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Festival de Inverno

“Verônica” de olhos abertos

Hermila Guedes é a protagonista de “Era uma vez eu, Verônica” (Foto: Divulgação)

Hermila Guedes é a protagonista de “Era uma vez eu, Verônica” (Foto: Divulgação)

Por André Dib

“Era uma vez eu, Verônica” demarca mudanças no cinema de Marcelo Gomes. Em seu terceiro longa-metragem, sua investigação recai sobre o comportamento do jovem contemporâneo, dividido entre o exercício da liberdade e as responsabilidades da vida adulta. Foco na crise profissional e afetiva de uma estudante de psiquiatria, vivida por Hermila Guedes.

Escrito para Hermila e inteiramente rodado no Recife, o filme se alterna em três núcleos: familiar, profissional e boêmio. Nos dois primeiros, Verônica sofre angústias: enquanto seu pai (WJ Solha) desenvolve uma doença degenerativa, ela precisa encarar o primeiro emprego em hospital público. À noite, ela destensiona com bebida, amigos e sexo. Apaixonado, ao namorado (João Miguel) cabe esperar a resposta de Verônica a seu pedido de casamento.

Autor do premiado “Cinema, aspirinas e urubus” (2005) e “Viajo porque preciso, volto porque te amo” (2009), codirigido com Karim Aïnouz, Marcelo Gomes desenvolveu o roteiro de “Verônica” após escrever crônicas e entrevistar dezenas de jovens na faixa etária da protagonista. “São duas ou três horas de entrevista que talvez um dia se tornem um interessante documentário”, diz o diretor.

“Nas pesquisas, detectei que a maturidade nos jovens chega muitas vezes na esfera profissional, mas muitas vezes ela não vem acompanhada pela maturidade afetiva. E que a sociedade ficou mais capitalista, impondo a necessidade de progresso profissional, mas, por outro lado, existe uma liberdade maior, o que gera a angústia sartriana de ter muitas opções na vida”.

“Era uma vez eu, Verônica” foi premiado como melhor filme, montagem e roteiro, no 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que ainda concedeu ao longa o prêmio Vagalume, eleito por um júri especial, formado por pessoas com deficiência visual, do projeto Cinema para Cegos. No FIG, o filme é exibido na quarta-feira (24/7), às 19h, desta vez sem recurso de áudio-descrição.

 

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