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Festival de Inverno

Autoficção inquieta e motiva público na Praça da Palavra

Sessão de debate sobre literatura e autoficção na tarde deste sábado (18) reúne público curioso pela obra do escritor Ricardo Lísias

Por: Raquel Holanda

A primeira tarde de atividades da Praça da Palavra no Festival de Inverno de Garanhuns 2015 começou movimentada. Com o espaço lotado, o romancista e contista Mário Rodrigues começou sua conversa com o escritor Ricardo Lísias sob a temática: “Literatura e autoficção: esses espelhos”. A atualidade do termo autoficção foi percebida pelo debate motivado entre os escritores e a constante intervenção do público.

Jorge Farias

Jorge Farias

O escritor Ricardo Lísias em conversa na Praça da Palavra

Estou motivada para ler seus livros e conhecer melhor a sua obra e a autoficção”, comentou a escritora recifense Ivonete Xavier, que não conhecia o escritor e chegou ao debate curiosa pela temática. Mas o público presente se misturava entre os curiosos e aqueles que esperavam a oportunidade de encontrar o escritor pessoalmente. O escritor de Garanhuns, Matheus Rocha, era um deles. “Conheci a autoficção através do livro ‘Divórcio’, de Ricardo Lísias. E estar aqui e acompanhar os comentários dele sobre o tema só me motivam a ver e pesquisar ainda mais sobre essa literatura que muito incomoda o leitor”, revelou Matheus, que acredita ainda que vê “a autoficção como um bom exercício para escrever literatura”, complementou.

A novidade que a autoficção causa na forma de recepção de uma obra é o caráter mais particular da modalidade literária segundo Ricardo Lísias. “Depois do Divórcio não tive mais sossego”, brincou o escritor ao referir-se a seu último romance. “A autoficção é mais aguda e, por isso, a literatura que mais incomoda nos últimos tempos”, esclareceu Lísias ao tentar explicar a estranheza com que o público recebe a obra e a grande diferença entre as recepções de sua obra pela grande massa e pela crítica especializada.

O escritor Ricardo Lísias concedeu ao Cultura.PE uma pequena entrevista, na qual falou um pouco mais sobre seu processo criativo e como compreende o caos que a autoficção gera entre escritores e o público leitor.

Cultura.PE – A representação é um tema que a autoficção coloca em discussão. O que lhe motivou a trabalhar com este tema ?

Ricardo Lísias Era um andamento do projeto que já discutia a questão do narrador, dos limites da ficção. Então esse foi um caminho meio natural. Eu não tinha uma intenção consciente de escrever um romance de autoficção. Não era isso. Aconteceu simplesmente. E somente depois de lançado, quando as pessoas começaram a falar, que comecei a pesquisar e ver do que se tratava. E é um conceito muito difícil, há muitas interpretações diferentes.

Cultura.PE – A sua forma de trabalho se dá no próprio processo. Durante ele, você consegue ter ideia do que o seu texto vai provocar no leitor ?

R.LAlgumas tensões eu já procuro fabricar, mas eu não posso controlar todas. Muitas me surpreendem. Eu tento causar esse conflito e isso é um ato consciente. Mas para mim, ele também tem um limite, que é quando ele vai estar manjado para as pessoas. Aí é o tempo de eu inventar outra fórmula.

Cultura.PE – Então, a autoficção será o mote de um próximo trabalho ?

R.LNão. Para mim, a autoficção vai se esgotar. Para mim, ela está quase se esgotando. Ainda tem coisas que quero trabalhar, mas ela não vai durar muito tempo.

Cultura.PE – Qual a sua impressão do FIG, já que esta é sua primeira participação?

R.L – Estou espantado, realmente, com o festival. Eu vi a programação daqui e eu nunca estive num festival dessa dimensão. E também a diversidade, desde a arte popular até a arte erudita, e isso é bastante impressionante.

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