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Festival de Inverno

Jovens poetas da Zona da Mata Norte apresentam suas produções na Praça da Palavra

Renata Pires
Nem só de poesia tradicional de improviso, maracatu e cordel vive a produção literária da Zona da Mata Norte. Os jovens do Coletivo Silêncio Interrompido, de Goiana, e mais integrantes convidados de coletivos de Timbaúba, Nazaré da Mata, Tracunhaém e Carpina, apresentaram durante toda a tarde de ontem (25/7)  as suas poesias de fortes tintas contemporâneas, que vão de poemas eróticos a concretistas.

A roda de debate “Silêncio Interrompido: a poesia contemporânea da Zona da Mata Norte”, foi esclarecedora do ponto de vista da importância do reconhecimento de uma produção contemporânea na região fortemente marcada pela poesia tradicional popular. “Não há algo que unifica, estrutura ou limita a produção apresentada aqui. É diferente do que se entende por poesia popular da Zona da Mata, que tem todo um território ancestral de poesia de oralidade, do maracatu, das tradições das famílias, que paira sobre as nossas cabeças e conseguimos nos articular muito bem com ela. Todo o imagético da Zona da Mata está presente nos nossos textos. O que queremos é dar a nossa região um olhar mais complexo”, explica Philippe Wollney, poeta de Goiana. “Quando a gente fala da cana e da usina, a gente também fala do asfalto”, completa André de Pina, de Carpina.

A questão centro-periferia também foi tocada pelos poetas. “Ser interior não é ser inferior. Soa lógico mas me parece que as pessoas que fazem literatura se sentem incomodadas com essa questão. O centro muitas vezes não é o centro: o centro é o lugar onde a gente faz com que as coisas aconteçam”, problematiza Enoo Miranda, de Goiana.

As estratégias de guerrilha cultural, protagonismo – no que diz respeito a produzir e distribuir seus próprios livros através de edições artesanais, por exemplo –, e o papel essencial dos coletivos também foi ressaltada pelos presentes, como sendo a forma mais profícua de fortalecimento do movimento, assim como a realização de recitais. “A ideia de você abrir seu peito e expor o seu texto no microfone me parece inspiradora”, diz Wollney.

Renata Pires

Renata Pires

Livros artesanais do Coletivo Silêncio Interrompido

Durante o restante da tarde e início da noite, os poetas apresentaram suas produções em dois momentos: dizendo seus poemas em formato de recital, e depois no projeto ”O som da palavra”, uma apresentação poética onde se fundiram os ritmos da macumba e maculelê com a oralidade poética dos novos escritores. Segundo o coletivo Silêncio Interrompido, “O som da palavra” é uma busca pela oralidade da poesia, porém, sem a estrutura dos versos tradicionais (sextilhas, décimas, martelos, etc.), a estrutura poética é moderna porém vem impregnada de elementos simbólicos da região”.

Livros, zines e livretos foram lançados na ocasião, e podem ser encontrados na Praça da Palavra.

Confira a programação deste Sábado, 26/07:

10h às 12h | 15h às 17h – Amor para corações em fase de crescimento
Contação de histórias para público infantil

17h30 – Cordelândia: uma viagem pela poesia musicada
Show poético musical para o público infantil

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