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Festival de Inverno

Palco Pop: do sampler ao coco dos mestres

Por: Paulo Costa

Semelhante ao caldeirão de um mago do som, o Palco Pop juntou Banda Marsa, Radiola Serra Alta, Isadora Melo e A Matinada. Ingredientes diversos para encantar o público eclético, de diferentes idades e locais de origem, que veio ao Parque Euclides Dourado curtir a noite musical do FIG 2015, nesse domingo, 19/7. A lua crescente, brilhando por entre os eucaliptos, parecia emanar boas energias para todos e todas que se divertiam, celebrando a cultura.

Vencedores do Festival Pré AMP 2015 e com disco quase pronto para ser lançado, a Banda Marsa sacudiu a abertura da noite com um som cheio de influências afro-brasileiras. Do palco, semelhante a um terreiro pop, propagou-se um canto com tempero negro, acompanhado por guitarras e atabaques que contagiaram o público. As pessoas dançaram já na primeira canção. Muita gente rodando e jogando os braços como nas celebrações aos orixás, mesmo quando o som enveredou para a seara do samba, carimbó ou regue estilizados.

Paulo Costa

Paulo Costa

Com atabaques e guitarras, Banda Marsa sacudiu Palco Pop com influências afros.

“Nossos percussionista tocaram em terreiro, temos também músicos de chorinho e de rock. Essa e a panela do Marsa que trouxemos pra o Festival de Inverno. O FIG pra mim é especial demais, tem gente do litoral ao sertão, muitas influências e percepções diferentes. Viemos tocar, assistir e trocar experiências”, disse Martins, cantor e um dos compositores do grupo.

“Venho sempre ao Palco Pop por causa da diversidade da música, como esse batuque da banda Marsa que é uma mistura de ritmos muito boa”, vibrou Luiz Leite, de Garanhuns, 41 anos.

“Acho essa mistura incrível, faz a gente dançar, não dá pra ninguém ficar parado. E tudo isso mostra um pouco da cultura negra da gente”, falou, sem parar de dançar, Palas Camila, do Recife, 23 anos.

“A gente, aqui, vê muito tipo de música diferente. Por isso, sempre venho ao Palco Pop. Posso até não entender direito o que eles tocam, mas acho interessante”, comentou Marizélia Correia, de Garanhuns, 55 anos.

De repente, o lugar foi tomado por um clima de suspense. Batida eletrônica ressoou. Palco vazio… Uma voz surgiu sem que as pessoas vissem de onde vinha. Um poema no estilo cordel ecoou no palco. Bits de computador começaram a vibrar junto com um grito de aboio, som de triângulo e zabumba. Personagens da Radiola Serra Alta entraram, fazendo coreografias, surpreendendo a plateia. O público entende a química e entra na dança. Uns fizeram passos do hip hop, outros tentam o xaxado enquanto batem cabeça.

Os integrantes do grupo, de Triunfo, não revelam suas identidades, apresentam-se sempre mascarados, semelhantes ao careta e à “véinha”, mascarados que tomam as ruas no Carnaval de sua cidade, no Sertão do Pajeú. O show teve participação especial da raper, Jessica Caetano, e do raper Clécio Rimas.

“Isso aqui é som eletrônico dialogando com a cultura popular nordestina. Acho que o FIG é inclusão de gente, como nós que viemos lá do Sertão, mostrar nosso som aqui”, explicou um dos integrantes do grupo, oculto em sua identidade secreta, mascarado de careta.

“Gosto muito desse som meio xaxado meio coco, sei lá, dessa mistura toda, juntando essas coisas da gente com os computadores. Gosto muito do FIG. Por mim teria mais vezes ao ano”, pontuou Sara Régia, do Recife, 24 anos.

“Tô curtindo esse batuque. Não conhecia esse pessoal (da Radiola Serra Alta). Isso aqui valoriza todas as culturas”, comentou Everaldo Dantas, de Garanhuns, 53 anos.

Léo Caldas

Léo Caldas

Isadora Melo fez sua estreia solo no FIG 2015, no Palco Pop.

 

O palco mudou de pele. Saíram o aporte eletrônico e a batida eletrônica para dar lugar a um espaço mais intimista com baixo acústico, bandolim, violão e acordeon. Surgiu Isadora Melo. Calma e firme. Imponente e jovem cantora do Recife. Tem simplicidade e, ao mesmo tempo, presença de palco marcante com visual que lembrou as damas do jazz ou da nossa MPB, mas, com jeito brejeira. Isadora Melo, que foi vocalista da Orquestra Contemporânea de Olinda, fez sua estreia solo no FIG 2015. Soltou a voz. Transitou por compositores pernambucanos. O público se aproximou do palco, ouviu atento… Aplaudiu.

“Canto porque isso faz com que eu me conheça mais. Meu avô me dava CD de Francisco Alves e Maísa, Jacó do bandolim e Elizete Cardoso. Esse show e uma celebração da música, que gera som, silêncio e tensão. Acho o FIG uma oportunidade pra gente viver as vanguardas e as tradições musicais, esses paço aqui traduz isso”, discorreu Isadora Melo.

“Achei Isadora fantástica: potência com suavidade. O FIG também é fantástico, principalmente a mescla musical que o festival faz”, comentou Cyreno Gonçalves Neto, do Recife, 56 anos.

Léo Caldas

Léo Caldas

Mestres da cultura popular que formam A Matinada se apresentaram no Palco Pop

 

Em seguida, A Zona da Mata pernambucana invadiu Garanhuns ao ritmo sincopado do coco de A Matinada. Galo Preto, mestre tradicional, saiu puxando uma cantiga sobre a beira da praia. O público mergulhou de cabeça na sua batida. Mais uma vez, o Palco Pop juntou artistas e público de várias gerações, o novo e a tradição, no palco e na plateia. Quatro coquistas de gerações diferentes, como os veteranos Ciço Gomes, Galo Preto, Zé de Teté e Biu Caboco fizeram seu samba ao lado de Adiel, da nova safra de coquistas. Os pandeiros percutiram, o samba de coco quebrou; e toda gente no Palco Pop dançou e cantou em diversas rodas por toda plateia.

“Um acontecimento desse não e brincadeira. O Galo Preto, velho com quase 82 anos, cantando; E gente quase criança cantando junto e dançando. Isso é um presente”, emocionou-se Galo Preto.

“Sou o mais novo coquista da turma, aprendendo demais com todos eles, os mestres, figuras de lugares e idades e de vertentes de coco diferentes. Cada um de nós mostrou pra toda essa gente a riqueza do coco. E aviso logo: na próxima sexta (24/7), no palco Dominguinhos, lançarei meu disco aqui no FIG: Baionada”, ressaltou Adiel Luna.

“Nunca tinha ouvido esse som, essas figuras do coco. Achei massa. Acho muito proveitoso tá aqui porque a gente saca muita coisa que não conhecia”, confessou Eduardo Cabral, de Garanhuns, 20 anos.

“O FIG costuma ser muito bom. Faz oito anos que venho. Adoro e priorizo o Palco Pop. É bom pra quem é de fora e pra quem é de Garanhuns que recebe muita coisa nova. O Palco Dominguinhos é outro espaço bacana. Também vi exposições de artes plásticas”, comentou Juliana Lins do Recife, 31 anos.

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