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Festival de Inverno

Dança e teatro levam à cena as angústias da contemporaneidade

por Márcio Bastos

Chegando à sua reta final, a programação de artes cênicas do FIG começa a apresentar um contorno bem específico para quem conseguiu acompanhá-la. Em cena, estão sendo apresentadas obras que tocam diretamente em questões muito caras à contemporaneidade. A curadoria parece ter tido o especial cuidado de proporcionar ferramentas para que a plateia aprofunde seus processos de autoconhecimento e de tomada de ação na transformação social. Pa(Ideia) – Pedagogia da Libertação, do Coletivo Grão Comum, apresentada quarta-feira (27), na Casa Galeria Galpão, foi um ótimo exemplo dessa iniciativa.

A obra é a segunda parte da Trilogia Vermelha, projeto que leva à cena as ideias de grandes realizadores e pensadores brasileiros, como Glauber Rocha, Dom Helder Câmara e Paulo Freire, este último foco da montagem encenada no FIG. Estrelada por Júnior Aguiar e Daniel Barros, a montagem aborda os dias de cárcere do pedagogo pernambucano durante a Ditadura Militar, assim como seu exílio, que durou 16 anos.

Leo Caldas

Leo Caldas

Daniel Barros e Junior Aguiar aplicam pensamento de Paulo Freire à cena

Porém, mais do que a transmissão oral, encenada, das ideias de Freire, o espetáculo assume uma potência transformadora ao aplicá-la. Aguiar e Barros, ótimos em cena, convidam o público a assumir papel ativo no que se passa na sua frente. A plateia ganha potencial transformador, afetuoso, se olha, se abraça, se reconhece em suas diferenças e igualdades.

Leo Caldas

Leo Caldas

Público é convidado a construir afetos e tomar ação no fazer teatral e na vida

Em tempos tão sombrios, de golpes e restrições à democracia, o espetáculo se torna ainda mais urgente, por vezes até doloroso. Ao mesmo tempo em que renova a esperança, toca em uma ferida pesada: até quando iremos perpetuar os erros que nos subjugam, que nos separam, que aprofundam injustiças? É hora, mais do que nunca, de sermos livres sem temer.

CONTEMPORÂNEO

A cena de dança contemporânea do Nordeste tem também mostrado fôlego no 26º Festival de Inverno de Garanhuns. Após a passagem do Giradança (RN), na quarta-feira foi a vez do Balé da Cidade de Campina Grande (PB) mostrar que a produção regional desponta como uma das mais pungentes do País. O grupo apresentou Frestas, Fôlego e Pele, espetáculo que sugere angústias relacionadas ao contato humano, à posição do indivíduo no mundo.

Leo Caldas

Bailarinos paraibanos articulam as angústias do corpo em espetáculo

VIVÊNCIAS

O ator Esio Magalhães, do Barracão Teatro (SP), participou de conversa sobre o processo criativo e as vivências do seu grupo com atores, educadores e espectadores. No encontro, ele expôs suas experiências em espaços como a África Saariana e o norte do Brasil, locais em que conflitos e com pouco acesso à arte. “É muito tocante quando terminamos os trabalhos nesses lugares e as pessoas perguntam quando vamos voltar. É um momento em que eles ganham importância, que eles sentem que existem e são vistos. E é transformador poder participar dessa troca”, afirmou.

Confira a programação completa de artes cênicas desta quinta-feira (28):

TEATRO DE RUA
16h – O Espelho da Lua
Tropa do Balacobaco (PE)
Local: Parque Euclides Dourado

DANÇA
18h – Mundo ao Redor
Adriana Carneiro (PE)

18h30 – A Feira
Associação Amigos do Teatro Municipal Severino Cabral (PB)
Local: Teatro Luiz Souto Dourado

TEATRO ALTERNATIVO
21h – A Receita
O Poste (PE)
Local: Casa Galeria Galpão

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