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Festival de Inverno

A expressão e o movimento da dança dão corpo livre ao FIG 2018

De 21 a 26 de julho o público poderá conferir em Garanhuns espetáculos de vários cantos do país, além de participar de duas oficinas gratuitas

Rogério Alves/Divulgação

Rogério Alves/Divulgação

O bailarino Orun Santana, diretor do Daruê Malungo, irá apresentar o espetáculo solo ‘Meia Noite’

Por Marcus Iglesias

Assim como toda expressão artística que mexe com o corpo, a dança é uma manifestação da cultura do movimento. Seja como forma de expressar a vida, sonhar e brincar com as possiblidades, tais movimentos podem trabalhar também em cima de urgentes questões sociais, políticas e culturais. Quem for conferir a programação de Dança do 28º Festival de Inverno de Garanhuns vai encontrar um recorte importante de espetáculos de vários estados do país, que de alguma forma trazem este diálogo sobre a diversidade de ideias;

Uma das participações é a do bailarino Orun Santana, diretor do Daruê Malungo e que irá apresentar um espetáculo solo, o Meia Noite, além de ministrar a oficina Dança afro contemporânea. Segundo ele, o que irá levar ao FIG tem muito a ver com a pesquisa que passou a desenvolver dentro da universidade e durante sua história com o grupo cultural de Peixinhos.

Rogério Alves/Divulgação

Rogério Alves/Divulgação

Ele conta que na performance irá fazer uma referência ao pai, o Mestre da Meia-Noite, que tem mais de quarenta anos de carreira

“Fui formado nas danças populares, como a capoeira, e dentro das minhas pesquisas pessoais, tanto na direção da Daruê, como nas minhas pesquisas do espetáculo solo Meia Noite, eu trago muito a relação pai e filho, mestre e discípulo que tenho. A própria história do meu pai está relacionada a cultura popular, mas também a grupos contemporâneos, como o Grial de Dança e o Experimental”, explica Orun Santana.

Ele conta que no seu trabalho irá fazer uma referência ao pai, o Mestre da Meia-Noite, que tem mais de quarenta anos de carreira. “Mas tento direcionar também com as formações que pude vivenciar. E ai a construção dramatúrgica é sobre um corpo que está ligado nas tradições, mas também se se relaciona com as vivências do mundo contemporâneo”.

Rogério Alves/Divulgação

Rogério Alves/Divulgação

Entre os dias 24 e 25 de julho, às 13h, Orun Santana ministrará a oficina ‘Dança afro contemporânea’, com classificação etária 16 anos

Na segunda-feira (23/7), Orun apresenta o solo Meia Noite, às 17h, na Sala Dança Sesc. No mesmo local, já entre os dias 24 e 25 de julho, às 13h, ele ministrará a oficina Dança afro contemporânea, com classificação etária 16 anos. Ele revela ainda que a oficina que irá ministrar não se detém apenas a repassar os movimentos de origem afro. “É também estimular a criação pra esse ser da cultura popular. Entender que a arte não parte de um lugar estagnado, e que a gente pode também criar, sempre trabalhando com o princípio de movimento. É um espaço pra que esses corpos aprisionados possam criar. Na minha formação eu sentia uma dificuldade de entender o corpo a partir de outras referências”.

Quem também ministra uma oficina durante o FIG é a artista Anne Costa, com a oficina Dança dos Orixás. As aulas serão realizadas nos dias 22 e 23 de julho, às 13h, na Sala Dança Sesc. A classificação etária é 16 anos. “Geralmente como são as minhas oficinas de dança, vamos ter uma parte física bem intensa, de buscar as possibilidades com o corpo, trabalhar fortalecimento, alongamento e respiração. Todo o trabalho será voltado para a perspectiva do entendimento cultural da estética dos orixás”, detalha Anne Costa.

“Eu abordo mais especificamente Oxum, Xangô, Iansã e Ogum para trabalhar com a movimentação que caracteriza a apresentação dessas entidades, bem como a musicalidade de cada uma. Eu acho que aula de dança, conhecimento sobre seu corpo, ele já traz um Q de libertação. Entender os limites e potencialidades que o corpo tem, e muitas vezes a gente só consegue descobrir isso numa aula de dança. Vale destacar que a oficina não tem cunho religioso, mas que é inevitável trazer um contexto informativo e histórico”, ressalta a bailarina.

Outro espetáculo de dança em cartaz na programação do FIG 2018 é o Metal, do Balé Cidade de Campina Grande (PB), com coreografia do renomado Rafael Gomes. Metal dialoga diretamente com o coletivo e observa o comportamento do mesmo corpo no ambiente solitário. A trilha sonora é composta por ruídos industriais, e também fazem parte da cena temas abordados no cotidiano contemporâneo, como o respeito à mulher, a diversidade e a personalidade.

Divulgação

Divulgação

O espetáculo ‘Metal’, do Balé Cidade de Campina Grande (PB), tem a coreografia assinada pelo renomado Rafael Gomes

Metal mostra um pouco dessa incessante briga por uma posição no mercado. A gente fez uma alusão ao garimpo em Serra Pelada. No primeiro momento é um espetáculo mais colorido, porque retrata a riqueza do ouro, já no segundo momento a gente fica em preto e branco, inspirado nas fotografias do Sebastião Salgado. A gente tem uma cena muito forte no espetáculo da mulher tentando se libertar da sobreposição que se impõe nela”, conta Erasmo Rafael, diretor da Cia e diretor artístico da montagem.

Leo Lin/Divulgação

Espetáculo ‘Eu Outro’ também integra a programação de Dança do FIG 2018

“No que diz respeito à liberdade, além da gente querer dar mais um passo neste sentido, ao mesmo tempo tentamos nos livrar de tudo que nos cerca e nos prende, seja a sociedade, nossos medos ou conflitos. O espetáculo vai mostrar basicamente isso, que a gente precisa garimpar sempre pra que consigamos nos sobrepor aos problemas sociais”, conclui Erasmo Rafael.

porque somos mutantes - cia fragmento de danca - credito Leo Lin 2

‘Porque somos mutantes’ também integra a grade artística do FIG este ano

PROGRAMAÇÃO DE DANÇA 28º FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS

SALÃO JAIME PINCHO SESC

Sábado, 21/7
17h – Segunda Pele
Coletivo Lugar Comum/PE – projeto palco giratório

Domingo, 22/7
17h – Devolve duas horas da minha vida
Projeto MOV_OLA/SP

Segunda-feira, 23/7
17h – Meia Noite
Daruê Malungo/PE

Terça-feira, 24/7
17h – O Grito
Coletivo SOMA/PE

Quarta-feira, 25/7
17h – Porque somos mutantes
Cia. Fragmentos/SP

DANÇA – TEATRO LUIZ SOUTO DOURADO

Terça-feira, 24/7
19h – Eu Outro
Cia Fragmentos/SP

Quarta-feira, 25/7
11h – Cinderela
Academia de Dança Marte Melo / Garanhuns-PE
19h – Metal
Balé Cidade de Campina Grande/PB

Quinta-feira, 26/7
10h – O tempo perguntou ao tempo
Grupo Ocaso/PE

OFICINAS
Orun Santana – Dança afro contemporânea
Dias 24 e 25 às 13h
Local: Sala Dança Sesc
Faixa etária: 16 anos

Barbara Aguiar e Anderson Dimas – Brincando com Danças Urbanas
Dias 24 e 25 às 9h30
Local: Espaço Bailarte
Faixa etária: a partir de oito anos

Anne Costa – Dança dos Orixás
Dias 22 e 23 às 13h
Local: Sala Dança Sesc
Faixa etária: 16 anos

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