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Festival de Inverno

Primeiro debate da Mostra de Cinema do FIG 2015 surpreende diretor e plateia

O diretor Leonardo Lacca encontrou um caso semelhante ao da história narrada em seu longa-metragem ‘Permanência’ no público que conferiu a sessão desta noite (18)

Por: Raquel Holanda

Exibido pela primeira vez no interior pernambucano, o longa-metragem ‘Permanência’, do diretor Leonardo Lacca garantiu a sessão cheia na segunda noite na 11ª Mostra de Cinema do FIG no Cine Eldorado. Após a sessão, parte do público participou do primeiro debate realizado pela mostra, oportunidade na qual o diretor revelou curiosidades sobre o filme e recebeu críticas.

Costa Neto

Costa Neto

O diretor pernambucano Leo Lacca conversou com o público do festival

‘Permanências’ narra a história do reencontro de Ivo e Rita. Anos após a separação, a aproximação dos personagens acontece em São Paulo, atual moradia de Rita e local onde acontecerá a primeira exposição fotográfica de Ivo. As questões trazidas no filme, como relações entre a convivência com o passado e presente foram as bases das maiorias das intervenções do público durante o debate. No entanto, foi a revelação da pernambucana Laudenice Ramos que surpreendeu o público. A história trazida pelo longa-metragem ‘Permanência’ saiu da tela de certa forma. “Ficamos 26 anos separados e estamos juntos há uma semana. Essa emoção da presença do tempo foi o que mais me chamou a atenção no filme. Passado, presente e, hoje, um futuro indefinido. Isso é minha vida”, revelou Laudenice. “Isso é para mim um déjà vu”, complementou o companheiro de Laudenice, Jaelson Batista.

O filme, segundo o diretor, desperta o espectador para ir além das imagens fílmicas, complementado seus sentidos. “Acho que o filme deve despertar leituras de sensações. Entendemos mais da gente ao final, do que do filme”, disse Lacca. A fala do diretor foi o gancho para que estudante Rayssa Umbelino elogiasse o diretor por sua obra e o questionasse pela forma escolhida por ele para trabalhar a permanência do sentimento através do tempo. Para Lacca, “as fotos presentes no filme condensam bastante o tempo. O passado vem pelo presente, pelo reencontro, pelo que se enxergar noutro momento, pela lembrança da vida que um dia foi compartilhada com o outro”, esclareceu o diretor.

O longa-metragem que surgiu da ideia lançada pelo curta-metragem “Décimo Segundo”, realizado em 2007 pelo diretor, optou pela continuidade da participação dos protagonistas. “Eles, assim como o filme, também tem um passado juntos (referindo-se ao curta). Isso deu uma verdade do longa”, disse Lacca que comentou também que a ideia do longa foi uma coisa paralela à produção do curta. “Eu tinha a noção que queria continuar. O longa é uma expansão do curta, mas eles são bem diferentes”, comentou. O fato de filmar a continuação de uma história já filmada foi um desafio para o diretor, que revelou sentir-se motivado para a refilmar uma sequência presente no seu curta “Décimo Segundo”. “Refilmar uma cena já gravada anos atrás foi um grande desafio, pela própria intimidade que a sequencia já tinha, pela proximidade dos atores com a cena”, explicou. E foi a distância entre o período da realização das produções que tornava a continuidade da história uma empreitada delicada para o cineasta. “Tinha medo que a história perdesse sua validade. Escrevi o roteiro pensando nos atores, mas como o filme demorou muito para ser rodado. Por isso, eu fiz muitas modificações no roteiro, tentei dar um gás e com me empolguei bastante para filmar”, explicou o cineasta.

Ao ser questionado se a história de ‘Permanência’ teria uma continuação, o cineasta não teve uma certeza. “Esse é um universo que me interessa, mas não sei dizer se esses encontros e reencontros terão uma nova história”, contou.

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