Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Festival de Inverno

Quilombo Timbó recebeu o Cinema na Estrada

Por: Julya Vasconcelos

Marcelo Soares/Secult-PE

Marcelo Soares

Exibição do filme “Dia Estrelado”, de Nara Normande, no Quilombo Timbó

Para chegar à porta da pequena igreja de Nossa Senhora de Nazaré, que fica logo na entrada do Quilombo Timbó, um dos mais antigos de Pernambuco, é preciso subir uma escadaria. Às 19h, olhar de baixo a igreja e ver por cima o céu raro, escuro e estrelado de Timbó, fazia parecer que alguém havia apagado as luzes de uma verdadeira sala de cinema. Sentados na escadaria como em uma arquibancada, os moradores da comunidade esperavam começar o “Cinema na Estrada”, ontem à noite (26/7). O público, composto sobretudo de crianças, parecia ansioso para o início da sessão.

“Desde o ano passado que eu fiquei entusiasmado com o cinema aqui em Timbó. Acho um espetáculo!”, comenta seu Expedito Ferreira da Silva, um dos líderes comunitários do Quilombo, que acompanhou de perto toda a ação. Expedito também sublinhou a importância de programas de formação continuada nos quilombos. Lamentou, por exemplo, que não haja ainda nenhum professor formado de Timbó que possa repassar conhecimentos à comunidade partindo de dentro dela. Para ele, esse empoderamento é essencial para a sobrevivência dos quilombos. Ações como o “Cinema na Estrada” e a oficina de fotografia ministrada por Diego Di Niglio durante a semana são, segundo seu Expedito, essenciais para Timbó, pois abre os horizontes de possibilidades dos morados, principalmente dos jovens.

O documentário “Psiu!”, de Antônio Carrilho e Juliana Lima, que conta a história de Zé Dantas, parceiro de Luiz Gonzaga, arrancou aplausos da plateia quando exibiu imagens de Ariano Suassuna e Dominguinhos. “Viva Ariano! Viva Dominguinhos!”, gritavam os quilombolas, reverentes aos dois mestres da cultura nordestina. “Dia Estrelado”, de Nara Normande, fez sucesso entre as crianças. “Eu gostei daquele desenho do menino com a mosquinha, mas não gostei do da boneca que faz medo”, diz Jameson, de cinco anos. No colo do pai, assistiu a toda a sessão. “Eu gostei de tudo. Acho muito bom porque sou agricultor, é muito raro eu sair daqui da comunidade. É muito bom que o cinema venha pra cá, todos se divertem muito”, diz o pai, de 31 anos. Camila, de 16 anos, estava com um grupo de adolescentes, e disse gostar muito de cinema e televisão. “Eu achei interessante, acho que foi uma noite bem divertida”, afirma a menina. Cerca de cinquenta pessoas acompanharam a sessão de Timbó. Durante este FIG, o projeto circulou por mais duas comunidades: Logradouro de Leões e Distrito de Imbé.

Segundo Carla Francine, a Coordenação de Cinema e Audiovisual da Secult-PE, o programa é essencial para a formação de público para a linguagem em Pernambuco e para a democratização de acesso. “A proposta do cinema na estrada é chegar àqueles lugares que não dispõem de sala de cinema e muitas vezes nem da possibilidade de, através da internet, baixar um filme ou assistir online. Nesses lugares, que o acesso é praticamente nulo, o Cinema na Estrada desempenha um papel muito interessante”, ressalta. A crescente criação de cineclubes, a escassez das salas de cinema fora da capital do estado e o desejo de ampliação do projeto também foram destacados por Francine.

< voltar para home