ainda mais para quem faz parte do grupo de dança”, complementou Daniele da Silva, 14 anos, Emocionada, Fabiana Isídio, de 25 anos, viu suas alunas se apresentarem. “Foi muito importante vê-las. Quando a gente faz um trabalho e vê ele dando certo é muito bom”, afirmou.

A oficina de artesanato na palha de coco também demonstrou seus produtos. Esteiras, bolsas, lamparinas e garrafas feitas com material recolhido do próprio quilombo. “Ensinei desde o momento da retirada da palha até o trançado. Eles se interessaram muito”, disse satisfeito José Uri, artesão do Quilombo de Caluete, que dividiu sua habilidade com os demais.“Sou dona de casa e agora vou começar a trabalhar com a palha do coqueiro e quem sabe até aumentar a minha renda familiar”, disse Lúcia Martins, de 32 anos.

Além de presenciar o resultado das oficinas, o publico reunido dançou ao som do Coco Castelo Branco, da própria comunidade e também ao som do mestre Galo Preto, detentor do título de patrimônio vivo da cultura pernambucana. Numa roda organizada ao ar livre, Galo preto improvisou e fez todo mundo pisar a terra de Castainho. Inclusive Dona Zezé Quixaba que, aos 77 anos, sabe direitinho a pisada. “Lembrei de tanta coisa. Gostei demais”, disse ela. Quando era nova, ela dançava muito, especialmente enquanto aplanava o chão de barro no final das construções de casas de taipa, como mandava a tradição. Nascido em Bom Conselho, Galo Preto passou um bom tempo em Garanhuns com seu pai. “Eu me sinto emocionado de cantar aqui de novo, mas queria ter cantado mais”, afirma. Ano que vem tem de novo.

José Carlos, articulador do Polo, estava pleno. “Para gente foi muito gratificante a presença de outras comunidades aqui durante toda a semana tanto nas oficinas quanto em reuniões e discussões. A gente só tem a ganhar com esse encontro” afirmou. Da parte da Secretaria de Cultura de Pernambuco, a satisfação era a mesma. “O encontro superou qualquer expectativa. Foi a oportunidade para dialogar com 36 quilombos do Estado”, disse Chiquinho da coordenação de Povos Tradicionais.

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