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Festival de Inverno

Teatro trouxe reflexões sobre cotidiano e sonhos humanos

“Caxuxa” alegrou o público infanto-juvenil enquanto “Ana-me” trouxe reflexões poéticas sobre o cotidiano.

Espetáculo “Ana-me”, do grupo Teatro de Senhoritas (SP), realizado no Teatro Luiz Souto

Espetáculo “Ana-me”, do grupo Teatro de Senhoritas (SP), realizado no Teatro Luiz Souto Dourado (Foto: Marcelo Soares/Secult-PE)

Por Cecília Almeida

“Tem que sonhar, porque senão fica chato”. Foi em tom de música que o espetáclo “Caxuxa” deu o recado ao público deste domingo (15/7) no Espaço Infanto-Juvenil do 22º Festival de Inverno de Garanhuns. O musical, produzido pela companhia teatral recifense Duas Companhias, assinado por João Falcão e dirigido por Lívia Falcão, conta a história de um grupo de moradores de rua que passam a noite brincando de sonhar acordados.

Pela visão ingênua de crianças, a peça reflete de maneira sutil sobre problemas sociais como anafalbetismo, fome e trabalho infantil. Mas a grande mensagem do espetáculo é a importância do sonho: Caxuxa, personagem título, e seus amigos Zé, Graxa, Maria do Saco e Caracol, encontram alegria em meio ao seu dia a dia, apenas por ainda manterem viva a habilidade de sonhar coletivamente. ”Eles querem dizer que é pra gente nunca deixar de sonhar, e isso vale pra todas as idades”, comentou o estudante Gustavo Gomes, 15, que se divertiu bastante com o musical.

“Caxuxa” também tem momentos didáticos, dando lições sutis sobre consciência ambiental, ensinando sobre o alfabeto, planetas e cores. ”Eles passaram esses recados de maneira simples, de um jeito que todo mundo entende”, afirmou a dona de casa Edna Nascimento, que acompanhou os filhos Gustavo, de oito anos, e Gabriele, que tem quatro.

A atriz Natascha Falcão, que interpreta a personagem Graxa, adorou ter vindo a Garanhuns pela primeira vez e elogiou a recepção do público. “Os aplausos foram tão calorosos que pareciam abraços”, disse. A Duas Companhias também assina a produção da peça Divinas, que será apresentada na próxima sexta-feira (20/7), no FIG.

Já a apresentação de teatro adulto, realizada às 19h no Teatro Luiz Souto Dourado, também fez pensar sobre os desejos e sonhos humanos, mas num tom mais obscuro. Da companhia paulista Teatro de Senhoritas, o espetáculo Ana-Me, livremente inspirado no conto de Clarice Lispector “Amor”, traz uma abordagem irônica e poética da vida cotidiana de uma dona de casa emudecida chamada Ana, que se limita a desempenhar tarefas repetitivas todos os dias. Tudo muda quando ela vê um cego mascando chiclete na rua e tem uma epifania, se permitindo a descobrir sentimentos e sonhos que antes ela não enxergava em si mesma.

“É uma visão diferente do cotidiano, do que se passa no dia a dia”, avaliou o aposentado e deficiente visual José Luciano de Araujo, 52, que apreciou o espetáculo por meio do equipamento de audiodescrição disponível no teatro. Além dele, mais oito deficientes visuais e dois deficientes auditivos puderam acompanhar a peça, que também teve interpretação em libras, como uma das ações de acessibilidade do 22º FIG. “É através da cultura que a gente sai da rotina”, disse José, que elogiou a iniciativa do Festival.

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