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Festival de Inverno

Raimundos faz Carnaval do rock na Guadalajara

Esplanada Guadalajara em noite de roda punk (foto: Pri Buhr)

Esplanada Guadalajara em noite de roda punk (foto: Pri Buhr)

 

Por Guilherme Gatis

No final do show do Raimundos, depois de apagadas todas as luzes e do som já ter parado de ecoar, o vocalista Digão pediu ao público que gritasse  e o nome da banda. Com o celular em punho, o roqueiro registrava o final de uma noite legendária. Segunda-feira, 22 de julho de 2013. O dia com o som mais pesado da história da Esplanada Guadalajara.

Se para o guitarrista de uma das principais bandas do rock nacional nos anos 1990 era importante gravar o mar de gente presente na Guadalajara para vê-los, para o público, a sensação era de vitória. O metal – e o Raimundos – esperaram vinte e três anos para explodir no principal palco do Festival de Inverno de Garanhuns e depois que veio, a sensação é que ficou é a de que um já não pode mais existir sem o outro. “O rock merece esse espaço. Tivemos uma atmosfera ótima aqui, uma polícia que entendeu o espírito da coisa e deixou o pessoal brincar na paz, junto com uma técnica que jogou muito a nosso favor, foi tudo muito acertado. Precisa acontecer mais vezes”, defende o vocalista.

O baixista Canisso, o outro remanescente da formação original, concorda. “Hoje foi um dia muito feliz, fizemos o Carnaval do metal em Garanhuns”. Com arranjos mais pesados e acompanhados por Marquim (guitarra) e Caio (bateria), as músicas dos Raimundos de fato geraram no público, em sua maioria formados por jovens e adolescentes, um frenesi de um carnaval acelerado. “Pode parecer meio complicado para quem não está familiarizado entender, mas o que parece violência na verdade é um escape. O povo precisa exorcisar seus bichos”, explica o baixista.

Digão e Canisso, membros da formação original dos Raimundos (foto: Pri Buhr)

Digão e Canisso, membros da formação original dos Raimundos (foto: Pri Buhr)

Com pinta de comediante e comunicador, Digão conduzia a plateia, deixando para o público cantar junto diversos refrões clássicos do Raimundos ou simplesmente pedindo para as pessoas responderem o barulho do palco com mais barulho ainda. Com imitações de Sérgio Malandro (ié, ié) e tentando sempre fazer o mea culpa para justificar os palavrões de algumas das músicas, Digão e os Raimundos fizeram uma homenagem ao cantor Chorão, ex-Charlie Brown Jr., falecido recentemente.  Ele ainda encontrou espaço para tocar um trecho de Times Like These, do Foo Fighters.

Tão rápido quanto as rodas de pogo (ou roda punk), o tempo do Raimundos terminou. Não sem o protesto de Digao. “Tão dizendo aqui que só temos mais dez minutos, olha que maldade. Por mim a gente tocava muito mais”, comentou, pouco antes de empunhar seu celular pra registrar em vídeo. Que esse peso venha mais vezes para a Guadalajara.

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