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Festival de Inverno

Encontros com o cinema pernambucano

Mostra de filmes em Garanhuns propõe diálogos entre público e realizadores da atual produção cinematográfica

Por: André Dib

Renata Pires

Renata Pires

Hilton Lacerda acompanhou exibição de seu ‘Tatuagem’ em Garanhuns e debateu com o público

Os longas pernambucanos “Tatuagem” e “Amor, Plástico e Barulho”, dois dos melhores e mais premiados filmes brasileiros da atual temporada, foram o destaque do primeiro fim de semana da 10ª Mostra de Cinema do FIG. Seus diretores, respectivamente, Hilton Lacerda e Renata Pinheiro, estiveram no evento para conversar com o público. A mediação foi de Carla Francine, coordenadora de cinema da Secult-PE/Fundarpe. Os dois filmes contaram com incentivo do Governo do Estado, através do Funcultura.

Filme nacional mais premiado de 2013, “Tatuagem” foi muito bem recebido em Garanhuns. Durante o debate Hilton falou sobre o processo de criação do filme, que incluiu três meses de ensaio imersivo com os atores que viveram os integrantes da trupe de artistas do grupo Chão de Estrelas.

Hilton Lacerda é um dos maiores roteiristas de cinema do Brasil. Seu primeiro longa de ficção, “Tatuagem” recria a atmosfera do grupo Vivencial Diversiones, que escandalizou a sociedade recifense no fim dos anos 1970. A relação positiva entre cinema e teatro trazida pelo filme está gerando novos frutos como o novo projeto que Hilton está desenvolvendo com o Grupo Magiluth, um produto para a TV. Nascido em Caetés e criado em Garanhuns, o ator Erivaldo Oliveira é um dos integrantes do Magiluth e estava na sessão, enriquecendo o debate.

Não apenas por Hilton, mas Renata Pinheiro elogiou o trabalho da preparadora de elenco Amanda Gabriel, que assina as duas produções, em busca de adequar a dinâmica dos atores para cada filme. No caso de “Amor, plástico e barulho”, isso recai na relação entre as atrizes Maeve Jinkings e Nash Laila, em impressionantes performances premiadas no último Festival de Brasília.

Costa Neto

Costa Neto

Diretora de ‘Amor, Plástico e Barulho’, Renata Pinheiro também esteve no FIG 2014

“O filme nasceu da minha inquietação em mostrar um Brasil que não está na mídia”, disse a diretora. Um dos temas são as relações descartáveis, calcadas em interesses mercantilistas, daí o “plástico” do título.“O brega faz parte de um universo pop, uma cultura bastante fugaz, ligada a internet e a obrigação de se renovar a cada seis meses”, explica Renata, sobre a efemeridade que define não só o destino das cantoras Jaqueline e Shelly, mas o de tantas mulheres que trabalham nos palcos.

Renata compara a situação ao universo do brega, onde as mulheres se aposentam cedo, pois nele o que vale é a presença da “novinha”. O mesmo acontece com o brega romântico, que está acabando. “Isso gera uma situação melancólica”.
Uma das questões surgidas na plateia foi a presença de imagens, retiradas do Youtube, da recente inauguração de do shopping Rio Mar, no Recife. Renata respondeu que aquelas cenas são uma metáfora da condição das personagens. “Gravamos muitas cenas no Pina, enquanto o shopping foi construído. Desde o curta Praça Walt Disney estávamos atentos à remoção de casas por conta de obras da pseudo-modernidade, que jogam foram aquilo que não interessa mais”.

Ao lado de Sérgio Oliveira, seu marido e produtor, Renata disse que “Amor, Plástico e Barulho” vem percorrendo o circuito de festivais internacionais. “Acabamos de chegar do Indie Lisboa, onde o brega foi comparado ao pimba, um ritmo português. E antes da estreia comercial, prevista para outubro, vamos para a Espanha e Equador”. Enquanto isso, o casal prepara mais três longas: “Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Pernambucanos” (em finalização), “Açúcar” (em fase de montagem) e “Carro Rei” (em captação), este último, uma ficção em que carros falam e são os personagens principais.

Confira AQUI a programação completa de Audiovisual -FIG 2014 

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