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Festival de Inverno

Noite de rock’n'roll, batuques e grooves

Num clima de fim de semana, a Praça Mestre Dominguinhos se viu lotada em plena segunda-feira para ver BNegão, Otto e Nação Zumbi

Marcelo Soares/Secult-PE

Marcelo Soares/Secult-PE

Um mar de gente tomou conta da Praça Mestre Dominguinhos, nesta segunda (21)

por Leonardo Vila Nova

Todo ano, durante o Festival de Inverno de Garanhuns, é assim: a segunda-feira é sempre de público mais reduzido, já que grande parte das pessoas precisam voltar paras suas cidades logo após o fim de semana. Só que, desta vez, foi um pouco diferente. Na noite da última segunda (21), a Praça Mestre Dominguinhos parecia estar em pleno sábado! Milhares de pessoas formavam um mar de gente que se estendia até onde a vista não mais alcançava. Os responsáveis por isto? BNegão & Os Seletores de Frequência, Otto e Nação Zumbi, principais atrações da noite. Quem se segurou em Garanhuns, em plena segunda, e ficou para ver esses shows, não se decepcionou.

É um pouco redundante, e talvez clichê, dizer que o som de BNegão & Os Seletores de Frequência é puro groove! Mas não há nada mais adequado. Pegada de peso, com uma balanço daqueles, e um repertório à altura para dar conta de tanto entusiasmo do público. E eles não deixaram por menos. Frontman instigadíssimo em palco, BNegão não poupa energia para levantar a plateia. Com a participação de MC Paulão, nos vocais, o show ganhou ainda mais força. O repertório da apresentação foi baseado nos seus dois discos: “Enxugando gelo” (2003) e “Sintonia lá” (2012). Com referências ao rapper Sabotage – homenageado na música “Dorobo” – e Francisco de Assis França, o Chico Science, além de músicas como “Funk até o caroço” ou “Chega pra somar no groove”, a Praça Mestre Dominguinhos se transformou numa grande pista de dança. E, como não poderia ser diferente, “A dança do patinho” encerrou o show no último volume! De impressionar.

Marcelo Soares/Secult-PE

Marcelo Soares/Secult-PE

Frontman instigadíssimo, BNegão mandou ver no groove

Quem veio logo após, pra manter a instigação da plateia, foi o cantor Otto. Um artista que sintetiza bem o espírito musical pernambucano. “Hoje vamos pegar os camisas pretas, fazer rock’n'roll e fazer batuque“, disse ele, momentos antes do show. Otto é um performer que ganha qualquer plateia. A qualidade da Jambro Band, que o acompanha, se somam à figura carismática e falante do artista. Ele dança, pula, conversa o tempo inteiro com a plateia, sai do roteiro do show, mandando, de improviso, “Respeita Januário”, de Luiz Gonzaga. É um nível de cumplicidade com o público que se reflete em suas apresentações. É como se ele estivesse na sala de casa, rodeado de amigos por todos os lados. Como não poderia deixar de ser, não faltaram os já tradicionais banho de água mineral, a tirada de camisa e as danças sensuais. E a cada “go, band!“, uma música vinha no repertório. “Ciranda de maluco”, “Crua”, “Pra ser só minha mulher”, “The moon 1111″ não faltaram no repertório, que terminou com a visceral “6 minutos”, onde a descarga de emoção se reflete naquela bela cena: público de olhos fechados, braços pra cima e cantando a plenos pulmões.

Marcelo Soares/Secult-PE

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Bastante à vontade no palco, Otto dançou, pulou, conversou e se refrescou durante o show

Uma boa parte desse público parecia não estar vivendo uma segunda-feira. Espremidos na frente do palco, muitos cantavam enlouquecidamente todas as canções. O estudante Maurício Moura, que completou ontem 20 anos de idade, veio de Santana do Ipanema, em Alagoas. Primeira vez no FIG, ele ficou impressionado com a grandiosidade do festival. “Eu estou achando muito legal tudo isso aqui, e acho que é um evento que deveria ter em cada estado brasileiro“, disse Maurício, que, neste momento, deve estar de volta à sua terra. Ingrid Sobral, também com 20 anos, veio de Caruaru e era uma das mais empolgadas. Chegou à frente do palco por volta das 21h e de lá não saiu. Só voltaria pra sua cidade no dia seguinte, pra assistir a aula, às 8h30. “Nação Zumbi já é tradição no FIG. Não tem como não ver. Temos que aproveitar sempre a presença deles por aqui. Mas eu vim muito também ver BNegão, que eu cresci ouvindo por causa do meu irmão, que ouvia muito Planet Hemp. É bacana você ir descobrindo algo que foi feito na época em que você crescia. Com BNegão é assim. Pela primeira vez, eu vi o show dele e achei muito empolgante“, disse.

Com vocês: Nação Zumbi!

Marcelo Soares/Secult-PE

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Com disco novo na praça, Nação Zumbi empolgou o público gigantesco na Praça Mestre Dominguinhos

Passam-se anos… já se passaram exatas duas décadas desde o lançamento do disco “Da lama ao caos”, e a Nação Zumbi continua sendo, sem dúvida alguma, a banda mais reverenciada de Pernambuco. O público fiel e cativo parece se multiplicar a cada ano. E hoje é possível notar, entre a plateia, pessoas que acompanham a trajetória da banda desde o início, até gente muito jovem, nascida inclusive, depois que foi lançado o primogênito álbum da Nação. Isso se deve ao som contemporâneo e em constante evolução que os “malungos” fazem. Com disco novo recém saído do forno, “Nação Zumbi”, o resultado de dois anos de um hiato nos palcos, refletiu-se na apresentação desta última noite. Um noite “sem fastio, com fome de tudo!”, inclusive, de música boa. Foi o que a Nação Zumbi fez.

Este foi a segunda vez que eles se apresentaram em Pernambuco após o lançamento do novo álbum (o primeiro show foi no Recife, no mês passado). O público parecia mesmo querer matar as saudades. A Nação abriu o show com “Foi de amor” e “Defeito perfeito”, que estão neste mais recente trabalho, mas já na ponta da língua da plateia. Mas em alguns momentos, uma catarse geral tomava conta de todos. Músicas como “Meu maracatu pesa uma tonelada”, “Blunt of Judah”, “Rios, pontes e overdrives”, rememoravam bons tempos já vividos ao som da banda. “A sonoridade da gente é muito espontânea, que demonstra uma sintonia, uma química antiga da gente“, disse Jorge Du Peixe sobre a evolução do som que eles fazem e como isso se dá no que eles vêm fazendo até hoje. Uma química que vem dando muito certo.

E o inevitável bis veio! A Nação Zumbi fechou sua apresentação com “Etnia”, “A cidade” e “Quando a maré encher”, que, literalmente, fez o chão da Praça tremer, com milhares de pessoas pulando e dançando, em rodas de pogo, espremidas, mas muito animadas. Pela celebração do momento, pelo retorno da Nação Zumbi, por mostrarem que continuam em plena forma musical, sem dúvida alguma, nessa segunda-feira com cara de sábado, a Praça Mestre Dominguinhos pesou uma tonelada!

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