Pular a navegação e ir direto para o conteúdo

O que você procura?
Newsletter

Festival de Inverno

Ritmos populares transmitem saberes tradicionais no FIG 2015

Leo Caldas/Secult-PE

Leo Caldas/Secult-PE

Apresentação da Mazurca da Quixaba mexeu com o público

Por: Roberto Moraes Filho

Com grande participação do público que circulava no penúltimo dia do 25° Festival de Inverno de Garanhuns, o Palco de Cultura Popular recebeu nesta quinta-feira (24), apresentações envolvendo o coco de roda, afoxé, maracatu o tom instrumental contagiante da rabeca. Marcando a tarde com toadas inspiradas nas tradições de terreiros de Jurema, o grupo Mazurca da Quixaba, comandado pela mestra Joana Cavalcante, conquistou o público pela história da raspa de coco, hoje em dia cada vez mais rara de ser praticada.

“Vocês lembram como se raspava o coco?”, perguntou Mestra Joana para a plateia. E continuou: “Antigamente se abria o coco e se ralava”. Após o comentário, a mestra ensinou como era ralado o coco através de dança, contagiando o público pela coreografia e o improviso da toada. A partir de então, o grupo passou a incrementar a apresentação com improvisos como “No tempo que eu era só não tinha amor nenhum” e composições já conhecidas, como ‘No Passo da Ema’.

Leo Caldas/Secult-PE

Leo Caldas/Secult-PE

Afoxé Oya Tokole Owo

Outro destaque da tarde, foi a apresentação do Afoxé Oyá Tokolê Owô, reunindo valores religiosos de matrizes africanas. O grupo, que possui sua origem iniciada em 2004, no bairro de Dois Unidos, no Recife, foi conduzido pela Yalorixá Maria Helena Sampaio, proporcionando toadas e músicas reverenciando Orixás. Através do ritmo tocado por instrumentos como o agbês e atabaques, o grupo repassou um pouco do que significa o candomblé, atraindo a atenção do público para temas relacionados ao Ilê, Orum, Ossain, Oxalá e Xangô.

A professora Tereza Simões, que veio aproveitar as férias escolares durante o festival, assistia o grupo no polo e achou interessante o conhecimento repassado pelo afoxé. “Esse tipo de apresentação é importante não apenas como forma de lazer, mas também para aprendermos um pouco mais sobre cada cultura que está sendo transmitida”, comentou.

Leo Caldas/Secult-PE

Leo Caldas/Secult-PE

O Coco Raízes de Arcoverde foi uma das atrações de sexta (24)

Trazendo todo o empolgante ritmo trupê, o Coco Raízes de Arcoverde explorou a diversidade de passos na base dos seus conhecidos tamancos de madeira, deixando a plateia ainda mais contagiada com a percussão acelerada em alguns momentos da apresentação. Representando a alegria e o carisma do povo simples da cidade de Arcoverde, no Sertão, a apresentação reuniu canções dos seus três primeiros álbuns, além de prestar homenagens a Aurinha do Coco e Dona Selma.

Para Aurinha do Coco, o grupo interpretou a canção ‘Seu Grito’, de autoria da coquista, que fala de relação de amor pela cidade de Olinda, além de envolver a trajetória de Aurinha com o cenário cultural pernambucano. Já para Dona Selma, foram convidadas para participar da apresentação, Jaqueline e Sabrina, netas da eterna rainha do coco. “Nós, que estivemos neste palco acompanhado Dona Selma no ano passado, estamos de volta hoje, com a missão de manter o seu legado. Onde quer que ela esteja, com certeza estará feliz pela por nossa atitude e pelas homenagens que estão sendo ofertadas”, comentou Jaqueline.

E entoando com o público ‘A Rolinha’, mais uma vez a obra de Selma do Coco passou a ter destaque durante o FIG. As netas de Selma, juntamente com o Raízes de Arcoverde, promoveram uma tarde marcada pela celebração do coco, ao som de ‘Seu Maia’, ‘Godê Pavão’, ‘No Balanço da Canoa’ e muitas outros sucessos do grupo.

O polo também contou com a apresentação de Zeca do Rolete, que com 50 anos dedicados ao coco de roda, reuniu improvisos como ‘Xô xô, meu sabiá’ e ‘A onda bateu no barro’. O mestre também prestou homenagem a Dona Selma, considerando-a como a grande responsável pela visibilidade do ritmo a nível nacional. “O coco mudou após Selma ter a iniciativa de representar nossa cultura popular. Por isso, seguindo o seu exemplo, não podemos deixar a cultura popular morrer”, ressaltou Zeca do Rolete.

Leo Caldas/Secult-PE

Leo Caldas/Secult-PE

Apresentação da Família Salustiano encerrou o dia

Finalizando a apresentação no Palco de Cultura Popular, a Família Salustiano e a Rabeca Encantada, que foi um projeto musical iniciado no ano de 1995, pelo saudoso Mestre Salustiano, intitulado inicialmente de ‘Sonho da Rabeca’, possibilitou na penúltima noite de festival mais uma agradável transmissão de saberes, especialmente por envolver no espetáculo temas relacionados ao cavalo marinho, a ciranda, ao maracatu e a própria rabeca.

Para o estudante recifense Davi Lima, de 18 anos, que assistia ao espetáculo pela primeira vez, a surpresa em ter encontrado tantas representações culturais em uma única apresentação foi bastante satisfatória. “Já tinha ouvido falar do grupo, mas não esperava que o espetáculo fosse tão bonito de se ver. Gostei muito”, disse Davi.

< voltar para home