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Festival de Inverno

Tankalé: contar para o mundo

Encontro de Produtores de Audiovisual de Povos Tradicionais de Pernambuco acontece pela primeira vez em Garanhuns

(Foto: Magda Silva)

(Foto: Magda Silva)

Por Maria Peixoto

Em 2005, uma oficina de audiovisual realizada em Conceição das Crioulas pelo Centro de Cultura Luiz Freire, em parceria como projeto Identidades, de Portugal, deu início ao “Crioulas Vídeo”, grupo formado pelos jovens da comunidade. Depois desse pontapé inicial, os jovens tornaram-se multiplicadores da formação em outras comunidades quilombolas, Quilombo Santana e Quilombo Contendas (Salgueiro) e Território Águas do Velho Chico (Orocó), com o projeto Tankalé, de formação técnica e pedagógica.  E em cada um desses lugares, os jovens começaram a formar suas próprias produtoras.

Processo parecido se passou com a Aldeia Xukuru do Ororubá. Em 2008, alguns cineastas (Wilson Freire, Antonio Carilho, Sarungauá) realizaram oficinas por lá, deixando como fruto a produtora Ororubá Filmes, de realizadores indígenas. Hoje, os jovens xucurus têm a ideia de formar uma rede de audiovisual indígena, o “Giro nas aldeias” e de montar uma tevê. Um dos jovens, Guila, de 20 anos é estudante de direito e articulador da Comissão Indígena de  Pernambuco. Ele conta a importância que o audiovisual tem para “fortalecer a identidade, divulgar a história do povo, fazer pressão política e envolver a juventude no processo de luta”. Guila diz que aproximação com o universo do cinema fez com que ele se tornasse um militante, “descobri realmente a minha identidade”, afirma.

Já Keká, de 26 anos, de Conceição das Crioulas, conta que sofreu o processo inverso, “entrou na luta como militante e teve a necessidade de comunicar”, daí, o audiovisual surgiu como meio. Concordando com a função que o cinema tem para ambos os povos, ela acrescenta, “Usamos a câmera como ferramenta de defesa”. Nessa mesma linha, Guila conta que um dos vídeos do Ororubá Filmes chegou a ser usado em júri popular, contra a criminalização das lideranças indígenas.

Keká conta que em Conceição das Crioulas há também um trabalho junto às escolas, os vídeos servindo de material pedagógico para fortalecer a causa quilombola. “É preciso que as pessoas  tenham a coragem de assumir a condição de negros quilombolas”, afirma. “Quanto mais oficinas a gente realiza, mais pessoas a gente vai envolver”, diz Guila. A ideia do Ororubá é exibir filmes e realizar palestras nas aldeias indígenas. Guila conta que os vídeos podem ser voltados para promover um impacto interno, fortalecer a juventude, ou externo, criar uma rede de solidariedade, “ao conhecer a causa, as pessoas passam a simpatizar, a se sensibilizar”, afirma.

Guila e Keká e outros amigos indígenas e quilombolas se conheceram no Encontro de Produtores de Audiovisual de Povos Tradicionais de Pernambuco, dentro da programação do FIG 2013. Esse foi o primeiro encontro entre os jovens realizadores desses dois povos que tanto têm em comum. Mas eles pretendem que esse seja o primeiro de muitos. Tanto é que pensaram numa primeira ação conjunta: uma mostra de vídeos produzidos por povos tradicionais de Pernambuco.

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