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Festival de Inverno

Intervenção literária revela memórias e afetos de moradores

Cápsulas Sentimentais, projeto da escritora Julya Vasconcelos, distribui alegrias e emoções no FIG 2015

Por: Raquel Holanda

São balões vermelhos espalhados em pontos estratégicos das principais ações do Festival de Inverno de Garanhuns, como a Praça da Palavra e o Parque Euclides Dourado. Mas o que trazem esses balões? “São memórias dos moradores de Garanhuns que coletei e dei um tratamento literário”, revelou Julya Vasconcelos, que desde a última quinta-feira (23) desenvolve o projeto ‘Cápsulas Sentimentais’ no FIG. Dentro das cápsulas estão pequenos papéis com relatos de moradores da cidade que serão conhecidos pelos participantes espontâneos da intervenção poética.

Leo Caldas (Secult-PE)

Leo Caldas (Secult-PE)

A escritora Julya Vasconcelos durante intervenção ‘Cápsulas Sentimentais’

Aprovado através da convocatória de literatura para o festival, o projeto ‘Cápsulas Sentimentais’ atrai a atenção dos transeuntes de Garanhuns. “Ao ver o balão na praça fiquei atraída para saber do que se tratava”, contou Ana Paula, que conheceu as memórias do senhor Osílio presente no interior da cápsula. Karla Rafaella, de Campina Grande (PB), também foi atraída pela cor do balão. “Estava passando e ele me chamou a atenção, achei interessante conhecer uma lembrança do senhor Oscar”, revelou a jovem que compartilhou a história com seus tios.

Leo Caldas (Secult-PE)

Leo Caldas (Secult-PE)

Ana Paula no instante em que pega seu balão na Praça da Palavra

Jorge Farias (Secul-PE)

Karla Rafaella e seu tio, Tarciso Moreira, rompem a cápsula sentimental para descobrir a memória presente em seu interior

Pensei esse projeto para cá, nunca fiz uma intervenção urbana”, falou a escritora que embora tenha uma relação antiga com a literatura, teve agora no FIG sua estreia em experimentos artístico-literários. A intervenção tem conteúdo íntimo e sensível, as mensagens divulgadas nas cápsulas tratam de memórias de moradores abordados pela escritora. Segundo Julya Vasconcelos o tema da memória é algo que lhe chama bastante a atenção. “Esse tema me contaminou, veio através do mestrado que faço, mas está presente noutras partes de minha vida”, revelou a escritora. A memória urbana com a qual o projeto trabalha é uma forma de tornar público as memórias pessoais dos moradores. “Se tornando objetos acessíveis e sensíveis”, complementou a escritora. “É uma história cotidiana de alguém que está aqui ao meu lado, de alguém daqui da nossa cidade”, disse Ednei, que conheceu a história de Osílio através da namorada Ana Paula.

Jorge Farias (Secult-PE)

Compartilhando memórias. Assim a cápsula sentimental trouxe para Talita Moreira, Karla Rafaella e Tarciso Moreira, a história de Oscar, um morador de Garanhuns.

Durante os três dias de intervenção, Julya Vasconcelos distribuiu balões e pode acompanhar um pouco a reação das pessoas que os recuperavam. “Algumas reações me fazem acreditar que meu objetivo foi alcançado. É meio jogar pro mundo e aceitar o imponderável”, finalizou. Ao todo foram 80 balões, com 40 diferentes tipos de relatos de memória, que chegaram às mãos e à leitura de transeuntes do festival.

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