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Festival de Inverno

Viva o Boião’s Blues Rock Festival!

Boião dá as boas vindas aos discípulos do rock! (Foto: Ricardo Moura)

Boião dá as boas vindas aos discípulos do rock!
(Foto: Ricardo Moura)

Por André Dib

Pelo 12º ano consecutivo, Garanhuns conta com o Boião’s Blues Rock Festival, palco alternativo e exclusivo para o rock’n’roll, que este ano reúne onze bandas, sendo quatro da cidade, duas do Recife e duas de São Paulo. Quem organiza é Adalberto Belo Silva, o Boião. Híbrido de Ozzy Osbourne, Slash e Alice Cooper, mais do que um personagem, Boião é uma celebridade local. Pessoas de diferentes gerações o cumprimentam e fazem fotos a seu lado.

Seu bar funciona há 23 anos no centro da cidade e presta tributo ao rock clássico dos anos 1970. Na entrada dos banheiros, no lugar das placas de masculino” e “feminino”, há fotos de Frank Zappa e Janis Joplin. Nas paredes, painéis com Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Jehtro Tull induzem ao culto, enquanto fotos de Boião com o político Armando Monteiro, o agitador cultural Roger de Renor e o presidente da Fundarpe, Severino Pessoa, integram seu Hall da Fama particular. Homenageado na edição do ano passado, Pessoa prestigiou a abertura do evento, ontem (sexta) à noite.

A história de Boião é tão curiosa quando o seu evento. Ele conta que o apelido vem desde a infância, fruto da brincadeira de um tio, que assim o batizou por ter nascido no Piauí. “Foi por conta da música ‘Boi do Piauí’. Primeiro foi Boiô, depois Boinho, Boi e ficou Boião”, explica o empresário, que apesar de ter nascido em Picos, se considera pernambucano. “Me mudei pra cá com um ano de idade, minha mãe é de Garanhuns, meu pai de Caruaru”.

Dos oito irmãos, Boião foi o único que seguiu a trilha do rock. “Não fui influenciado por ninguém. Aos doze anos escutava o programa do Big Boy, transmitido pela rádio Mundial do Rio de Janeiro. Roubava o rádio do meu irmão e ficava escutando, à noite. Assim conheci o Pink Floyd, Creedence, Nazareth e várias outras bandas”. Nessa época, o forró reinava em Garanhuns. “Nós éramos tachados de vagabundos e maconheiros”, lembra o velho roqueiro.

Banda Dominic abre a programação do festival (Foto: Ricardo Moura)

Banda Dominic abre a programação do festival
(Foto: Ricardo Moura)

Enquanto isso, no palco, discípulos de vinte e poucos anos ostentam suas guitarras e fazem poses heroicas, tocando algo que lembra Los Hermanos. Boião garante: “A próxima banda é muito boa, só toca The Doors, Beatles e Led Zeppelin”, fazendo referência ao grupo Tatupeba, que normalmente faz shows de forró, mas de vez em quando veste a camisa preta.

Por conta dos óculos escuros e peruca com cabelos longos, é fácil imaginar que Boião se inspira em Ozzy Osbourne, lendário vocalista da Black Sabbath. No entanto, seu ídolo se chama Alice Cooper, do qual mimetiza até o comportamento histriônico. Dos Rolling Stones, ele não se identifica individualmente com Mick Jagger ou Keith Richards, mas com o espírito da banda. “Me sinto como fosse um deles”. Ao ser perguntado sobre a mistura do rock com outros gêneros, como a música eletrônica, samba ou forró, Boião interrompe logo: “o rock tá na dele! Gosto de forró, mas aqui é cada um na sua”, diz, categórico.

Desde o ano passado, o Boião’s Blues Rock Festival acontece não só com o apoio da prefeitura da cidade, como do Festival de Inverno de Garanhuns, que incrementou a programação com mais bandas. Neste sábado (27), a partir das 17h, se apresentam os grupos In Rock (PE), Kiko Loureiro (SP), Up Town Band (PE) com participação de Kenny Brown (EUA) e Kaoll (SP).

Por conta das bandas de metal, Boião disse que se vestirá de acordo, com mais correntes e pulseiras. Aos 55 anos, ele vê em seu Woodstock particular a realização de um sonho. “Minha época áurea foi no Recife, onde vivi por dez anos. Lá sonhava em ganhar na loteria e comprar um prédio para fazer festas para os amigos. Voltei para Garanhuns e hoje tenho este evento, feito com muita luta. Nunca ganhei na loteria, ma ganhei um monte de fãs”, diz, emocionada, esta legítima encarnação do rock’n’roll.

 

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